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	<title>Pelvini &#187; livros</title>
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	<description>a palavra é o principal desafio</description>
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		<title>Preso ao Ar</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 21:48:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios Deliberados]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Sinta isso: Um bebê está brincando tranquilamente com seu dinossauro de pelúcia, criatura verde do tamanho da cabeça dele; o bebê está feliz e rindo e todo cheio de fofura e inocência. Atrás dele há um guarda-roupa enorme, equilibrado em &#8230; <a href="http://pelvini.com/2010/02/preso-ao-ar/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sinta isso:</p>
<p>Um bebê está brincando tranquilamente com seu dinossauro de pelúcia, criatura verde do tamanho da cabeça dele; o bebê está feliz e rindo e todo cheio de fofura e inocência. Atrás dele há um guarda-roupa enorme, equilibrado em pés de madeira, que não resistem ao peso e se quebram. O móvel vai cair em cima da criança e ninguém pode salvá-la. Ele tomba, crescente peso e velocidade, a criança olha pra cima.</p>
<p>Pare.  Sentiu?</p>
<p>Então.</p>
<p>Hoje vendi cinco livros a um sebo. Não são livros importantes para mim, não mesmo, são de um estilo que eu não gosto e estavam encalhados aqui em casa sem ninguém para lê-los: desserviço. Alguém fará melhor proveito deles, tenho certeza. E eu não sei exatamente dizer como, mas há uma espécie de perda nisso, mesmo eu sabendo de que livros mais novos e necessários virão – mais parece que estou cortando as unhas.</p>
<p>Eu sei que não preciso saber quais são os sete hábitos das pessoas altamente eficazes ou quem são os vampiros da meia-noite, porque lista de atitudes corretas e histórias de terror eu as encontro em casa, muito obrigado. Ainda assim. Senti o guarda-roupa da criança suspenso sobre minha cabeça, enquanto eu, desprevenido, cortava a unha do dedão do pé; aí o dono do sebo disse o preço e eu falei “tudo bem”.</p>
<p>Agora estou aqui olhando o guarda-roupa estático no ar e a criança está olhando pra cima sem saber se vai ser esmagada e você está olhando pra mim sem saber se eu me arrependi da venda ou não.</p>
<p style="text-align: center;">* * *</p>
<p>Sentir pelo enlevo de sentir não é só um meio – é o meu propósito.</p>
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		<title>Percy Jackson e os Olimpianos &#8211; &quot;O Ladrão de Raios&quot;</title>
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		<pubDate>Thu, 28 May 2009 17:59:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Numa visita ao principal museu de Nova York, o jovem Percy Jackson &#8211; garoto disléxico e hiperativo, órfão de pai, expulso de seis escolas e com problemas de se socializar &#8211; presencia sua própria professora criar asas, transformar-se numa espécie &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/05/percy-jackson-e-os-olimpianos-o-ladrao-de-raios/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa visita ao principal museu de Nova York, o jovem <strong>Percy Jackson</strong> &#8211; garoto disléxico e hiperativo, órfão de pai, expulso de seis escolas e com problemas de se socializar &#8211; presencia sua própria professora criar asas, transformar-se numa espécie de morcegão e atacá-lo. Por muito pouco, nosso herói Percy não escapa dessa: e é aqui que ele começa a descobrir toda a verdade sobre sua vida. Primeiro: não, ele não é disléxico, apenas tem como línguas maternas o grego e o latim. Segundo: não, ele não é órfão, ele é filho do Deus Poseidon com uma humana, sua mãe. Terceiro: roubaram um raio de Zeus, o rei do Olimpo, e Percy precisa recuperá-lo &#8211; antes que saia como culpado. </p>
<p><img class="alignleft" title="O Ladrão de Raios" src="http://www.ambrosia.com.br/wp-content/uploads/2009/01/o-ladrao-de-raios.jpg" alt="" width="333" height="500" />Contextualizando a Mitologia Grega e trazendo o Olimpo para os Estados Unidos, o autor <strong>Rick Riordan </strong>criou a série Percy Jackson e os Olimpianos, cujo primeiro livro foi lançado no final do ano passado. <strong>&#8220;O Ladrão de Raios&#8221;</strong>, primeiro de cinco livros, tem o parágrafo acima como proposta e já ganhou uma série de prêmios, sendo considerável livro notável de 2005 pelo The New York Times. Nos Estados Unidos, Riordan vem lançando um livro por ano &#8211; &#8220;O Mar dos Monstros&#8221;, &#8220;A Maldição dos Titãs&#8221;, &#8220;A Batalha do Labirinto&#8221; e &#8220;O Último Olimpiano&#8221; &#8211; e alcançando um sucesso razoável, a ponto de já serem chamados, autor e obra, como os sucessores de J.K. Rowling e seu Harry Potter.</p>
<p>As semelhanças estão lá, claro; mas ao focar suas atenções em apenas um filão &#8211; a Mitologia Grega &#8211; a série acaba por se tornar prazerosa por conseguir explorá-lo com profundidade e inventar as situações mais incríveis: trazendo os Deuses e criaturas mitológicas para os dias de hoje, surgem alegorias divertidas e introdutórias para quem não conhece, ou conhece pouco, o mundo dos mitos gregos.</p>
<p>E esse é o maior trunfo da série: ao mesmo tempo que apresenta deuses e criaturas aos leigos, também se torna divertido ao ser devidamente fiel à mitologia e adaptá-la aos moldes de hoje. Quem conhece um pouco do assunto, vai se surpreender ao perceber quem é o deus viciado em Coca-Cola e apelidado de Senhor D., que as asas nos pés de Hermes são um par de All-Stars voadores e que&#8230; Enfim. Sem maiores spoilers. Vale dizer, no entanto, que a história dos semideuses é bem comum em mitologia. Vide o famoso Hércules, o destruidor de minotauros Teseu ou &#8211; é claro &#8211; o próprio Perseu que batalhou com Medusa.</p>
<p> * * *</p>
<p>Uma das boas memórias que tenho da minha infância remonta uma conversa, hoje vaga, que tive com meu pai. Grande responsável por parte das coisas que gosto hoje &#8211; termos como &#8220;jedi&#8221;, &#8220;Led Zeppelin&#8221;, &#8220;Sandra Dee&#8221; e &#8220;Match 5&#8243; eram comuns pra mim antes de fazer dez anos &#8211; Pops passou uns minutos me falando sobre Hércules. A gente acordava cedo, nos domingos, pra assistir a antiga série no SBT, e também assistíamos Xena (que também bebia da fonte mitológica). Não à toa, sempre fui fã do anime &#8220;Cavaleiros do Zodíaco&#8221;.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 192px"><img title="Argol de Perseu" src="http://br.geocities.com/suicune100/Argol_de_Perseu.jpg" alt="" width="182" height="351" /><p class="wp-caption-text">Argol de Perseu</p></div>
<p>Eu me lembro, até hoje, de uma cena antológica da série: a caminho do santuário, os cavaleiros de Athena são interceptados por Shina, Spartan e por nada menos que Argol, de <strong>Perseu</strong>. Este aqui tinha um escudo com a cara de Medusa esculpida &#8211; e, como na mitologia, quem olhasse para ela, se transformava em pedra. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=NEefOWWS4qY">Perseu também é visto no game &#8220;God of War II&#8221;</a> (série impecável, outro prato cheio pra quem gosta de mitologia grega), e, assim como o personagem do anime zodiacal, também usava um escudo. Ainda que em &#8220;God of War II&#8221; Kratos ande com a cabeça de Medusa pra lá e pra cá, ambos servem de exemplo para mostrar que inspirar-se na mitologia grega não é tão raro nem tão difícil.</p>
