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	<title>Pelvini &#187; velhice</title>
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	<description>a palavra é o principal desafio</description>
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		<title>Os Trilhos</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 18:02:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano Revivido]]></category>
		<category><![CDATA[Capela]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
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		<description><![CDATA[Conheci um senhor hoje: Seu José dos Olhos Azuis. Parado debaixo de uma árvore qualquer, descascando uma manga, pele avermelhada, boné de político, sentado de frente pra linha do trem que atravessa a cidade. Conversa porque conversa, Seu José me &#8230; <a href="http://pelvini.com/2010/02/os-trilhos/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conheci um senhor hoje: Seu José dos Olhos Azuis. Parado debaixo de uma árvore qualquer, descascando uma manga, pele avermelhada, boné de político, sentado de frente pra linha do trem que atravessa a cidade.</p>
<p>Conversa porque conversa, Seu José me falou de viuvez: perdera a mulher, que o fizera trocar São Paulo por Capela, há 17 anos. De lá nunca mais saiu.</p>
<p>“E o trem, Seu José?”</p>
<p>“O trem nunca passou, não&#8230; Mas os trilhos existem”.</p>
<p>O trem nunca passou na cidade&#8230; Mas os trilhos, estes existem em mim. Outro trem, é claro, já me atravessou: veio rápido de uma estação construída por um par idoso de olhos azuis.</p>
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		<title>Up &#8211; Altas Aventuras, de Pete Docter e Bob Peterson</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 17:24:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[perdas]]></category>
		<category><![CDATA[Pixar]]></category>
		<category><![CDATA[Up - Altas Aventuras]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>

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		<description><![CDATA[A sessão de Up &#8211; Altas Aventuras começa como sempre com um curta que já faz valer o ingresso do cinema. Quem conhece um pouco de Pixar sabe: é fácil se emocionar seus personagens, seja um brinquedo que acha que &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/09/up-altas-aventuras/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1214" title="Up - Altas Aventuras" src="http://pelvini.com/wp-content/uploads/2009/09/up_poster_01.jpg" alt="Up - Altas Aventuras" width="369" height="546" /></p>
<p>A sessão de <em>Up &#8211; Altas Aventuras</em> começa como sempre com um curta que já faz valer o ingresso do cinema. Quem conhece um pouco de Pixar sabe: é fácil se emocionar seus personagens, seja um brinquedo que acha que é viajante do espaço ou um robozinho velho e cegamente apaixonado.</p>
<p>E os personagens de <em>Up -Altas Aventuras </em>não decepcionam com sua imensa humanidade: acompanhamos, aqui, a história de Carl Fredricksen, um idoso (lindamente dublado por <strong>Chico Anysio</strong>) que amarra centenas de balões em sua casa para fazê-la flutuar até o Paraíso das Cachoeiras, na Venezuela, América do Sul.</p>
<p>A ideia, inicialmente absurda (mesmo para um filme de animação? talvez não), tem uma motivação bem justificada: com cerca de dez minutos magníficos de introdução, conhecemos a história de vida do senhor Fredricksen e, repentinamente, a fuga com a casa via balões faz todo sentido. É bonito perceber que, ao mesmo tempo que cria uma memória imagética para crianças &#8211; uma casa flutuando no céu &#8211; também faz a analogia perfeita para os adultos. Afinal, o que é querer levar sua casa para bem longe se não um sentimento de evasão?</p>
<p>Carl é acidentalmente acompanhado pelo espontâneo Russel, um garotinho que precisa do distintivo de &#8220;ajuda ao idoso&#8221; para se tornar notável entre o grupo de escoteiros &#8211; e, por culpa dele, a viagem pra América do Sul dá um pulo, acontecendo de forma abrupta. Lá, o destino reserva duas ótimas surpresas: Dug, um cachorro extremamente fofo &#8211; e falante &#8211; e Kevin, um pássaro rápido e colorido. Juntos, Dug e Kevin provam a capacidade de Pixar de injetar alma em qualquer coisa que seja. Além de tudo, os quatro formam uma equipe e tanto; interessante perceber que, juntos, formam uma família de membros sem família bem formada, o que é um exercício de identificação bonito e imediato.</p>
