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	<title>Pelvini &#187; Disco Alto</title>
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	<description>a palavra é o principal desafio</description>
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		<title>Róis de 2009 &#8211; Discos [2]</title>
		<link>http://pelvini.com/2009/12/rois-de-2009-discos-2/</link>
		<comments>http://pelvini.com/2009/12/rois-de-2009-discos-2/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 23:18:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[Adriana Partimpim]]></category>
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		<category><![CDATA[Andrei Machado]]></category>
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		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[rol]]></category>
		<category><![CDATA[Tiê]]></category>
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		<description><![CDATA[Segunda e última parte do presentinho de fim de ano: discos nacionais. Novamente, o objetivo não é apontar melhores e piores, apenas compartilhar um pouco do que ouvi e gostei enquanto 2009 passava. Para baixar cada disco, é só clicar &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/12/rois-de-2009-discos-2/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Segunda e última parte do presentinho de fim de ano: discos nacionais. Novamente, o objetivo não é apontar melhores e piores, apenas compartilhar um pouco do que ouvi e gostei enquanto 2009 passava.</p>
<p>Para baixar cada disco, é só clicar em seu título, embaixo do nome do artista, classificados por ordem alfabética.</p>
<p>Ah, todos os links para download foram encontrados <a href="http://www.google.com.br/" target="_blank">aqui</a>. Divirta-se! (:</p>
<p><strong>Adriana Partimpim</strong><br />
<em><a href="http://www.easy-share.com/1908508465/Adriana%20Calcanhoto%20-%20adriana%20partinpim%202%202009.rar" target="_blank">Partimpim 2</a><br />
</em><img class="alignleft" title="Partimpim" src="http://img27.imageshack.us/img27/6141/adrianapartimpim.jpg" alt="" width="173" height="154" />Quando Adriana troca o Calcanhoto pelo Partimpim, pode ter certeza: música excelente, para crianças e adultos – sem subestimar ninguém. É uma dose generosa de epifania infantil com roupagem de adulto sensível.  Impossível não se encantar com a interpretação de Adriana para “Alexandre”, do Caetano Veloso, ou ao musicar o poema “Borboletas” da querida Cecília Meireles, ou com os versos extremamente bem montados de “Na massa”&#8230; E, Ah! “Alface” tem os dedos do poeta Augusto de Campos: “Alface, ó alface/Faça-se, ó faça-se/ó alface, afinal”&#8230;</p>
<p><strong>Amnese</strong><br />
<em><a href="http://sinewave.com.br/albums/amnese/sw09amn03.amnese_songsokmypussy.zip" target="_blank">Songs for Rainy Days</a><br />
</em><img class="alignright" title="Amnese" src="http://sinewave.com.br/albums/amnese/sw09amn03.jpg" alt="" width="150" height="150" />Meu amigo Nelson, o Amnese, que me desculpe – prometi, desde o relançamento de <em>Songs for Rainy Days</em> pelo <a href="http://www.sinewave.com.br/" target="_blank">Sinewave</a>, um review completo sobre sua primeira obra, escrita quando ele ainda era garoto. Com toda sua gentileza, Amnese me enviou o link para download – e me estarreceu. Disco lo-fi cantado em inglês, lançando as bases para os seus trabalhos seguintes, em especial os ótimos <em>Apatheia</em> e o meu favorito <em>Sofia e a curva do céu</em>. A música de Amnese é de se fazer pensar e vencer mentes despreparadas. Acompanhado desse disco, vem o EP <em>Ok, my pussy is hanging out of this f*cking thing.</em><em> </em>Manterei sigilo do que se trata para causar surpresa.</p>
<p><strong>Andrei Machado</strong><br />
<em><a href="http://www.sinewave.com.br/albums/andreimachado/sw09and02.andreimachado_etant.zip" target="_blank">Étant</a><br />
</em><img class="alignleft" title="Andrei" src="http://img695.imageshack.us/img695/5373/96a8f0003e61.jpg" alt="" width="172" height="172" />Sou fã de Andrei Machado, pianista e compositor autodidata, e escrevi o review que acompanhou o lançamento do sucessor de <em>Lacuna</em>. Não sou tendencioso ao falar que Étant mantém a qualidade já comprovada anteriormente, enveredando por um experimentalismo provocador de ápices. “Ecce Homo”, “O cemitério dos deuses mortos” e “Uma canção para Werther” resumem bem o disco, que se destaca pela emocionada “E, finalmente, deixei o sol entrar”.</p>
<p><strong>Céu</strong><br />
<em><a href="http://www.sendspace.com/file/ir6gx1" target="_blank">Vagarosa</a><br />
</em><img class="alignright" title="Ceu" src="http://img14.imageshack.us/img14/3305/cuvagarosa.jpg" alt="" width="170" height="170" />Toda a malemolência é permitida quando falamos da moça que atende por (Maria do) Céu. O que chamam de MPB é visto em <em>Vagarosa </em>com pitadas bem escolhidas de trip-hop e downtempo– falo sério. Preste atenção na batida de “Sonâmbulo” e “Grains de Beaute”, por exemplo, ou nos efeitos de “Cordão da Insônia”. O disco ainda conta com uma versão de “Rosa Menina Rosa”, do Jorge Ben. A faixa mais bacana do disco, porém, se chama “Bubuia”. Nem precisa ver no dicionário o que significa: ao ouvir já dá pra sacar. Como eu disse, toda a malemolência é permitida quando falamos de Céu&#8230;</p>