<p>O que torna Percy Jackson e os Olimpianos uma experiência divertida de leitura, então? Bom, jornadas de heróis são sempre atraentes, sobretudo quando eles estão claramente despreparados para o que está por vir e são incumbidos de uma tarefa cujo objetivo tem a ver com sua vida &#8211; precisando, então, do máximo de ajuda que poderão encontrar, seja de companheiros ou de artefatos mágicos. A fórmula já é batida de tão usada, mas causa identificação com o heroi e sua necessidade de provar sua coragem e seu valor.</p>
<p>* * *</p>
<p>Em &#8220;O Ladrão de Raios&#8221;, vemos essa jornada. O hiperativo Percy, uma analogia direta ao Perseu da mitologia, órfão, pobre, vê a mãe sofrer, não tem muitos amigos e, mesmo quando descobre que é herdeiro do trono dos mares, as coisas não melhoram. Após ser acusado do roubo do raio de Zeus, Percy se junta à Annabeth (filha de Atena &#8211; única liberdade criativa de Riordan, visto que Atena, na mitologia, nunca teve filhos) e ao cômico Grove para recuperar sua inocência e provar-se capaz de ostentar o título de semideus.</p>
<p>A escrita de Riordan é simples, direta e bem humorada. Muito corrida em alguns momentos, mas extremamente prazerosa &#8211; lembrando que é um livro infanto-juvenil &#8211; Riordan conquista por ir sempre direto à ação e ser muito eficiente nisso. Por vezes episódico demais, dá a impressão que estamos pulando de uma aventura pra outra sem qualquer relação com a história em si, dando uma certa impressão de gratuidade de cena (de fato, chega ser um tanto quanto deselegante um certo recurso que o autor usa apenas para acelerar o tempo e causar uma corrida contra ele).</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 266px"><img title="Rick Riordan" src="http://www.tracievaughnzimmer.com/lighteningthief_files/image004.jpg" alt="Rick Riordan, o autor" width="256" height="375" /><p class="wp-caption-text">Rick Riordan, o autor</p></div>
<p>O resultado? Apaixonado por (boa) literatura juvenil que sou, exclamei um &#8220;Não!&#8221; no momento que virei a última página do livro. Confesso que há muito tempo não era tão conquistado por um livro jovem como esse o fez; o que não é pouco. Desde que Harry Potter, em literatura, acabou, passei a procurar algo que &#8220;preenchesse&#8221; o vazio que ficou (isso, sempre, é impossível). De &#8220;Artemis Fowl&#8221; à &#8220;Túneis&#8221;, nada pareceu agradar realmente.</p>
<p>Talvez pela identificação Percy Jackson/Harry Potter &#8211; ambos garotos aparentemente problemáticos, colocados num mundo totalmente novo, que precisam provar que são dignos da palavra herói &#8211; &#8220;O Ladrão de Raios&#8221; conquiste tão facilmente o público a quem é direcionado. E com o plus de ensinar alguma coisa sobre deuses gregos, história antiga e, por que não, sobre o próprio Estados Unidos. Afinal de contas, o novo Olimpo fica no topo do Empire State&#8230;</p>
<p>* * *</p>
<p>&#8220;O Ladrão de Raios&#8221; <a href="http://www.imdb.com/title/tt0814255/">já tem sua adaptação aos cinemas garantida</a>, dirigida por <strong>Chris Columbus</strong> (de &#8220;Harry Potter e a Pedra Filosofal&#8221;, &#8220;Câmara Secreta&#8221; e produtor de &#8220;Prisioneiro de Azkaban&#8221;). O elenco promete: Rosario Dawson será Perséfone, Uma Thurman fará a Medusa, Steve Coogan (do recente Uma Noite no Museu, produzido por Columbus) será Hades e Pierce Brosnan fará o mentor de Percy Jackson, interpretado pelo aparentemente simpático Logan Lerman.</p>
<p>O livro é ótimo, mas antecipo um filme apenas razoável: sempre didático, Chris Columbus permite adaptações corretas demais, que conferem uma experiência exatamente igual à do livro. Estou falando do cara que fez os natalinos <a href="http://www.imdb.com/title/tt0099785/">&#8220;Esqueceram de Mim&#8221;</a>, eu sei &#8211; Columbus é bem capaz de criar pérolas infantis bacanas, mas se mostra incapaz de elevar a obra literária para uma excelente experiência visual.</p>
<p>Não vou ficar de blá-blá-blá sobre livro-melhor-que-filme, mas recomendo com forças a leitura de &#8220;O Ladrão de Raios&#8221;, lançado aqui no ano passado <a href="http://www.intrinseca.com.br/catalogo_ficha.php?livrosID=40">por um preço relativamente baixo</a>. &#8220;O Mar dos Mortos&#8221; saiu ainda este mês, e a editora <a href="http://www.intrinseca.com.br/">Intrínseca</a> promete o próximo volume da série ainda para outubro. O filme de &#8220;O Ladrão de Raios&#8221; tem previsão de estreia para fevereiro do ano que vem. <a href="http://www.percyjacksonbooks.com/">Aqui você vê o site oficial da série.</a></p>
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		<title>Anjos e Demônios, de Ron Howard</title>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 03:42:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A primeira vez que passei a refletir sobre como um roteiro nos prende à cadeira foi no final da terceira temporada da série 24 Horas, no início de 2005. Dentre outras coisas, o personagem de Kiefer Sutherland, Jack Bauer (uma &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/05/anjos-e-demonios-de-ron-howard/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A primeira vez que passei a refletir sobre como um roteiro nos prende à cadeira foi no final da terceira temporada da série <em>24 Horas</em>, no início de 2005. Dentre outras coisas, o personagem de Kiefer Sutherland, Jack Bauer (uma mistura de MacGyver com Chuck Norris), já tinha arrancado a cabeça de um suspeito com uma serra, se viciou em heroína para manter um disfarce e decepou a mão de um companheiro, tudo isso enquanto impedia bombas nucleares de explodirem ou barrava vírus bem piores que o da gripe suína. O absurdo sempre claro, mas funcional. Logo, quem assiste <em>24 Horas</em>, que chegou firme até sua oitava temporada, assistia por ter como garantia uma história repleta de reviravoltas, traidores, prezando por uma edição e trilha sonora excelentes, propondo diversão instântanea, mas passageira.</p>
<p><img class="alignleft" title="Anjos e Demônios" src="http://img.photobucket.com/albums/v190/rockdude/tmpphply4qmn.jpg" alt="" width="382" height="566" />A história é repleta de reviravoltas, traidores, preza por uma edição e trilha sonora excelentes, propondo diversão instântanea, mas passageira&#8230; Com algumas ressalvas, tal período resume bem a experiência proposta neste &#8220;<strong>Anjos e Demônios&#8221;</strong>, adaptação do livro homônimo escrito por Dan Brown, o cara que quebra todas as cenas no meio para causar frenesi no virar de páginas &#8211; o que é pouco atraente, mas, ainda assim, é um meio de causar suspense e atrair leitores. A proposta de uma história eufórica e agitada pode até funcionar na televisão e nos livros, já que contam com maior longevidade, mas as coisas ficam um pouco mais complicadas quando transferidas para tela grande. Afinal de contas, filmes duram apenas cerca de duas horas, e as regras de julgamento são outras: acerta-se de cara ou cai-se água abaixo. </p>