<p>Com uma trama que pode parecer muito adulta para crianças (o que é um equívoco, pois a beleza de <em>Up &#8211; Altas Aventuras</em> está em confiar na coragem das crianças de enfrentar perdas), o filme ainda conta com um vilão típico de Disney: impiedosamente maldoso, chegando a ser unidimensional. Ainda que o evidente cuidado com as minúcias &#8211; como é possível perceber que a barba do senhor Fredricksen cresce gradualmente &#8211; compense qualquer clichê.</p>
<p>Não é à toa dizer, então, que <em>Up &#8211; Altas Aventuras</em> é levemente maniqueísta, sobretudo no drama pessoal do menino Russel ou no desfecho do vilão (e, falando nele, alguém reparou ali algo de Kirk Douglas?).</p>
<p>Com linhas bem escritas de roteiro (<em>&#8220;A América do Sul é como a América, só que é no sul&#8221;</em>, <em>&#8220;Vou precisar de um bilhão de passes pra voltar pra casa&#8221;</em>) e apostando em gags visuais bem engraçadas, <em>Up &#8211; Altas Aventuras</em> entra para o imaginário de qualquer um com o coração no lugar: faz crianças rirem e adultos chorarem e, de quebra, entra para o rol de clássicos produzidos pela Pixar.</p>
<p>* * *</p>
<p><em><strong>Up &#8211; Altas Aventuras teve sua estreia em 4 de setembro, inclusive em cópias 3D (que garantes visões grandiosas das paisagens). <a href="http://www.youtube.com/watch?v=USpI6Jzl3No" target="_blank">Confira o trailer aqui.</a></strong><br />
</em></p>
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		<title>Velho Violão</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 22:40:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano Revivido]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>
		<category><![CDATA[violão]]></category>

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		<description><![CDATA[Estive pensando bastante sobre a velhice nos últimos dias. A casa do meu avô está vazia e a sala onde nós dois assistíamos televisão está preenchida apenas por seu violão. O violão é a herança mais viva desde sua morte; &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/08/velho-violao/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estive pensando bastante sobre a velhice nos últimos dias. A casa do meu avô está vazia e a sala onde nós dois assistíamos televisão está preenchida apenas por seu violão. O violão é a herança mais viva desde sua morte; violão que minha avó &#8211; que hoje mora com a gente &#8211; proibiu qualquer um de tocar.</p>
<p>Hoje entrei lá escondido. Acendi a luz, sentei no degrau da escada, coloquei o violão no colo.</p>
<p>E toquei.</p>
<p>Entendo tanto de violão quanto de equações de segundo grau. Mas o som era belo, inestimável e belo, como se eu pudesse ouvir meu avô tocando de novo. Uma verdade preciosa me atormentava naquele momento, e era a velhice.</p>
<p>* * *</p>
<p>Passei em frente um asilo, na volta pra casa. Um casal guiava uma senhora de suéter roxo escada acima. A porta do carro ainda estava aberta. Eles não pretendiam ficar muito tempo. Descobri &#8211; mais uma vez &#8211; que tenho medo de envelhecer sozinho.</p>
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		<title>Cinquenta anos daqui, a piedade</title>
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		<pubDate>Wed, 20 May 2009 12:32:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavras Fortuitas]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[metrô]]></category>
		<category><![CDATA[piedade]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>

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		<description><![CDATA[Tinha esse senhor simpático no banco ao lado, calça moletom escondendo pernas finas, blusa de lã verde num corpo franzino e boina xadrez de dez anos atrás. Leve susto; me percebi nele, como num espelho de cinquenta anos depois. Estação &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/05/cinquenta-anos-daqui-a-piedade/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tinha esse senhor simpático no banco ao lado, calça moletom escondendo pernas finas, blusa de lã verde num corpo franzino e boina xadrez de dez anos atrás. Leve susto; me percebi nele, como num espelho de cinquenta anos depois. Estação Saúde, e ele se levanta com dificuldade, quase cai. Bravamente, o senhor segue até a porta, e eu tive a impressão de que seu corpo era feito de um papel machê que, pouco resistente, desmancharia ao menor impacto.</p>