<p><strong>Disco Alto</strong><br />
<em><a href="http://www.megaupload.com/?d=6ZMOGREH" target="_blank">Sierra Nevada</a><br />
</em><img class="alignleft" title="Disco alto" src="http://img704.imageshack.us/img704/1134/discoalto.jpg" alt="" width="173" height="173" />Sei cantar<em> </em>todas as músicas de <em>Sierra Nevada </em>– e o Disco Alto é, de longe, uma das minhas bandas favoritas. Sua música é singular – evidente que enxergo suas influências, mas dentre as bandas brasileiras, o Disco Alto consolidou seu estilo peculiar com este <em>Sierra Nevada</em>.  Nos versos de “Micropolo” vamos do suave ao explosivo, encontramos toda calmaria e tristeza em “Antigo Testamento”, somos arrebatados por “Quinta”, entramos em aventuras com o “Circo 66”&#8230; Emoção pura e talentos verdadeiros: isso é Disco Alto.</p>
<p><strong>Érika Machado</strong><br />
<em><a href="http://www.mediafire.com/?nz00myi2ytm" target="_blank">Bem Me Quer Mal Me Quer</a><br />
</em><img class="alignright" title="erika" src="http://img704.imageshack.us/img704/7585/bemmequer1.jpg" alt="" width="160" height="160" />A moça que, como bem dissera o <a href="http://extrafu.wordpress.com/" target="_blank">Dudi</a>, consegue ser lúdica sem ser infantil e falar com os adultos sem pretensões filosóficas sendo completamente abstrata, voltou com seu novo disco, <em>Bem Me Quer Mal Me Quer</em>. Produzido pelo John Ulhoa, do Pato Fu, é um disco que gosta de contar histórias: da garota que se apaixonou pelo “Menino Perfeito” – gay – à “Solitária Secretária da Agência de Turismo”. A levada meio country de “Tiozão de Bar” cai muito bem, e a letra de “Tanto Faz” e “Plutônio Enriquecido” são assim, especiais.</p>
<p><strong>Mariana Aydar </strong><br />
<a href="http://www.easy-share.com/1904506201/MAPPEP.zip" target="_blank"><em>Peixes, Pássaros, Pessoas</em></a><br />
<img class="alignleft" title="Mariana Aydar" src="http://img97.imageshack.us/img97/9830/submarino21535799.jpg" alt="" width="173" height="173" />Samba e pagodinho dos bons, e não é porque o Zeca Pagodinho faz participação em “O Samba me Persegue”: Mariana Aydar se garante na bem escrita “Florindo”, na confessional “Palavras não falam” e na descritiva “Manhã Azul”. Proseando também com o xote delicioso da ótima “Tá?” e amargurando corações em “Peixes”, Mariana entrega suavides, momentos agradáves – e um pouco de languidez (“Beleza”, com Mayra Andrade) – num disco bem brasileiro.</p>
<p><strong>Móveis Coloniais de Acaju </strong><br />
<a href=" http://www.mediafire.com/?ymtdm3yqjn2" target="_blank"><em>C_mpl_te</em></a><br />
<img class="alignright" title="Móveis" src="http://img689.imageshack.us/img689/2356/moveiscoloniaiscomplete.jpg" alt="" width="173" height="173" />Tamanha é a servidão dos fãs para com a banda independente Móveis Coloniais de Acaju. Ao vivo, dizem que o Móveis Coloniais de Acaju não decepciona – e assim o faz seu público. No show de estreia do álbum <em>C_mpl_te</em>, todo mundo já tinha decorado “O Tempo” e cantou junto com a banda. Vale à pena: a música é mesmo muito bonita. De qualquer forma, <em>C_mpl_te</em> já me ganhou com “Adeus”, faixa que abre o disco. “Cheia de Manha” também é uma graça.</p>
<p><strong>Pierre </strong><br />
<a href="http://rapidshare.com/files/327680454/Pra_gente_que_tem_pressa.rar" target="_blank"><em>Pra gente que tem Pressa</em></a><br />
<img class="alignleft" title="pierre" src="http://i13.photobucket.com/albums/a269/rafaelpelvini/Capa.jpg" alt="" width="162" height="162" />Trabalho solo do Paulo Renato, baterista do Disco Alto, <em>Pra gente que tem pressa</em> é a música imaginária trazida direto da Rússia. Os sons eletrônicos, sintéticos e oitentistas são bem demarcados nessa caracterização, desde a própria música até seus títulos. Como se não bastasse, a duração de cada música faz jus ao nome do disco. Já ouviu falar em IDM? Pois.</p>
<p><strong>Tiê </strong><br />
<a href="http://rapidshare.com/files/213622879/UQT2009_Tie_-_Sweet_Jardim.rar" target="_blank"><em>Sweet Jardim</em></a><br />
<img class="alignright" title="tie" src="http://img9.imageshack.us/img9/2121/tisweetjardim.jpg" alt="" width="173" height="173" />Nada além de uma voz feminina e um violão: a simplicidade é ou não a maior fonte de beleza do mundo? Não necessariamente, mas Tiê bebe dessa fonte com graça e nos presenteia com este singelo <em>Sweet Jardim</em>. “Assinado Eu” é palpável demais para não ser pessoal, o lamento de “Quinto Andar “ é aflitivo, e a historinha “A Bailarina e o Astronauta” é toda doce. Tiê também se arrisca em língua europeia ao cantar a suave “Aula de Francês”.</p>
<p><strong>Transmissor </strong><br />
<a href="http://www.4shared.com/file/121983729/6ca3c1de/Transmissor_-_Sociedade_Do_Crivo_Mutuo.html" target="_blank">Sociedade do Crivo Mútuo</a><br />