<p><strong>&#8220;Anjos e Demônios&#8221;</strong>, o filme, fica bem no meio dos dois termos. O plot causa a mesma curiosidade que o do livro, após a morte do Papa, uma seita secreta intitulada Illuminatti, inimiga da igreja, ressurge para tentar explodir o Vaticano em mais de 503 milhões de pedacinhos. Para isso, membros da seita roubam um experimento com anti-matéria feito por cientistas italianos. A anti-matéria, se manipulada erroneamente, poderia causar a explosão buscada pela seita. Em meio a isso, conhecemos como funciona e quais as implicações burocráticas para que o novo Papa seja eleito. Logo, a julgar por erros e filmes anteriores, era de se esperar que <strong>Ron Howard</strong> não só fizesse um bom filme de ação &#8211; como se mostrou capaz &#8211; mas que ao menos proposse uma discussão mais profunda sobre o tema do livro.</p>
<p>Continuação de<em> O Código da Vinci</em> (apenas no cinema, em literatura a ordem é inversa), Anjos e Demônios é superficial ao discutir a relação/disputa entre religião e ciência. Infelizmente, a preocupação com a ação é tão exacerbada que prejudica até mesmo o desenvolvimento dos personagens. Mesmo que o sempre ótimo <strong>Tom Hanks</strong>, com toda sua presença de cena, confira inteligência ao simbologista Robert Langdon, ele é mais visto correndo pra lá e pra cá do que falando &#8211; e quando o faz, é pra nos guiar na trama, excessivamente explicativa (chega a ser ridículo, por exemplo, uma cena em que dois personagens falam coisas que, pra eles, são óbvias e, por verossimilhança, não deveriam ser tão didaticamente expostas). A aceitação da fé por Langdon, um bom filão, é discutida de leve em diálogos promissores, mas logo esquecidos. E, quando a cientista Vittoria Vetra diz que a ciência produziu a partícula de Deus, achei que iríamos adiante com alguma polêmica &#8211; mas a frase é censurada por outro personagem e acabamos por ali. Não obstante, um dos personagens da trama faz um discurso para vários cardeais, dizendo, em outras palavras, que ciência e religião devem conciliar-se e andar de mãos dadas. Como se não bastasse, todo mundo acena, em concórdia, com a cabeça &#8211; até mesmo quem está assistindo. Sei.</p>
<p>Como se não bastasse a abordagem rasa da direção nos personagens, a atriz Ayelet Zurer está tão desengraçada e automática que por muito pouco sua participação não se torna dispensável. Em contrapartida, <strong>Ewan Mcgregor</strong> se mostra simpático e benevolente &#8211; com seus belos olhos claros sempre arregalados -, surpreendentemente confiante no papel de um membro do clero que pilota helicópteros. Infelizmente, ao invés de trabalhar em cima de seus atores e personagens, o diretor Ron Howard, não querendo repetir os erros de seu filme antecessor, investiu pesado no que ficou faltando em <em>O Código da Vinci</em>: ação e emoção. O problema, aqui, é o exagero da dose. A reflexão que o filme poderia trazer está lá, prontinha, mas nunca é problematizada. Felizmente, o filme goza de uma edição ágil e inteligente e da emocionante trilha sonora que, unida às imagens magníficas da cidade do Vaticano, tornam a experiência menos descartável. E há de se comentar a corrida contra o tempo sempre lembrada através do relógio que surge na tela a todo momento.</p>
<p>Mas, cá pra nós. Se eu quisesse ver um filme apenas de ação, teria comprado ingressos pra <em>X-Men Origins: Wonverine</em>. Ou não: se soubesse que seria um filme de ação com relógio na tela, trocava a poltrona pelo sofá. Com as temporadas de <em>24 Horas </em>que tenho em casa, tenho ação gratuita &#8211; e de graça. Assim não precisaria me deslocar até o cinema pra tirar a mesma conclusão que tirei ao pisar fora da sala: &#8220;ruim, mas nada entendiante&#8221;. Ao passo que <em>24 Horas</em> se torna perene por desde sempre se propor inverossímil e, de alguma forma, fazer refletir, &#8220;<strong>Anjos e Demônios&#8221;</strong> e sua suposta veracidade não passam de uma experiência insossa e facilmente deixada pra trás&#8230;</p>
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		<title>Tudo o que é Sólido Pode Derreter</title>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2009 15:24:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Das séries brasileiras que assisti, as favoritas vêm da TV Cultura: desde a saudosa Confissões de Adolescente, passando pela inventiva Mundo da Lua e pela anônima Galera (que trazia no elenco um crescido Rafael Baroni, o rapazinho amigo do X, &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/05/tudo-o-que-e-solido-pode-derreter/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Das séries brasileiras que assisti, as favoritas vêm da TV Cultura: desde a saudosa <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4apKsUyVhCg">Confissões de Adolescente</a></em>, passando pela inventiva <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=PmjgSGEN_iQ">Mundo da Lua</a></em> e pela anônima <em><a href="http://www2.tvcultura.com.br/galera/index.htm">Galera</a></em> (que trazia no elenco um crescido <a href="http://lh3.ggpht.com/_kB_0mev06CU/SdFZ_pWrGxI/AAAAAAAAAd0/rXVzPz1YXVY/s1600/xtudo3_1218312673%5B10%5D.jpg">Rafael Baroni</a>, o rapazinho amigo do X, do X-tudo). Obviamente, a maioria delas tem apelo juvenil &#8211; que falavam muito à minha idade, com excessão de <em>Confissões</em>, que via quando era pequeno demais para entender completamente -, prezando por algo que muita novela e minissérie ainda sofre pra alcançar: naturalidade.</p>
<p>Longe de serem obras primas em termos técnicos &#8211; e só técnicos, pois tenho certeza que muita gente, principalmente quem foi criança nos anos 90, guarda o <em>Mundo da Lua</em> como uma das coisas mais perfeitas da infância &#8211; e com ressalvas que podem ser faladas em outra ocasião, as séries da TV Cultura ao menos discursam sobre assuntos pertinentes e justificáveis: crônicas sobre ser jovem, histórias sobre imaginação infantil ou registros das turmas e panelinhas nas escolas. E a nova empreitada juvenil do canal trata de um assunto tão pertinente quanto os anteriores: livros.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 450px"><img title="Tudo o que é Sólido Pode Derreter" src="http://www.tvcultura.com.br/cms/midia/image/big/ep1_1_1239306755.jpg" alt="" width="440" height="293" /><p class="wp-caption-text">&quot;Deve haver pra tudo isso alguma explicação...&quot;</p></div>
<p><strong>Tudo o que é Sólido Pode Derreter</strong> é o nome da série que a TV Cultura tem transmitido nos finais de semana. A protagonista da vez atende pelo nome de Thereza, uma garota confusa de quinze anos. Peculiar, inteligente e muito leitora, Thereza tem mania de trazer todos os livros que a escola manda ler para sua própria vida: com o <em>Auto da Barca do Inferno</em>, de Gil Vicente, ela faz um verdadeiro escrutínio dos personagens que a rodeiam; <em>Sermões</em>, de Padre Antônio Vieira, vira um episódio sobre as broncas que damos e levamos na vida, e a obra <em>Os Lusíadas</em>, de Camões, faz com que Thereza viva uma verdadeira epopéia em busca de sua identidade. Intertextualidade pouca é bobagem.</p>
<p>A série estreeou em abril deste ano, mas a história de <strong>Tudo o que é Sólido Pode Derreter</strong> começa lá atrás, em 2005, com um excelente curta metragem (<a href="http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=3437">disponível no Porta Curtas neste link</a>). Dirigido por Rafael Gomes &#8211; um dos diretores do famoso <a href="http://www.youtube.com/watch?v=6rMloiFmSbw">Tapa na Pantera</a>, estrelado pela ótima e caricata Maria Alice Vergueiro &#8211; <em>Tudo o que é Sólido pode Derreter</em>, o filme, fala de um momento particular de Débora, uma menina que está estudando o emblemático Hamlet, de Shakespeare. Débora acabou de perder o tio, a amiga imaginária e a própria inocência: e partindo de Hamlet, a garota entra em reflexão sobre sua adolescência.</p>