<p>Eu não tenho medo de ficar velho. Mas, confesso, a ideia de despertar piedade simplesmente me apavora.</p>
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		<title>Mentindo</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 21:55:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano Revivido]]></category>
		<category><![CDATA[fox]]></category>
		<category><![CDATA[mentiras]]></category>
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		<description><![CDATA[Sentei-me com o Fox na rua de casa, debaixo do sol morno das duas da tarde. Fox é o meu labrador de quarenta quilos, que teria outro nome se eu soubesse o significado em inglês ou que teríamos carros homônimos &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/05/mentindo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Sentei-me com o Fox na rua de casa, debaixo do sol morno das duas da tarde. Fox é o meu labrador de quarenta quilos, que teria outro nome se eu soubesse o significado em inglês ou que teríamos carros homônimos pelas ruas. Ele tem sete anos e é apaixonado pelo calor do sol. Fox sabe apreciar as coisas, por ele todos os dias não teriam noite. Fato é que uma trupe de crianças subia a rua fazendo algazarra. De praxe, segurei a coleira com mais força: conheço meu cachorro, ele iria puxar a corrente com tudo e sair pulando junto com a criançada. </div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Mas me enganei. Fox continuou sentado, observando as crianças com complacência. </div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">E suspirou.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">&#8220;Que foi, Fó?&#8221;, perguntei, no que ele se voltou pra mim com um olhar cheio de significado. Indubitavelmente, ele reconhecia alguma lição. &#8220;Estou ficando velho&#8221;, &#8220;o tempo passa rápido&#8221;, &#8220;minhas juntas estão doendo&#8221;, uma dessas. Fox vai fazer sete anos ainda esse mês. É a meia idade de sua raça.</div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">&#8220;Eu sei, Fox&#8221;, falei, passando a mão na cabeça dele, &#8220;Eu sei&#8221;. Evidente de que estava mentindo. Observando as crianças, porém, Fox me pareceu satisfeito. E eu me senti repentinamente velho, como se a vida estivesse passando de carro sem me oferecer carona. Quando as crianças se foram, Fox se levantou. Pronto pra mais uma caminhada, puxou a corrente como se me dizendo que, por mais velho que fosse, sempre estaria pronto. Eu sabia que ele estava mentindo, mas me senti repentinamente satisfeito. </div>
<div id="_mcePaste" style="position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">Às vezes uma mentira basta.</div>
<p>Sentei-me com o Fox na rua de casa, debaixo do sol morno das duas da tarde. Fox é o meu labrador de quarenta quilos, que teria outro nome se eu soubesse seu significado em inglês ou que teríamos carros homônimos pelas ruas. Ele tem sete anos e é apaixonado pelo calor do sol. Fox gosta demais de certas coisas ditas simples, e por ele todos os dias não teriam noite.</p>
<p>Aconteceu que uma trupe de crianças subia a rua fazendo algazarra. De praxe, segurei a coleira com mais força: conheço meu cachorro, ele iria puxar a corrente com tudo e sair pulando junto com a criançada. Mas me enganei. Fox continuou sentado, observando as crianças com complacência. </p>
<p><em>E suspirou.</em></p>
<p>&#8220;Que foi, Fó?&#8221;, perguntei, no que ele se voltou pra mim com um olhar cheio de significado. Indubitavelmente, ele reconhecia alguma coisa. &#8220;Estou ficando velho&#8221;, &#8220;o tempo passa rápido&#8221;, &#8220;minhas juntas estão doendo&#8221;, uma dessas, eu acho. É, o Fox vai fazer sete anos ainda esse mês: a meia idade de sua raça.</p>
<p>&#8220;Eu sei, Fox&#8221;, falei, passando a mão na cabeça dele, &#8220;Eu sei&#8221;. Evidente de que estava mentindo. Observando as crianças, porém, Fox me pareceu satisfeito. E eu me senti repentinamente velho, como se a vida estivesse passando de carro sem me oferecer carona. Quando as crianças se foram, Fox se levantou. Pronto pra mais uma caminhada, puxou a corrente como se me dizendo que, por mais velho que fosse ou estivesse, sempre estaria pronto. Eu sabia que era mentira, mas me senti repentinamente confortado.</p>
<p>Por ser tão curta, às vezes uma ou outra mentira basta.</p>