<img class="alignleft" title="transmissor" src="http://img109.imageshack.us/img109/2326/47325.jpg" alt="" width="173" height="156" />Bossa-nova e o rock contemporâneo fazem de Sociedade do Crivo Mútuo um dos bons lançamentos vindos de Minas Gerais. Bem conhecida em Belo Horizonte, a banda Transmissor oferece em seu disco a ótima “Primeiro de Agosto” – uma história de amor em um ano –  e o “Poema da Batalha”, bem bonito em sua explicação.  Salta aos ouvidos, também, o revezamento de vocalistas, como em “Eu Você”. E não deixe de conferir “Aquática”.</p>
<p style="text-align: center;">E estes são os róis de 2009! (:</p>
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		<title>Paulo Renato &#8211; Pra gente que tem pressa</title>
		<link>http://pelvini.com/2009/06/paulo-renato-pra-gente-que-tem-pressa/</link>
		<comments>http://pelvini.com/2009/06/paulo-renato-pra-gente-que-tem-pressa/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 13:29:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[Disco Alto]]></category>
		<category><![CDATA[IDM]]></category>
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		<category><![CDATA[Paulo Renato]]></category>
		<category><![CDATA[pierre]]></category>
		<category><![CDATA[Rússia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda este ano tive um sonho bizarro: não exatamente assustador, mas tão estranho que não consegui descrevê-lo com palavras para as outras pessoas, tendo que, literalmente, desenhá-lo para poder explicá-lo. Dizem os estudiosos que a gente sonha todas as noites, &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/06/paulo-renato-pra-gente-que-tem-pressa/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Ainda este ano tive um sonho bizarro: não exatamente assustador, mas tão estranho que não consegui descrevê-lo com palavras para as outras pessoas, tendo que, literalmente, desenhá-lo para poder explicá-lo.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Dizem os estudiosos que a gente sonha todas as noites, mas nem sempre se lembra. A bem da verdade dá pra contar nos dedos das mãos os sonhos e pesadelos que realmente marcaram, não é mesmo? E mesmo assim, a atmosfera que envolve a lembrança de um sonho é frágil como bolha de sabão. Pelo menos comigo é assim.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">O fato é que o sonho em questão teria facilmente entrado para o rol dos esquecidos se não fossem os acontecimentos recentes: desde aquele review pro álbum do Disco Alto &#8211; vale dizer que foi um dos textos mais marcantes para mim &#8211; venho acompanhando o blog pessoal do baterista da banda, o brasiliense Paulo Renato.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Rapaz com coração de artista, Paulo Renato não hesita em estender sua visão inusitada para além da música: não só fotografa como também escreve muito bem. O mais interessante? Bom, a temática pessoal do Paulo Renato &#8211; o Pierre &#8211; é a Rússia. Lembra-se no ensino médio, quando Manuel Bandeira foi-se embora pra Pasárgada? Então, Paulo Renato foi-se embora pra Rússia.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">O que nos traz de volta ao meu sonho. Dentro dele, eu escalava as paredes de um castelo engraçado &#8211; um Kremlin! &#8211; e escalava na maior facilidade. Quando eu chegava no topo alto e xadrez colorido de uma das torres, tinha a visão lá de baixo, um jardim de sebes coloridas, que mais pareciam um tapete persa gigante. &#8220;Eu posso voar daqui, se quiser&#8221; &#8211; pensei, com a tranquilidade que só o irreal pode proporcionar. E o status &#8220;bizarro&#8221; do sonho se dá pelo que aconteceu dali em diante.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Porque quando eu pulei da torre, rumo a um voo inesquecível, surgiu um outro Kremlin exatamente igual do outro lado &#8211; só que este novo estava de ponta-cabeça. Exato: não satisfeito em se duplicar, o sonho também virou tudo de cabeça pra baixo. O que era bem sacana, pois eu já estava no ar e agora o chão era céu e o céu era chão &#8211; o tapete persa colorido estava entre as nuvens &#8211; o que tornava &#8220;subindo para baixo&#8221; e &#8220;caindo para cima&#8221; expressões muito verdadeiras, ainda que pouco plausíveis.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Evidente que acordei antes de tocar o céu que era chão ou vice-versa. E, ao acordar, o sonho já tinha título pois o castelo duplicado ao contrário era um Kremlin, oras: &#8220;sonho bizarro em russo&#8221;. Dava até nome de comunidade estranha do orkut. E, como você pode ver aí do lado, foi assim que eu mostrei pra garota das Laranjinhas.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Muito longe daqui, na Rússia, Pierre nunca chegou a saber dessa amalucada história, até porque, como eu disse, na época eu só conseguia explicar desenhando. No entanto, uma coisa inesperada aconteceu: você acha possível alguém inventar a trilha sonora de um sonho que era só seu? Bom&#8230; Por causa do Pierre, lá na Rússia, isso aconteceu.