<p>Na televisão, Débora virou Thereza, e o clássico europeu foi substituido por obras primas brasileiras, uma por episódio. A característica da direção de Rafael Gomes &#8211; extrair uma verdade delicada da atuação dos atores &#8211; se esbanja em ambos, curta metragem e série para televisão. No entanto, como a série é episódica e consequentemente mais longa, o trabalho de Gomes, introspectivo e despido de compromissos críticos, pode ser (re)visto. O roteiro também é assinado pelo Rafael, junto de Esmir Filho, seu amigo e companheiro de outros trabalhos. A abordagem dos livros é leve e convidativa e, se você já leu algumas das obras trabalhadas, vai perceber a sensibilidade de cara: no episódio de <em>Os Lusíadas</em>, por exemplo, um dos obstáculos da aventura de Thereza é um segurança de quase dois metros de altura, um gigantão. Seu nome? Oras, Adamastor!</p>
<p>Essa contextualização é uma das marcas da série. Longe de ser ofensiva &#8211; e imediatamente de valor didático imenso &#8211; essa genialidade da dupla de roteiristas é vista em vários momentos: em determinado episódio, um exilado Guimarães Rosa adiciona Thereza &#8211; isso, no messenger! &#8211; pra conversar com ela sobre mudar de país e mudar de si própria, ao passo que o <em>Auto da Barca do Inferno</em> é transfigurado em um talk show em que a garota vai determinando, à própria maneira, quem merece ir com o Anjo e quem merece ir com o Diabo (interpretado por, surpresa!, Maria Alice Vergueiro), dentre outras alegorias e metáforas cuidadosamente selecionadas.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 450px"><img title="Marcos e Thereza" src="http://www.tvcultura.com.br/cms/midia/image/big/ep1_thereza_marcos_1239306770.jpg" alt="" width="440" height="293" /><p class="wp-caption-text">Marcos e a protagonista Thereza</p></div>
<p>O elenco é liderado pela belíssima Mayara Constantino &#8211; que inclusive interpretou a Débora do curta &#8211; é sempre tomado de leveza e da naturalidade já comentada. Mayara, no entanto, se destaca ao entregar sorrisos quase etéreos mas sempre muito vivos; e os garotos principais da série, Marcos e João Felipe (Victor Mendes e Bryan Ruffo respectivamente) investem na própria simpatia, entrando como a balança necessária para o desenvolvimento do lado afetivo de Thereza. E mesmo que Dalila, a pseudo-vilã da série, não tenha nada de vilanesca, já que a atriz Wendy Bassi está muito simpática pra isso, a melhor amiga de Thereza &#8211; a grandalhona Letícia de Dália Kochen &#8211; confere importância à personagem só pelo seu próprio fenótipo, já que atriz é igualmente grandalhona. E há ainda o tio falecido de Thereza, estrela-guia da menina, que aparece na mente dela em diversos momentos, sempre com a debochada sabedoria esbanjada pelo ator Luciano Chirolli.</p>
<p>Bom, mas o crédito da série vai mesmo pra dupla <a href="http://rafaelgomes.blogspot.com/">Rafael Gomes</a> e Esmir Filho, que fizeram bonito não só em direção e roteiro, mas também em edição. Aliás, Filho é diretor de um curta premiado em Cannes e <a href="http://outeabout.wordpress.com/2009/05/04/alguma-coisa-assim/">comentado pelo Dimas no Out &amp; About, o belo e singelo Alguma Coisa Assim</a>; ao passo que Rafael Gomes é, também, idealizador do <a href="http://www.musicadebolso.com.br">Música de Bolso</a>, uma espécie de <a href="http://www.blogotheque.net/">La Blogotheque</a> brasileiro, com performances no mínimo inusitadas de artistas como Fernanda Takai, Móveis Colonais de Acajú, Thalma de Freitas, Marcelo Camelo e, como não se pode esquecer, Érika Machado. A moça, uma voz meio bossa nova em roupagem pop, canta a divertida música de abertura da série, <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ThJpx9fLD_E">As Coisas</a></em>, numa letra nonsense, mas carregada de significado (de fato, o disco da Érika vale um post à parte, que já estou providenciando).</p>
<p>O objetivo e o resultado são louváveis, ainda que a série suscite as acusações de &#8220;maniqueísta&#8221; e &#8220;cópia irreal da classe-média&#8221;. Interessante que o próprio Esmir Filho já passou por esse tipo de crítica e, como bem me disse o Dimas, é absurdo julgar toda uma carreira partindo de só um trabalho. E, em defesa da série, digo que características como o maniqueísmo são justificados quando refletem a obra trabalhada; logo é de se esperar que &#8220;bem&#8221; e &#8220;mal&#8221; estejam muito demarcados no episódio de Gil Vicente, por exemplo. Quanto a exigência de uma crítica à situação escolar ou ao nível de realidade ali visto, bom, convenhamos: a proposta da série é falar sobre literatura, e não censurar ou criticar uma situação recorrente.</p>
<p><a href="http://www.tvcultura.com.br/tudooqueesolido/index.php">O site oficial</a> de <em>Tudo o que é Sólido pode Derreter</em> não só tem mais informações sobre a série como disponibiliza os episódios para quem quiser assistir só pela internet ou perdeu a exibição televisionada. Outros recursos tornam a experiência mais divertida, como o blog da Thereza, um making of e, de quebra, uma lista dos livros utilizados na série com resumo e link para o <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/">Domínio Público</a>. Assim, acompanhar pelo site se torna ainda mais atraente que ver pela televisão &#8211; e a Cultura está esperta nisso, ainda mais que <a href="http://www.youtube.com/view_play_list?p=AC4D8AC4AA85E0E9&amp;search_query=tudo o que é sólido">o primeiro episódio da série vazou no Youtube muito tempo antes da estreia</a>. De qualquer forma, <em>Tudo o que é Sólido pode Derreter</em> vai ao ar na TV Cultura, às 19 horas e trinta minutos de toda sexta-feira, sendo reprisada aos domingos, às 20 horas.</p>
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		<title>Eu, Lia</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2009 12:59:01 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O argumento estava pronto no nome da menina que eu, surpreso, via na tela do computador da empresa. Sim, porque meu primeiro contato com Lia foi absolutamente semântico: abri a tela e estava lá, Lia Fernandes. Deliciosamente inconformado, sorri e disse pra mim mesmo que &#8220;lia Lia Fernandes&#8221;. Lia Lia. Só isso já foi o bastante para gostar da moça; mas houve mais.</p>
<p>Deve ser joia se chamar verbo, continuei pensando, sobretudo um dos meus verbos favoritos, ler, num dos meus tempos verbais favoritos, o pretérito (soa tão bonito). Porém, aqui, observe que &#8220;Lia&#8221; dá uma impressão de continuidade, de promessa, de nostalgia. <em>&#8220;Aos 12 anos, lia Pedro Bandeira&#8221;</em> e <em>&#8220;Clarice Lispector? Eu lia muito, hein?&#8221;</em> ou <em>&#8220;Bons tempos, quando lia sobre o amor sem pretensões!&#8221;</em>. É uma sorte grande carregar uma porção de significados incomuns e legais no próprio nome; onde será que os pais de Lia leram Lia?</p>