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		<title>Envelhecer</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Apr 2008 03:50:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios Deliberados]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>

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		<description><![CDATA[Se eu tenho medo de envelhecer? Não, não: serei velhinho de boina marrom e lenço quadriculado no bolso; e mesmo aos sessenta vou cantar bem alto o tema dos Cavaleiros do Zodíaco, pra eu lembrar o quanto querer ser Hyoga &#8230; <a href="http://pelvini.com/2008/04/envelhecer/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Se eu tenho medo de envelhecer? Não, não: serei velhinho de boina marrom e lenço quadriculado no bolso; e mesmo aos sessenta vou cantar bem alto o tema dos Cavaleiros do Zodíaco, pra eu lembrar o quanto querer ser Hyoga era bom. Veja, meu pai beira os cinquenta e canta comigo o tema inteiro do Speed Racer. Não tem melhor representação de juventude do que essa.</p>
<p>Não tenho medo de envelhecer porque sempre tive boas experiências com idosos. Teve o <a href="http://pelvini.com/2007/09/07/o-velho-a-negra-e-o-garoto/" target="_blank">Seu Paulo que me dava balas de iogurte</a>, e <a href="http://pelvini.com/2007/08/22/meu-avo-o-violao-e-eu/" target="_blank">meu avô que tentava me ensinar a tocar violão</a>. Tem o mendigo nouvelle vague que cita Murilo Mendes e que mora n&#8217;A Árvore do Lado do Banco em Frente à Faculdade e o meu mais vitalício amigo, porteiro do meu prédio &#8211; este aliás, é até uma surpresa citar aqui: é trezentas vezes mais novo que eu, é verdade.</p>
<p>Clichês à parte &#8211; &#8220;existem jovens de 80 e poucos anos e velhos de apenas 23&#8243; &#8211; não tenho medo da velhice por desdém, mas por me perceber infantil aos vinte anos. Acho que não vou perder certas coisas &#8211; e sei que não vou precisar lutar contra a maturidade. Certos problemas se encarregam de nos fazer crescer, não é mesmo?</p>
<p>E veja bem: ao passo que uma criança se maravilha com uma coisa nunca vista &#8211; um ornitorrinco, por exemplo -, nós, adultos, podemos nos maravilhar com os sentimentos nunca vistos. Sentimentos nunca sentidos! Se maravilhar ao ver o brilho nos olhos de quem amamos, só pra citar alguma coisa.</p>
<p>Procurar por sentimentos diferentes tem que ser igual a procurar por brinquedos diferentes. Dizem que a busca da felicidade é a própria felicidade em si. Eu digo que querer ser feliz é querer ser criança&#8230;</p>
<p>&#8230;de novo!</p>
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		<title>Meu avô, o violão e eu</title>
		<link>http://pelvini.com/2007/08/meu-avo-o-violao-e-eu/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Aug 2007 05:02:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Composições Escritas]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[memórias]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>
		<category><![CDATA[violão]]></category>

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		<description><![CDATA[Quero aprendar a tocar violão para que, um dia, honre a memória de meu avô. Ele nunca soube me ensinar e eu nunca quis realmente aprender. De fato é difícil explicar a falta que sinto de algo que nunca tive. &#8230; <a href="http://pelvini.com/2007/08/meu-avo-o-violao-e-eu/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quero aprendar a tocar violão para que, um dia, honre a memória de meu avô. Ele nunca soube me ensinar e eu nunca quis realmente aprender.</p>
<p>De fato é difícil explicar a falta que sinto de algo que nunca tive.</p>
<p>Acontece que eu mal posso esquecer o rosto orgulhosamente sábio dele, quando, sentados ao pé da escada, ele tentou me mostrar os acordes. E eu fingi prestar atenção, mas ignorei.</p>
<p>Vô, você nos arrastava ano após ano para a sua fiel e genuína crença nos três reis magos. Pelo que você contava, uma promessa a eles lhe salvara a vida. Indiretamente, você me fazia segurar a bandeira e, mesmo não falando, eu tinha um orgulho imenso ao vê-lo entre os outros senhores, cantando.</p>
<p>E tocando violão.</p>
<p>Talvez eu devesse ter parado tudo.</p>
<p>- Vejam, é meu avô! Parem para ouvi-lo.</p>
<p>Um dia, as pessoas realmente pararam, mas você não tocava o violão. Seu corpo, um dia tão saudável, dormia seu último e eterno sono.</p>
<p>Vô, desculpe demorar três anos para perceber que o senhor povoava nossas vidas. Desculpe não reconhecer cedo que o senhor ia me buscar, me levando até sua casa para eu brincar com meus primos.</p>