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">&#8220;Pra gente que tem pressa&#8221; é o álbum criado na mente de Pierre e passado à existência pelo programa FL Studio 8, instalado no notebook do baterista lá no seu quarto russo. Como gosta de deixar claro, esse é seu primeiro trabalho solo e também sua primeira incursão musical apenas com um software &#8211; e longe de seu instrumento favorito, a bateria.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Capaz de emular e administrar sons, timbres e barulhos, funcionando como um estúdio musical caseiro, o FL Studio tem suas óbvias limitações mas pode fazer maravilhas &#8211; sobretudo nas mãos de quem entende de música.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">E esse é o caso de Pierre. Entendendo até onde o programa poderia chegar, e livre de maiores pretensões, ele concebeu seu álbum sob a perspectiva da bateria &#8211; ainda que uma bateria sonhada por um software. &#8220;Pra gente que tem pressa&#8221;, então, tem um ritmo bem demarcado.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Demonstrando-se meticuloso, Pierre trabalhou para que os barulhos do FL Studio se parecessem o máximo possível com o real. O resultado vai de encontro com os sons físicos, mas a inevitável artificialidade dão ao trabalho a cara de projeto eletrônico que lhe cabe.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Honrando o título, &#8220;Pra gente que tem pressa&#8221; é um disco de faixas bastante curtas, todas vislumbres das baladas oitentistas que minha geração não frequentou. Essa brevidade &#8211; algo meio aperitivo &#8211; já me fez torcer por um próximo álbum.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Com a proposta do clima em russo, Pierre se desgarra do estilo que lhe é familiar &#8211; o post-rock &#8211; e faz um disco que se encaixa nas vertentes da IDM (Inteligent Dance Music), ainda que seja mais melódico em &#8220;Duas músicas mais ou menos assim&#8221;, &#8220;São Peter é burgo&#8221; e em &#8220;Droga, mãe, acabou a fita&#8221;. Porém é terrivelmente contemplativo em &#8220;Biscoito de leite russo&#8221; e super cerebral em &#8220;Nick Lauda, o maior vencedor de todos os tempos&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Cerebral&#8230; Tá aí. Os sonhos vêm do coração, mas as imagens são fabricadas pelo cérebro. E, ao passo que um pesadelo parece durar horas, um sonho bom dá a impressão de minutos e segundos contados. E esse &#8220;Pra gente que tem pressa&#8221; é bem assim: curto, mas dos bons. Cheio de significados subjetivos e particulares &#8211; como se ouve em &#8220;Marianna&#8221; -, o disco do Pierre acabou fazendo um sentido muito particular pra mim. &#8220;Nick Lauda, o maior vencedor de todos os tempos&#8221; era a música que tocava no meu sonho do Kremlin inverso.</div>
<div id="_mcePaste" style="overflow-y: hidden; left: -10000px; overflow-x: hidden; width: 1px; position: absolute; top: 0px; height: 1px;">Porque &#8220;Pra gente que tem pressa&#8221; é um disco mais curto que uma lembrança e mais longo que um pensamento, ainda que tenha a forma e o tamanho exatos de um sonho &#8211; em russo.</div>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 346px"><img title="Pra gente que tem pressa" src="http://i13.photobucket.com/albums/a269/rafaelpelvini/Capa.jpg" alt="" width="336" height="336" /><p class="wp-caption-text">Pra gente que tem pressa, do Pierre</p></div>
<p>Ainda este ano tive um sonho bizarro: não exatamente assustador, mas tão estranho que não consegui descrevê-lo com palavras para as outras pessoas, tendo que, literalmente, desenhá-lo para poder explicá-lo.</p>
<p>Dizem os estudiosos que a gente sonha todas as noites, mas nem sempre se lembra. A bem da verdade dá pra contar nos dedos das mãos os sonhos e pesadelos que realmente marcaram, não é mesmo? E mesmo assim, a atmosfera que envolve a lembrança de um sonho é frágil como bolha de sabão. Pelo menos comigo é assim.</p>
<p>O fato é que o sonho em questão teria facilmente entrado para o rol dos esquecidos se não fossem os acontecimentos recentes: desde aquele review pro álbum do <a href="http://www.myspace.com/discoalto" target="_blank">Disco Alto</a> &#8211; vale dizer que foi um dos textos mais marcantes para mim &#8211; venho acompanhando o blog pessoal do baterista da banda, o brasiliense Paulo Renato.</p>
<p>Rapaz com coração de artista, Paulo Renato não hesita em estender sua visão inusitada para além da música: não só fotografa como também escreve muito bem. O mais interessante? Bom, a temática pessoal do Paulo Renato &#8211; <strong><a href="http://pierrenarussia.wordpress.com" target="_blank">o Pierre</a></strong> &#8211; é a Rússia. Lembra-se no ensino médio, quando Manuel Bandeira foi-se embora pra Pasárgada? Então, Paulo Renato foi-se embora pra Rússia.</p>