<p>Quando conheci Lia Fernandes corpórea, lá na empresa mesmo, descobri outras coisas legais: a voz dela é suave como leite morno, ela ri com uma contida rouquidão feminina, gosta de jogo da velha e de palavras cruzadas da Coquetel. Pra completar, Lia sempre levava um livro pra ler nos intervalos do serviço. E, quer saber? Lia lia livros legais! Poder falar essa frase, num pretérito imperfeito mais que perfeito, se tornou uma alegria pessoal: <a href="http://pelvini.com/2009/01/20/lia-lia/">se tornou poema</a>.</p>
<p>Uma vez, Lia tomou chuva. Almoçávamos e Lia saiu apressada para resolver uma cotidianidade. Era um dia de sol forte e eu não sei de onde a água veio. Quando saímos pra calçada, Lia descia pelo outro lado da rua, com a expressão bonita de menina moça e a água pendendo em sua pele como o orvalho faz suspense numa folha. Gritamos &#8220;Lia!&#8221; e Lia veio, não indiferente à chuva, mas fazendo parte dela. Lia chegava como as implacáveis águas do verão, com a beleza de uma chuva repentina. Aí o sol nos iluminou e as gotas na pele de Lia eram só arco-íris e, por isso, não aguentei:</p>
<p><em>&#8220;Lia, com todo o respeito, você está linda&#8221;</em> (além de ter nome de verbo bacana, com <em>N</em> e <em>D </em>ela virava adjetivo bonito!, comemorei em silêncio).</p>
<p>Eu queria dizer como era fantástico alguém trazer pra perto da gente um milésimo tão literal e precioso de um prisma de cor, mas sei que isso soa melhor escrito que falado, e eu não queria ter a sorte de ser mal interpretado. Ninguém zombou de Lia por ser a única a estar molhada e não tinha como fazer isso mesmo. Lia era só beleza, agradecimento, e cor.</p>
<p>Como todos sabem, e eu me incluo nessa, viver é se despedir. No dia que decidi virar notívago, sabia que estava me relegando de Lia. E foi assim: enquanto ela dormia, eu estava acordado, nos privando de jogos da velha virtuais e imaginários, de conversas curtas e bobinhas&#8230; Ainda que, sempre, me bastava saber que continuávamos a frequentar o mesmo local diariamente. É, era mesmo bom saber que Lia continuava ali.</p>
<p>Semanas depois, o recado: <em>&#8220;Você sabe o quanto te adoro, né? Conversamos mais tarde. P.S.: não trabalhamos mais no mesmo lugar&#8221;</em>; era nossa despedida. Lia ia.</p>
<p>Embora não a tenha visto pra trocar o adeus por um abraço, meu coração ficou agraciado. Lia tinha se lembrado de um menino bobo que se apaixona por substantivos que são verbos e que, na maioria das vezes, gosta de todo mundo gratuitamente. Lia havia se lembrado de mim. E, aliás, o quadro onde ela escreveu sua despedida está bem guardado aqui em casa &#8211; um presente direto do recém passado.</p>
<p>E foi assim com Lia. Tem vezes que perdemos pessoas e as largamos de vez, mas em outras perdemos pessoas para ganhá-las de uma vez por todas. Lia é um desses casos. E, Lia, como você bem sabe, a distância e o silêncio infelizmente virão, e estes são tão implacáveis quanto sua graça sob a chuva e o sol. Nós vamos lidar com isso quando for a hora. Eu acho.</p>
<p>E, ah, ninguém mais tira de mim a associação imediata entre uma das coisas mais legais de se fazer no mundo &#8211; ler &#8211; e uma das pessoas mais incríveis que conheci na vida &#8211; Lia. Porque a gente pode não se ver nunca mais, mas ler livros legais é uma coisa que acontece sempre. Paradoxalmente, isso não me deixa longe de Lia, oras: isso ninguém me tira. Por isso, o título desse texto tem um sentido múltiplo, tem um sentido para hoje e para daqui cem verões.</p>
<p>Porque eu, pra sempre, Lia.</p>
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		<title>Hábitos de Leitor</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 06:45:08 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A ideia para este post é antiga e está proliferando por vários blogs já faz um tempinho. Vi no Livros e Afins, no Lendo.org e no Cadê o Revisor? &#8211; a garota das Laranjinhas também listou os seus. E muito mais gente &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/04/habitos-de-leitor/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ideia para este post é antiga e está proliferando por vários blogs já faz um tempinho. Vi no <a href="http://livroseafins.com/2009/02/11/meus-habitos-de-leitor/">Livros e Afins</a>, no <a href="http://www.lendo.org/meus-habitos-de-leitor/">Lendo.org</a> e no <a href="http://cadeorevisor.wordpress.com/2009/03/26/meus-habitos-de-leitor/">Cadê o Revisor?</a> &#8211; <a href="http://laranjinhas.wordpress.com/2009/03/24/habitos-de-leitora/">a garota das Laranjinhas também listou os seus</a>. <a href="http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&amp;q=h%C3%A1bitos+de+leitor&amp;meta=&amp;aq=f&amp;oq=">E muito mais gente fez a tal da lista também</a> &#8211; criou-se um meme! Bom, eu levei algum tempinho para coletar os meus hábitos de leitura, mas, sem outras demoras, aqui vão eles:</p>
<p><strong>1.</strong> Quando estou sozinho gosto de ler em voz alta e fazer vozes para o personagem.<br />
 <br />
<strong>2.</strong> Tenho interesse por livros infantis, gosto de ver as ilustrações e admirar as grandes criatividades escondidas nas palavras simples.<br />
 <br />
<strong>3.</strong> Em ocasiões especiais, sempre prefiro dar livros para as pessoas. Tento fazer um diferencial bem bacana na dedicatória.<br />
 <br />
<strong>4.</strong> Quando tiro conclusões antecipadas sobre o enredo ou se adivinho o que vai acontecer, fico feliz e falo em voz alta. Isso já me causou alguns micos em lugares como ônibus e metrô.<br />
 <br />
<strong>5.</strong> Aliás, quando estou em pé no metrô ou no ônibus, paro perto de uma pessoa sentada lendo, só pra dar uma pescoçada na página que está aberta. Tento fazer disfarçadamente pra não parecer a Bibbi Boken.<br />
 <br />
<strong>6.</strong> É, gosto de ler no transporte público e nunca senti vertigens ou tonturas ao fazer isso.<br />
 <br />
<strong>7.</strong> Empresto livros com certa facilidade &#8211; inclusive os autografados &#8211; e, a não ser que seja pra alguém que confie muito, me arrependo amargamente em seguida. <br />
 <br />
<strong>8.</strong> Livrarias são incríveis, mas se vou só pra olhar, fico muito angustiado. Pego e devolvo livros de volta para seus lugares e demoro umas duas horas até escolher alguma coisa.<br />
 <br />
<strong>9.</strong> Gosto de ler ouvindo música instrumental ou, dependendo do livro, um bom post-rock. Mas prefiro ler no silêncio, ou ao ar livre.<br />
 <br />
<strong>10.</strong> Acho que livro com folhas brancas são mais cansativos pra ler (mas ainda assim, leio).<br />
 <br />
<strong>11.</strong> Gosto de sair com meu cachorro e ficar lendo sentado na muretinha do meu condomínio enquanto o Fox fica deitado na grama.<br />
 <br />
<strong>12.</strong> Às vezes leio um livro e acho realmente incrível, mas por algum motivo não consigo continuar. Com um leve desconforto, desisto e deixo encostado até achar que estou maduro o suficiente pra terminar a leitura.<br />
 <br />
<strong>13.</strong> Quero publicar um livro.<br />
 <br />
<strong>14.</strong> Gosto de comprar jornais pra ler em frente de casa, me lembra muito meu avô.<br />
 <br />
<strong>15.</strong> Já li autoajuda, para não ter mais vontade de fazer de novo. Já li Paulo Coelho e estou muito bem sem fazer isso de novo.<br />
 <br />
<strong>16.</strong> Gosto de cheiro de livro novo.<br />
 <br />