<p>Como pode? Eu sequer me lembro do que você dizia. Exceto o comentário afável de que eu tinha o cabelo liso, que você insistia em cortar. Você tinha um salão de barbeiro. E eu sequer fiquei sabendo o que aconteceu com suas ferramentas.</p>
<p>Sua partida dividiu a família em dois. Mas é só hoje que posso compreender, pelo menos um pouco, a fúria do meu pai. Só hoje posso perceber o porque do desespero fingido de minha tia. Só hoje, só hoje.</p>
<p>Vô, nós nunca fomos exatamente próximos. Mas foi você que me ensinou que ceder não significa ser necessariamente fraco.</p>
<p>Passei cerca de doze anos com a chance de te ligar e perguntar como o senhor estava. Nunca o fiz.</p>
<p>Em compensação, foi através de uma ligação que soubemos de tudo. E foi através dela que pegamos o primeiro ônibus pra São Paulo.</p>
<p>Entrando na ambulância, e você disse:</p>
<p>- Eu vou ficar bem, pessoal.</p>
<p>Como, caramba, como alguém pode ser tão forte com aquele monte de tubos e agulhas pelo corpo? Como?</p>
<p>Desculpa se não fui o neto mais próximo.</p>
<p>Prometo aprender violão e honrar a dignidade do seu nome e da sua crença.</p>
<p>Porque, quando perdemos pessoas, resta-nos apenas uma tentativa desesperadamente inútil de mante-las em nossa memória. Porque, quando falamos dessas coisas, só nos resta o julgamento alheio de pena e compaixão.</p>
<p>E nós não merecemos?</p>
<p>O senhor se foi e, como uma porção de outras coisas em minha vida, não tenho nem sequer uma foto para dizer que, um dia, meu sentimento existiu, ou existe, ou é verdadeiro.</p>
<p>Minahs lágrimas são reais, mas não têm significado. Elas traduzem uma saudade impossível de ser sentida.</p>
<p>Saudade até mesmo do último toque com suas mãos cruzadas, assustadoramente frias. Mãos que, anos atrás, tocaram nas cordas de um violão, no intuito de alcançar o coração egoísta de seu neto caçula, sentado no degrau da escada.</p>
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		<title>O Último Desejo</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2007 04:21:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Composições Escritas]]></category>
		<category><![CDATA[desejos]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>

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		<description><![CDATA[É que tenho essa amiga, pessoa boa e sensacional, do tipo que você se sente bem por estar perto. Ela é doce, gentil, um amor de pessoa. Formando-se em enfermagem, ela veio me contar uma dessas situações sem explicação a &#8230; <a href="http://pelvini.com/2007/04/o-ultimo-desejo/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É que tenho essa amiga, pessoa boa e sensacional, do tipo que você se sente bem por estar perto. Ela é doce, gentil, um amor de pessoa. Formando-se em enfermagem, ela veio me contar uma dessas situações sem explicação a qual nos deparamos durante a vida.</p>
<p>Karla veio me contar que, no domingo, em seu estágio no hospital, deparou-se com aquela senhora bem idosa, que já nem mais andava&#8230;</p>
<p><em>&#8220;&#8230;e ela me pediu com a voz meio piedosa &#8216;minha filha, você pode pentear meu cabelo?&#8217;. Aí percebi que ela tinha me reconhecido, porque ainda na semana passada fui eu quem havia penteado o cabelo dela depois do banho.</p>
<p>Acontece que eu estava com outro paciente, e não podia cuidar do cabelo dela. Então falei que iria terminar o que estava fazendo e que &#8216;claro, mas acho que a senhora vai tomar banho agora. Depois eu venho aqui pentear seu cabelo, ok?&#8217;.</p>
<p>Ela sorriu, Rafa, sabe, meio que concordando. Aí fui terminar o que estava fazendo, toda feliz que ela tinha me reconhecido e tal. Querendo ou não, a gente se sente agradada com esse tipo de coisa.</p>
<p>Aí, mais tarde, voltei pra pentear o cabelo dela. Mas então&#8230;&#8221;</em></p>
<p>Eu percebi o fim da história no momento que olhei no fundo dos olhos tristes de enfermeira. Mesmo percebendo, não podia acreditar. Fiquei horrorizado &#8211; não sei com o quê, mas fiquei horrorizado.</p>
<p>A senhora tinha morrido.</p>
<p><em>&#8220;Pode imaginar, Rafa? E aí eu fiz o que achei que devia fazer naquele momento&#8230; E eu tinha escolha?&#8221;</em></p>
<p>Se alguém estivesse lá, teria visto. Karla tinha as mãos no cabelo da senhora, penteando-o, realizando o último desejo dela&#8230;</p>
<p>Antes do fim.</p>
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