<p>O que nos traz de volta ao meu sonho. Dentro dele, eu escalava as paredes de um castelo engraçado &#8211; um Kremlin! &#8211; e escalava na maior facilidade. Quando eu chegava no topo alto e xadrez colorido de uma das torres, tinha a visão lá de baixo, um jardim de sebes coloridas, que mais pareciam um tapete persa gigante. &#8220;Eu posso voar daqui, se quiser&#8221; &#8211; pensei, com a tranquilidade que só o irreal pode proporcionar. E o status &#8220;bizarro&#8221; do sonho se dá pelo que aconteceu dali em diante.</p>
<p>Porque quando eu pulei da torre, rumo a um voo inesquecível, surgiu um outro Kremlin exatamente igual do outro lado &#8211; só que este novo estava de ponta-cabeça. Exato: não satisfeito em se duplicar, o sonho também virou tudo de cabeça pra baixo. O que era bem sacana, pois eu já estava no ar e agora o chão era céu e o céu era chão &#8211; o tapete persa colorido estava entre as nuvens &#8211; o que tornava &#8220;subindo para baixo&#8221; e &#8220;caindo para cima&#8221; expressões muito verdadeiras, ainda que pouco plausíveis.</p>
<p>Evidente que acordei antes de tocar o céu que era chão ou vice-versa. E, ao acordar, o sonho já tinha título pois o castelo duplicado ao contrário era um Kremlin, oras: &#8220;sonho bizarro em russo&#8221;. Dava até nome de comunidade estranha do orkut.</p>
<p>Muito longe daqui, na Rússia, Pierre nunca chegou a saber dessa amalucada história, até porque, como eu disse, na época eu só conseguia explicar desenhando. No entanto, uma coisa inesperada aconteceu: você acha possível alguém inventar a trilha sonora de um sonho que era só seu? Bom&#8230; Por causa do Pierre, lá na Rússia, isso aconteceu.</p>
<p><em>Pra gente que tem pressa</em> é o álbum criado na mente de Pierre e passado à existência pelo programa FL Studio 8, instalado no notebook do baterista lá no seu quarto russo. Como gosta de deixar claro, esse é seu primeiro trabalho solo e também sua primeira incursão musical apenas com um software &#8211; e longe de seu instrumento favorito, a bateria.</p>
<p>Capaz de emular e administrar sons, timbres e barulhos, funcionando como um estúdio musical caseiro, o FL Studio tem suas óbvias limitações mas pode fazer maravilhas &#8211; sobretudo nas mãos de quem entende de música.</p>
<p>E esse é o caso de Pierre. Entendendo até onde o programa poderia chegar, e livre de maiores pretensões, ele concebeu seu álbum sob a perspectiva da bateria &#8211; ainda que uma bateria sonhada por um software. <em>Pra gente que tem pressa</em>, então, tem um ritmo bem demarcado.</p>
<p>Demonstrando-se meticuloso, Pierre trabalhou para que os barulhos do FL Studio se parecessem o máximo possível com o real. O resultado vai de encontro com os sons físicos, mas a inevitável artificialidade dão ao trabalho a cara de projeto eletrônico que lhe cabe.</p>
<p>Honrando o título, <em>Pra gente que tem pressa</em> é um disco de faixas bastante curtas, todas vislumbres das baladas oitentistas que minha geração não frequentou. Essa brevidade &#8211; algo meio aperitivo &#8211; já me fez torcer por um próximo álbum.</p>
<p>Com a proposta do clima em russo, Pierre se desgarra do estilo que lhe é familiar &#8211; o post-rock &#8211; e faz um disco que se encaixa nas vertentes da IDM (Inteligent Dance Music), ainda que seja mais melódico em &#8220;Duas músicas mais ou menos assim&#8221;, &#8220;São Peter é burgo&#8221; e em &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=kmFl1tAleBM" target="_blank">Droga, mãe, acabou a fita</a>&#8220;. Porém é terrivelmente contemplativo em &#8220;Biscoito de leite russo&#8221; e super cerebral em &#8220;Nick Lauda, o maior vencedor de todos os tempos&#8221;.</p>
<p>Cerebral&#8230; Tá aí. Os sonhos vêm do coração, mas as imagens são fabricadas pelo cérebro. E, ao passo que um pesadelo parece durar horas, um sonho bom dá a impressão de minutos e segundos contados. E esse &#8220;Pra gente que tem pressa&#8221; é bem assim: curto, mas dos bons. Cheio de significados subjetivos e particulares &#8211; como se ouve em &#8220;Marianna&#8221; -, o disco do Pierre acabou fazendo um sentido muito particular pra mim. &#8220;Nick Lauda, o maior vencedor de todos os tempos&#8221; era a música que tocava no meu sonho do Kremlin inverso.</p>
<p>Porque <em>Pra gente que tem pressa</em> é um disco mais curto que uma lembrança e mais longo que um pensamento, ainda que tenha a forma e o tamanho exatos de um sonho &#8211; em russo.</p>
<blockquote><p>Baixe o russo e sonhador <em>Pra gente que tem pressa, </em><a href="http://rapidshare.com/files/245548302/Pra_gente_que_tem_pressa.rar" target="_blank">clicando aqui</a>.</p>
<p>Em tempo: no <a href="http://pierrenarussia.wordpress.com/" target="_blank">Pierre na Rússia</a>, o próprio <a href="http://pierrenarussia.wordpress.com/2009/06/01/cabeca-nao-para/" target="_blank">nos conta como foi o processo de criação de seu álbum</a>.</p></blockquote>
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		<title>Lacunas que Inexistem</title>
		<link>http://pelvini.com/2009/05/lacunas-que-inexistem/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 May 2009 03:15:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[Cotidiano Revivido]]></category>