<strong>17.</strong> Tenho medo de ficar preso a um livro pra sempre (Bastian, eu?). Vou explicar: às vezes fico tão imerso na história que estou lendo, que de repente paro e fico mesmo assustado. Respiro fundo (o coração, juro, bate mais rápido) e olho em volta pra retomar a realidade. É xiita, eu sei, mas é sério.<br />
 <br />
<strong>18.</strong> Choro facilmente lendo livros. Ah, choro facilmente com qualquer coisa.<br />
 <br />
<strong>19.</strong> Gosto de procurar quem revisou/traduziu e, de quebra, ler a &#8220;Catalogação-na-fonte&#8221;. É interessante ver em que tema o livro foi classificado.<br />
 <br />
<strong>20.</strong> Eu tenho o autógrafo &#8211; aliás, dois &#8211; do meu escritor favorito e viajei cerca de quinhentos quilômetros para consegui-los.<br />
 <br />
<strong>21.</strong> Quero ter uma sala de leitura em casa: um quarto abarrotado de livros com uns pufes e uns tapetes legais no chão.<br />
 <br />
<strong>22.</strong> De vez em quando, fico imaginando jeitos mirabolantes pra ler este ou aquele livro para o filho que um dia vou ter.<br />
 <br />
<strong>23.</strong> Não gosto que meus livros tenham orelhas.<br />
 <br />
<strong>24.</strong> Me preocupo em não abrir o livro completamente para não estragar. Logo, sempre leio com o livro aberto em forma de &#8220;L&#8221;.<br />
 <br />
<strong>25.</strong> Sou apaixonado por livros desde criança. Pedia para o meu pai me levar às livrarias e ficava no quarto lendo até que minha mãe me desse bronca pra ir brincar com as outras crianças.<br />
 <br />
<strong>26.</strong> Sempre presenteio meus pais com livros em seus aniversários.<br />
 <br />
<strong>27.</strong> Sou apaixonado por bibliotecas. Às vezes prefiro ficar ali que em companhia de pessoas (viu como sou antissocial?).</p>
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		<title>A Onomatopeia do Sorriso</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Mar 2009 10:13:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entra no elevador. &#8220;E se tudo fosse feito de livros?&#8221;. Ele fecha os olhos, abre. A parede do elevador é um infinito de lombadas de livros. Brancas, pretas, coloridas, grossas, finas, grandes, pequenas, como a típica parede de uma biblioteca, &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/03/a-onomatopeia-do-sorriso/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entra no elevador. &#8220;E se tudo fosse feito de livros?&#8221;. Ele fecha os olhos, abre. A parede do elevador é um infinito de lombadas de livros. Brancas, pretas, coloridas, grossas, finas, grandes, pequenas, como a típica parede de uma biblioteca, quiçá de uma livraria. A porta do elevador é feita de milhares de páginas abertas, as letras pequenas convidando seu olhar a se sentar num chão simétrico e consistente de marca-páginas e ler até o dia seguinte. O elevador para, <em>plim</em>!</p>
<p>Atravessa o hall. &#8220;E se tudo fosse feito de nuvem?&#8221;. Ele fecha os olhos, abre. O porteiro da manhã não está mais lá com sua cara de rabugento, ele agora é apenas uma das milhares pessoas planando lentamente naquele incrível céu azul. Há um montão de gente ali, voando, flutuando, vivendo. Ele pula, exaltante, de uma nuvem para outra, dá piruetas e cambalhotas em pleno ar. Há um aroma suave de algodão doce e baunilha escorrendo da imaginação para a existência. Ele sorri com os olhos, enquanto os pés se encaminham pra nuvem seguinte. Não está vendo o sol, mas sente um calor gostoso vindo com a brisa. Olha lá uma porta!,  de nuvem, de ar, de pensamento. Ele abre, <em>tlec</em>!</p>
<p>Desce os degraus. &#8220;E se tudo fosse feito de doces?&#8221;. Ele fecha os olhos, abre. O corrimão é de marshmallow, os degraus são feitos de chocolate e as árvores mais estranhas floreiam em biscoitos sortidos. A calçada além do portão é feita de chocolate também; mas um trecho da rua está interditado pois o sorvete de abacaxi que faz o cimento está se derretendo com o sol de doce de abóbora. E não é que repentinamente, ao olhar para o céu, ele vê que um algodão doce azul vai chover e se desfazer em um milhão de jujubas coloridas? Um trovão, <em>cabrum</em>!</p>
<p>Abre o portão, suspira. &#8220;E se tudo fosse feito de&#8230;&#8221;. A pergunta se suspende sem fim no ar de seus pensamentos. A livraria da esquina com porta de madeira e vitrine de vidro está fechada. O céu, cinza, anuncia uma chuva de nuvens reais, com água de verdade. Do tipo essencial, sem gosto, por favor. Suspirando com monotonia, ele vai até o ponto e espera. Ali, junto da mãe, há uma menininha linda, de cabelos escuros e cacheados, as mãozinhas cruzadas em frente ao colo. Ela dá um sorriso, diz &#8220;bom dia!&#8221;, ele retribui surpreendido. Não dá nem tempo pra pensar: <em>Bi-Bi</em>, o ônibus!</p>
<p>Ele dá o sinal. &#8220;E se tudo fosse feito de sorrisos?&#8221;. Ele olha para trás, e a criança se despede com o sorriso mais luminoso do mundo. Ora, ele não precisava fantasiar com um mundo de sorrisos: as crianças e as pessoas boas já eram feitas disso. Satisfeito, ele está sentado próximo à janela, olhando para uma paisagem particular de livros, nuvens e doces. Ele percebe que há algo pairando no ar: uma pergunta para o começo do dia e para o fim deste parágrafo. Existe a onomatopeia do sorriso?</p>
<p>Ah, nem é necessário! Não há fonema que defina o som de um sorriso. Assim como as onomatopeias, os sorrisos são universais: todo mundo entende.</p>
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		<title>Lia Lia</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 00:50:21 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Avesso do Verso]]></category>
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		<description><![CDATA[- para a amiga Lia Fernandes; * * * Lia lia livros legais! Lia o léxico, a lolita linda. Líricas leituras lhe ladeavam, e Lia lia, loucamente. Louca? Lógico. Ler loucura levava longe as lamúrias. - E Lia lia, logo &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/01/lia-lia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>- para a amiga Lia Fernandes;</em></p>
<p style="text-align:center;"><em>* * *</em></p>
<p>Lia lia livros legais!<br />
Lia o léxico, a lolita linda.<br />
Líricas leituras lhe ladeavam, e Lia lia, loucamente.<br />
Louca? Lógico.<br />
Ler loucura levava longe as lamúrias.</p>
<p>- E Lia lia, logo longe!</p>
<p>Linda loucura, louca lonjura. Lia linda!<br />
Lia lia livros ou livros liam Lia?<br />
Livro, limite letárgico literal.<br />
Lia lindamente lia a lua!<br />
Lia lia. Livros. Lua.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Róis de 2008 &#8211; Livros</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 04:37:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Prosseguindo por pessoalidades pouco peculiares, passamos para papéis polpudos perfilados por problematizações, pulsações, pensamentos, perdições, paixonites, prospectos&#8230; Palavras. Livre, intelectual, verdadeiro, real, opositor, sábio: Livros! Eu Sou o Mensageiro, Markus Zusak &#124; O segundo lançamento do autor australiano foge do &#8230; <a href="http://pelvini.com/2008/12/rois-de-2008-livros/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Prosseguindo por pessoalidades pouco peculiares, passamos para papéis polpudos perfilados por problematizações, pulsações, pensamentos, perdições, paixonites, prospectos&#8230; Palavras.</p>
<p>Livre, intelectual, verdadeiro, real, opositor, sábio: Livros!<br />
<em><br />
</em><a href="http://www.fnac.com.br/Product.aspx?idProduct=9788598078298&amp;idDept=1&amp;src=" target="_blank">Eu Sou o Mensageiro</a><em>, Markus Zusak</em> | O segundo lançamento do autor australiano foge do roteiro dramático de seu lançamento best-seller, A Menina Que Roubava Livros, partindo para uma proposta mais pessoal e filosófica do que histórica e abrangente. Muito mais pelos seus significados múltiplos, Eu Sou o Mensageiro foi presente de natal e foi o primeiro livro que li no ano. Capítulos curtinhos, tradução meio estranha por causa do excesso de coloquialismo, mas ainda assim genial. Recomendo.</p>
<p><a href="http://www.fnac.com.br/Product.aspx?idProduct=9788535911046&amp;idDept=1&amp;src=" target="_blank">Cabeça Tubarão</a>,<em> Steven Hall</em> | Propõe que a história transcenda a literatura e torne-se totalmente literal. Faz com que seu personagem principal &#8211; esubsequentemente, nós &#8211; questione a própria realidade, em um mundo em que matéria é convertida em conceito. O vilão, aqui, assume não só um comedor irrefreável de pensamentos, mas também daquilo que os compõe. Daria um excelente filme, por seu ritmo ágil e de questionamento avassalador &#8211; os paralelos com os filmes Amnésia e Matrix são inevitáveis.</p>
<p><a href="http://www.fnac.com.br/Product.aspx?idProduct=8571644950&amp;idDept=1&amp;src=" target="_blank">Ensaio Sobre a Cegueira</a>, <em>José Saramago</em> | Parábola transformada por Fernando Meirelles em um filme quase excelente, Ensaio Sobre a Cegueira é o tipo de livro que será contemporâneo hoje e daqui a cem anos. Produtor de clássicos instântaneos e com a ironia que lhe é particular, Saramago nos mostra aqui até onde a cegueira humana pode nos levar &#8211; e eu não estou falando do misterioso problema ótico.</p>
<p>Buda, <em>Deepak Chopra</em> | Conhecia o autor por seus livros de auto-ajuda, gênero que particularmente detesto, por isso me reservei ao preconceito de não chegar perto desse Buda. Vencido a exaustão inicial, descobri um romance ritmado e despretencioso, livre de dogmas e lições religiosas: é a história mítica de Sidarta Gautama, romantizada e tocante. Obrigatória &#8211; para quem é budista, e para quem também não é.</p>
<p><a href="http://www.fnac.com.br/Product.aspx?idProduct=8501072656&amp;idDept=1&amp;src=" target="_blank">Memórias de Minhas Putas Tristes</a>, <em>Gabriel Garcia Márquez</em> | A história de um nonagenário que quer comemorar seu aniversário tirando a virgindade de uma moça virgem, provoca no leitor reações de assédio e constatações surpreendentes &#8211; algo de se esperar do genial Márquez. Numa crônica curta e rápida, personagem e leitor estão em eterno processo de reconhecimento.</p>
<p><a href="http://www.fnac.com.br/Product.aspx?idProduct=8501060887&amp;idDept=1&amp;src=" target="_blank">Artemis Fowl, o Menino Prodígio do Crime</a>, <em>Eoin Colfer</em> | Não acredito que algo vá suprir esta falta que Harry Potter faz, de livro com uma história tão mágica e bem tecida&#8230; Mas, por sorte, há as boas tentativas: Artemis Fowl, um típico anti-herói num mundo de conto de fadas, protagoniza uma história de ação eletrizante (ok, isto soou bem Sessão da Tarde). A narração é provoca situações de prender a respiração e arregalar os olhos: serve como um bom passatempo para leituras de metrô.</p>
<p><a href="http://www.fnac.com.br/Product.aspx?idProduct=8525415669&amp;idDept=1&amp;src=" target="_blank">Cartas a um Jovem Poeta</a>, <em>Rainer Maria Rilke</em> | Livro de cabeceira, obrigatório. Rilke descreve como ninguém a arte de escrever, a arte de ser humano e a arte da Arte. E com simplicidade. Suas palavras são tocantes e a impressão de ler é como tentar segurar o ar &#8211; e realmente segurar alguma coisa. Eu gostaria de dar uma cópia deste Rilke para todas as pessoas do mundo &#8211; falo sério. O livro, na Fnac, está uma pechincha, muito barato &#8211; R$ 5,60, <em>só</em> &#8211; que chega a ser um sacrilégio.<a href="http://www.fnac.com.br/Product.aspx?idProduct=8525415669&amp;idDept=1&amp;src=" target="_blank"> Compre.</a></p>
<p><a href="http://www.fnac.com.br/Product.aspx?idProduct=9788576653615&amp;idDept=1&amp;src=" target="_blank">1968, o ano que não terminou</a>, <em>Zuenir Ventura</em> | Relato fiel e, por incrível que pareça, extremamente subjetivo do ano mais revolucionário [sic] da época de ditadura, em que esquerda era um ideal por qual lutar e arte era fuga mais curta da banal realidade. Sincero e conciso, Ventura traz em sua narrativa histórica episódios bonitos de uma luta que, a bem da verdade, não foi travada em vão. Corrobora que lembrar-se do passado é tão importante quanto registrá-lo &#8211; ainda mais num país como o nosso, tão volúvel e esquecido.</p>
<p>* * *</p>
<p>É só uma pequena seleção do que li no ano e, como já adverti, é baseada em opiniões pessoais livres de senso crítico. Indicar livro, para qualquer um, é uma covardia. Sempre há muito mais para querer ler e muito menos para poder ler.</p>
<p>Que bom que o tempo para ler não acaba.</p>
<p>Boas leituras para os próximos tempos que virão!</p>
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		<title>Sensações Futuras</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2008 12:36:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos Desafiadores]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
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		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[lançamento]]></category>
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		<description><![CDATA[Desafie-me um Texto #08 Desde a primeira vez que li o &#8220;Desafie-me um Texto&#8221; fiquei pensando o que poderia pedir pra você escrever&#8230; Depois de ler todos, resolvi pedir algo que eu acho que você ainda não fez: pra escrever &#8230; <a href="http://pelvini.com/2008/11/sensacoes-futuras/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Desafie-me um Texto #08</strong><br />
<em>Desde a primeira vez que li o &#8220;Desafie-me um Texto&#8221; fiquei pensando o que poderia pedir pra você escrever&#8230; Depois de ler todos, resolvi pedir algo que eu acho que você ainda não fez: pra escrever uma história sobre o futuro, talvez uns vinte anos à frente&#8230; O que estará acontecendo com você, seus amigos e pessoas próximas? Será que o que se almeja hoje será alcançado?<br />
Boa sorte com esse desafio!<br />
(<strong>Fernando Fraioli)</strong></em></p></blockquote>
<p>O celular vibra, e a mensagem é &#8220;segura aí, chego em 10&#8243;.</p>
<p>- Será que dá tempo de eu ir no banheiro? Depois você sabe, uma hora de perguntas e mais duas de, bem, vocês sabem&#8230; Prometo que é rapidinho, é só uma&#8230;</p>
<p>- Tá, tá, tá. &#8211; diz o editor, como sempre me cortando, e olhando para a organizadora (e gerente da livraria) como quem se desculpa. &#8211; Vá logo, mas não demore, os leitores estão esperando.</p>
<p>Ai droga, penso, enquanto me dirigo ao banheiro no fundo do corredor. Longe de estar apertado &#8211; na verdade, não como e bebo direito há dois dias &#8211; sento-me sobre a tampa do vaso por um segundo e desisto. Levanto-me, jogo água no rosto pela enésima vez naquele dia, pra afastar o sono.</p>
<p>- Acalme-se. Acalme-se.</p>
<p>Em pânico, pego o celular e vejo que se passaram só 2 minutos do prometido na mensagem.</p>