		<category><![CDATA[Andrei Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Disco Alto]]></category>
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		<category><![CDATA[Lacuna]]></category>
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		<category><![CDATA[post-rock]]></category>
		<category><![CDATA[Sertão Agrário]]></category>
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		<description><![CDATA[Quem fica com o Messenger ligado às 5 da manhã? Poucas pessoas, é verdade. Na minha lista, por exemplo, desde que o Vini voltou de Jackson, um ou outro gato pingado me faz companhia até que meu horário de trabalho &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/05/lacunas-que-inexistem/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Quem fica com o Messenger ligado às 5 da manhã? Poucas pessoas, é verdade. Na minha lista, por exemplo, desde que o Vini voltou de Jackson, um ou outro gato pingado me faz companhia até que meu horário de trabalho acabe, lá pelas 7. No entanto, eventualmente, há algumas visitas: curingas que, inesperadamente, surgem para alguns minutos de conversa. Andrei Machado já foi um desses.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Se me lembro bem, era um fim de semana. Tenho certeza de que era em março, pois conversamos sobre o show eminente do Radiohead, uma das bandas favoritas de Andrei. Estava bem ansioso para o show, já que viajaria de Brasília até São Paulo para vê-los &#8211; o que em mim causava certa admiração. Andrei tem muito mais o arquétipo clássico-cult, do tipo que só ouve Oláfur Arnalds, Max Michter ou, sei lá, Hauschka. Não estou botando em dúvida a qualidade de Radiohead, que inclusive sou fã. Perceber Andrei Machado ansioso para algo tão mainstream era besteira de uma pseudo-Síndrome de Underground, mas ainda assim era inusitado, sobretudo porque a música do rapaz é bem diferente do que fazem Thom Yorke e sua trupe.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Andrei Machado completou 21 anos ainda esta semana e sua música já tem muita história para contar. Inspirado no já citado Oláfur Arnalds e em Bosques de Mi Mente, Andrei lançou, no ano passado, um disco elogiadíssimo por crítica e público, brasileiros e estrangeiros, foi indicado por diversos sites e blogs como uma das melhores revelações de 2008 e o Miranda &#8211; jurado do programa Astros, televolução do Ídolos, transmitidos pelo SBT &#8211; indicou o trabalho numa lista de cinco melhores revelações.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Lacuna, título deste primeiro discoo de Andrei, fala sobre os espaços que a vida não nos deixa preencher. Evidente que a emoção alcançada é maior que essa, e tal emoção é causada por, dentre outras coisas, teclas bem pressionadas no piano; mas Lacuna ganha complexidade através da sensibilidade &#8211; simples &#8211; em que seu discurso é trabalhado. O que, diga-se, nos faz viajar no tempo, para uns 6 meses atrás.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Inseguro e indeciso, eu tentava fechar o Rol de Discos de 2008, uma coletânea das melhores coisas que ouvi durante o ano. Era a primeira vez que fazia isso, e estava com muito medo de parecer injusto &#8211; ainda mais que estava falando da arte produzida por outras pessoas. Logo, tenho a sinceridade como requisito básico e incontestável. Viciado que estava na banda carioca Sertão Agrário (eu tinha acabado de descobrir o Sinewave), eu procurava algum disco que tivesse passado desapercebido. Por acaso &#8211; não mais que isso &#8211; Andrei Machado era um dos artistas relacionados na página do Last.Fm do Sertão Agrário. O disco era de 2008 e, veja só, também estava disponível pelo Sinewave. “Por quê não?”, pensei.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Foi assim que Lacuna chegou até mim, e foi assim que entrou para o meu rol de melhores discos de 2008 com um confuso “deve ser ouvido” [http://pelvini.wordpress.com/2008/12/04/rois-de-2008-discos-1/]. Não que música instrumental/ambiente fosse realmente novidade para mim. Acontece que Lacuna havia me atordoado, o rol estava pra ser publicado e, entre ser injusto e ser sincero, preferi a segunda opção. Não parecia certo concluir uma opinião sem ao menos poder ouvir o disco inteiro ou saber mais sobre o cara.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Numa das poucas ocasiões que conversamos, Andrei contou, com a sinceridade que lhe é peculiar, que fora pego de surpresa com o sucesso de Lacuna. “Quando coloquei Lacuna na internet, não esperava toda a repercussão que foi. Fiquei paralisado.”</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Alheio a essa reação de Andrei, tratei de ouvir seu trabalho com mais atenção. Já estávamos em 2009 e tempo não me faltava mesmo, já que fico três horas diárias dentro de transporte público, contando ida e volta (sabe o rapaz no metrô, com fones no ouvido e caderninho e caneta azul na mão? Então, sou eu). Numa dessas viagens ao trabalho, ao ouvir a faixa “Después de Muertos”, do Lacuna, acendeu-se uma lâmpada &#8211; o interruptor das idéias não avisa quando vai ser apertado &#8211; e uma história, um conto sobre viagem no tempo, veio à minha cabeça.