<p><em>- Alor?</em></p>
<p><em>- Alor? </em>Paramos com isso há uns quinze anos, tá tudo bem?</p>
<p>- Tô ansioso. Você pode vir logo?</p>
<p>- Já estou indo, pô. Estava só pegando <em>você-sabe-quem</em>.</p>
<p>- Poxa. &#8211; a menção dela, e o fato de Rebeca utilizar um código potteriano trouxe um certo calor ao meu coração. Nem acredito que ela demorou tanto pra ler a saga de Rowling. &#8211; Como ela está?</p>
<p>- Está animada. Ei, já estou entrando na Paulista, aguarda mais um pouco.</p>
<p>Encerro a chamada. Há no papel de parede do celular um garotinho de sorriso lacônico, mas intenso e feliz. Detestava ter de larga-lo com a avó, mesmo que os dois estivessem presentes na sessão de &#8211; jesus &#8211; autógrafos. O pequeno sorri pra mim. Suspiro e desligo o aparelho.</p>
<p>- Pelvini? &#8211; é a mulher da Fnac. &#8211; Pelvini, não podemos esperar mais.</p>
<p>Bato a cabeça no armarinho do banheiro.</p>
<p>- Ai! Er&#8230; Já tô indo!</p>
<p>Dou uma última verificada nas roupas &#8211; tanto tempo depois, passando dos 30, e o estilo se mantém quase que o mesmo. Sinceramente, nunca pensei que poderia estar tão bem em uma roupa tão sóbria quanto aquela. Há uma Mont-Blanc na mão direita, um Curinga no bolso trasiero, um anel vacilante no dedo e, por rendição da idade, óculos no rosto. Talvez a imagem do escritor contemporâneo, digo, desta época.</p>
<p>&#8220;Contemporâneo da época&#8221; &#8211; penso, lembrando da redundãncia criticada por nove em dez leitores. Nunca recebi tantos e-mails após aquela crõnica no jornal, coluna <em>Desafie-me um Texto.</em> &#8211; &#8220;Às vezes as pessoas não entendem as ironias, mas não cabe a mim explicar.&#8221;</p>
<p>Abro a porta do banheiro. Há uma certa aura, um certo clima no ar, algo que eu não consigo explicar nem traduzir para palavras. Vem desta linguagem singular da vida, que dialoga singularmente com cada um de nós através de sensações; e é delas que vamos nos lembrar.</p>
<p>Volto, aperto o botão da descarga pra disfarçar, lavo as mãos para ganhar tempo, seco-as vagarosamente &#8211; o editor e a organizadora parecem mais ansiosos e nervosos que eu &#8211; e finalmente me dirijo à boca do <em>céus-eles-fizeram-um</em> palco.</p>
<p>A moça do Fnac entra em cena e começa um discurso incrível. Incrivelmente longo, espero. Pego o celular de novo. Estamos exatos dez minutos do horário marcado.</p>
<p>- A livraria está cheia. &#8211; comenta meu editor. &#8211; Tá preparado?</p>
<p>- Não. &#8211; respondo, sinceramente.</p>
<p>- Você nunca está, né? &#8211; ri-se o homem. &#8211; Mas sempre chega lá com suas criatividades inventivas.</p>
<p>- Esse pleonasmo foi proposital?</p>
<p>- Claro. &#8211; e trocamos um sorriso cúmplice. Meu editor, além de muito bacana, é também é assíduo leitor de jornais.</p>
<p>- &#8230;lança com exclusividade seu novo romance aqui na nossa livraria. Ele também topou uma rodada de perguntas sobre suas obras anteriores, que ainda conquistam jovens e adultos e está há 99 semanas na lista dos mais vendidos&#8230;</p>
<p>- Tá, isso é realmente uma mentira. Dá impressão que é semanas seguidas &#8211; remendo com um sussurro &#8211; A trilogia<em> </em>saiu durante três meses da lista&#8230;</p>
<p>- &#8230;até que decidiram fazer uma série de televisão com ela, é, eu sei.</p>
<p>- Eu não ia falar isso.</p>
<p>- Com vocês, Pelvini! &#8211; anuncia a mulher e eu não tenho mais opção.</p>
<p>Acho que um milhão de coisas me passa na cabeça. Escritor capenga nos meus vinte e poucos anos, sobrevivendo de dar aulas e de vencer concursos pequenos e promoções por sorte, e agora isso. Depois de, com algum custo, financiar uma publicação pequena de minha primeira história, conheço o editor dos sonhos e assino contrato com uma grande editora.</p>
<p>É sobre como as coisas acontecem, é nisso que estou pensando, enquanto subo dois degraus rumo ao palco improvisado de madeira. E eu me lembro de coisas, sabe. Coisas que me assolam desde minha tenra idade. Pequenas memórias que, se não me fizessem famoso ou lembrado, seriam importantes para o Rafael &#8211; e não só para o Pelvini.</p>
<p>Eu me lembro do meu melhor amigo falando que acreditava em mim como não acreditava em ninguém. Eu me lembro da minha professora de História da faculdade comentando que o meu texto fluía como nenhum que ela tinha lido <em>(&#8220;não é o conteúdo que eu pedi, mas você escreve de forma excelente&#8221;)</em>. Me lembro d&#8217;<em>Ela</em> falando que eu tinha um talento inigualável com as palavras. Me lembro do bilhetinho escrito <em>&#8220;você realmente nasceu pra isso&#8221;</em>, das presenças na Casa das Rosas &#8211; físicas ou não -, da minha mãe me vendendo nos primeiros anos para todo o prédio, e do meu cachorro velho, o Fox, mordendo e destruindo meus manuscritos&#8230;</p>
<p>E, enquanto as pessoas aplaudem, eu me lembro de um episódio em particular.</p>
<p>2005 &#8211; início do século, nossa &#8211; e eu estava me formando. O extinto Coldplay tocava ao fundo, e era <em>Fix You</em> e eu era orador de turma. E aí, ao final de um texto realmente amador e realmente mal-escrito, as pessoas me aplaudem. E onze pessoas se levantam. Os Dez de Mococa, eles se levantam pra mim e para meu texto. Se levantam para o Rafael e para o <em>(que viria ser)</em> Pelvini. Ao fundo, lá no fundo, minha mãe também está de pé. Na hora, e depois também, na festa, eu não cheguei a entender, mas no dia seguinte, ao contar que vê-los de pé foi a melhor sensação de minha curta vida, chorei.</p>
<p>E é contra esta sensação que eu agora estou lutando contra, corajosamente. Porque os Dez estão aqui, hoje. Todos eles. Não sei quem foi o louco que armou isso, mas suspeito que foi o homem de terno e gravata, com um rapazote no colo e uma mulher linda do lado. Fernando era tão bem sucedido quanto eu supus que poderia ser e, a bem da verdade, ganhava em um mês o que eu ganharia em um ano. Olho adiante, e lá está Rebeca e <em>você-sabe-quem</em>, ao lado de minha mãe e do Renan. Escritores amigos estão por lá, também, entre eles o meu poeta favorito, o Brito; João e Mariângela, cada ano mais jovens; uma turminha dos tempos de faculdade, nossa!, e até mesmo meus sobrinhos estão lá, sentados perto da turminha que o Tom &#8211; hoje gerente regional de uma grande rede de lojas e representante master de seu próprio Instituto &#8211; conseguiu trazer. Tem gente até do Rio de Janeiro e, é claro, minhas eterna professorinha dos cabelos ainda curtos e as minhas primas eternas do clube <em>(que começaram e terminaram isso tudo)</em>.</p>
<p>O tempo pára por um minuto, e eu estou diante de uma situação intransponível. Não há publicação que fale diretamente sobre isso que a vida está me contando.</p>
<p>Eu olho em volta, e finalmente percebo porque esse futuro, que pra mim é <em>um</em> presente, existe:</p>
<p>Este é meu público, são meus leitores, meus amigos. Assim como você, que está lendo isso agora. E, se o meu maior sonho se realizar, você estará aqui, nesta noite: não para me prestigiar, não, não. Mas para dar sentido à vida de um garoto que, aos 12 anos, descobriu que não sabia fazer outra coisa se não o que faz hoje e fará até o último dia dessa existência: escrever.</p>
<p>* * *</p>
<p><em>Desafios para </em><em>pelvini@gmail.com</em>.</p>
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