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">“E se&#8230;?”, pensei comigo mesmo. Ao chegar em casa, contei minha idéia derivada para a garota das Laranjinhas. “Pensei em escrever um conto baseado no disco do Andrei Machado”. Familiarizada &#8211; dizia ela que trabalhar ouvindo Lacuna era relaxante -, Rebeca me disse que “achava muito legal. Não pensei que você gostasse tanto assim desse disco”. “Pois é, gosto”. “Ei! Você pode escrever e mandar para o próprio Andrei depois!”, “Será?”</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Foi. Após rascunhar as linhas gerais do conto, encontrei Andrei Machado no Orkut e, um tanto quanto atrevido, perguntei se ele podia me passar um e-mail ou Msn para que eu pudesse lhe passar uma coisa. A resposta foi positiva. E, assim, Andrei veio parar na minha lista do Messenger.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Brasiliense &#8211; sim, a cena musical de Brasília é invejável &#8211; Andrei gravou seu Lacuna no curto espaço de dois meses. autodidata, esmerou-se em cada instrumento tocado &#8211; seja ele piano, violino, violoncelo ou sei lá o que mais &#8211; atingindo um minimalismo que é marca de sua música.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Na ocasião &#8211; 5 da manhã de um dia de Março &#8211; Andrei falou dos anseios para com seu novo disco, o recém-lançado Étant, e aproveitou para dizer que tinha gostado do meu review do lançamento recente do Disco Alto, Sierra Nevada [http://pelvini.wordpress.com/2009/02/17/sierra-nevada-disco-alto/]. “Eu acho o Disco Alto uma das melhores bandas de Brasília, se não a melhor”, contou ele, “sou amigo antigo de Rafael M. e acho que ele é um dos melhores compositores daqui, se não o melhor”. Achei interessante a coincidência, e fiquei tentado em discorrer, como usualmente faço, sobre a Teoria dos 6 Graus de Separação [http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_dos_seis_graus_de_separação]. Em 2006 eu conhecera Pierre, que conhecia Rafael, que conhecia Andrei, que conhecia&#8230; Enfim: agradeci o fato de Andrei ter gostado do meu review. Quem não gosta de ouvir uma coisa dessas?</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Dizem que algumas bandas e músicos passam pelo tal do problema do canto do cisne. Como o Caio um dia me explicou, conta a lenda que, antes de morrer, o último canto do cisne é o mais belo de toda sua vida. Bandas ótimas, que lançam seu primeiro cd, parecem sofrer deste problema de perenidade &#8211; bandas maravilhosas, como Guillemots e The Bravery, que o digam ou provem o contrário com um terceiro disco &#8211; mas às vezes a gente se surpreende, como foi o caso do Coldplay, ao superar Parachutes com seu disco seguinte; ou com o próprio Disco Alto, que passou na prova de fogo ao lançar o post-rock progressivo de Sierra Nevada.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">E eu me perguntava se Lacuna seria o último canto do cisne, quando Andrei perguntou se eu não gostaria de escrever o release do seu novo disco. “Gostei do que você escreveu sobre o Disco Alto. Anima de escrever o release de Étant?”. Afobado, aceitei. E como não? Honrado e surpreendido, pude ouvir Étant com antecedência, antes de seu lançamento oficial. Minha opinião? Oras: a teoria do canto do cisne não se aplicou a Andrei Machado.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">No entanto, o temor já estava presente em mim: o release de um compositor em franca ascensão seria escrito por mim, ponto. Dentre outras coisas, um release funciona como um convite para um trabalho &#8211; consegue perceber o tamanho da responsabilidade?</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Com a versão provisória de Étant (“Existência”, em francês) em mãos, tive um branco criativo tão grande como há muito tempo não tivera, uma paralisação que durou dois dias angustiantes. Não era só pela responsabilidade, entende, mas por também trabalhar com algo que gostava muito e não ser apenas diversão pessoal para o meu blog; daquela vez era pra valer. E, por mais que a sensação fosse passada, como traduzir isso em palavras?</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Em seu novo disco, Andrei também se mostrava novo. Nos títulos das músicas, agora fazia referências à Niezsctche e filmes estrangeiros. No tocante ao som, ele experimentava, inclusive deixando os instrumentos usuais de lado em duas faixas no mínimo emblemáticas. “Estou trabalhando nas faixas de Étant há alguns meses, tem cerca de 20 músicas que compus pra este disco. Cara, foi muito difícil escolher o que ia entrar pra versão final”. Seja lá o que ficou de fora, Étant consegue mostrar que Andrei continua nos trilhos do estilo neo-clássico, ousa ao experimentar elementos do post-rock, se consolida através de dois trabalhos que, sendo diferentes, demonstram uma arte de início promissor.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Os passos seguintes de Andrei? Quando indaguei o que ele fazia on-line às 5 da manhã, ele respondeu: “Acabei de chegar em casa, não compensa dormir. Vou pra aula daqui há pouco”. Espera aí, Andrei. Aula de fim de semana? “Ah sim, é um preparatório para concurso público”. Seria perfeito se assim fosse, mas nem só de arte se vive a vida.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">E shows aqui em São Paulo? “Nada programado, mas não é impossível. Tenho amigos por aí que podem ajudar nisso&#8230;”, disse ele, reticente. Bom, aproveita e trás os caras do Disco Alto junto. Seria magnífico. Maio está aqui e um show longe de Brasília &#8211; seja do Disco Alto, seja de Andrei Machado, seja de ambos &#8211; ainda tem moldes de sonho. Nos resta esperar.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Em março passado, na ocasião do convite às 5 da manhã, Andrei me conta que o primeiro single de Étant seria “E, Finalmente, Deixei o Sol Entrar”. Coincidentemente, já eram quase seis horas e começava a amanhecer. Meio que inconsciente, levantei-me da cadeira, apaguei as luzes e abri as janelas. O sol entrou pela fresta recém surgida. Na tela do computador, a janela do Messenger piscava, Andrei havia enviado uma mensagem. Pela primeira vez, reparei que “deixar o sol entrar” &#8211; assim como o trabalho de Andrei &#8211; era de uma conotação absolutamente subjetiva.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">A mensagem na tela?</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">“Pelvini, pode guardar um segredo?”</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Guardar um segredo de um artista cuja sorte me fez amigo? Enfático e bem humorado, digitei de volta: “até a morte, ué!”.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Étant foi lançado essa semana. Entreguei o release escrito com certa apreensão e, felizmente, Andrei pareceu gostar. O pessoal do Sinewave fez até a gentileza de me traduzir para o inglês. É a segunda vez que tenho a experiência de me ler em outra língua e é incrível o quanto sôo direto e objetivo. Como a garota das Laranjinhas me ensinou, tradução é mesmo um jogo de perde e ganha.</div>
<div id="_mcePaste" style="left: -10000px; width: 1px; position: absolute; top: 0pt; height: 1px;">Eu, obviamente, só tenho a agradecer. E você, que ficou comigo até aqui, pode entrar no Sinewave agora e ler o release. Obviamente, o meu texto é só a tentativa de ser extensão do que a música realmente é &#8211; ele deve apenas chamar atenção para o novo disco do Andrei Machado, Étant, que você pode baixar clicando aqui.</div>
<p>Quem fica com o Messenger ligado às 5 da manhã? Poucas pessoas, é verdade. Na minha lista, por exemplo, desde que o <a href="http://www.viniciuswerneck.com/">Vini</a> voltou de Jackson (onde também trabalhava de madrugada), um ou outro gato pingado me faz companhia até que meu horário de trabalho acabe, lá pelas 7. No entanto, eventualmente há algumas visitas: curingas que, inesperadamente, surgem para alguns minutos de conversa. <a href="http://www.myspace.com/andreimachado">Andrei Machado</a> já foi um desses.</p>
<p>Se me lembro bem, era um fim de semana. Tenho certeza de que era em março, pois conversamos sobre o show eminente do Radiohead, uma das bandas favoritas de Andrei. Ele estava bem ansioso para o show, já que viajaria de Brasília para vê-los &#8211; o que em mim causava certa admiração. Andrei tem muito mais o arquétipo clássico-cult, do tipo que <em>só</em> ouve <a href="http://www.myspace.com/olafurarnalds">Oláfur Arnalds</a>, <a href="http://www.maxrichter.com">Max Michter</a> ou, sei lá, <a href="http://www.myspace.com/hauschka">Hauschka</a>. Não estou botando em dúvida a qualidade do Radiohead, que inclusive sou fã. Perceber Andrei Machado ansioso para algo tão mainstream era besteira de uma pseudo-Síndrome de Underground, mas ainda assim era inusitado, sobretudo porque a música do rapaz é bem diferente do que fazem Thom Yorke e sua trupe.</p>
<p>Andrei Machado completou 21 anos ainda esta semana e sua música já tem muita história para contar. Admirador do já citado Oláfur Arnalds e também do <a href="http://www.myspace.com/bosquesdemiment">Bosques de Mi Mente</a>, ele lançou, no ano passado, um disco elogiadíssimo por crítica e público &#8211; brasileiros e estrangeiros -, que foi indicado por diversos sites e blogs como uma das melhores revelações de 2008. Além disso, o Miranda, jurado do programa Astros, televolução do Ídolos, transmitidos pelo SBT, indicou o trabalho numa lista de cinco melhores revelações.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><a href="http://img181.imageshack.us/img181/3250/capaod3.jpg"><img title="Lacuna, de Andrei Machado" src="http://img181.imageshack.us/img181/3250/capaod3.jpg" alt="" width="250" height="250" /></a><p class="wp-caption-text">Lacuna, de Andrei Machado</p></div>
<p><em>Lacuna</em>, título deste primeiro discoo de Andrei, fala sobre os espaços que a vida não nos deixa preencher. Evidente que a emoção alcançada é maior que essa, e tal emoção é causada por, dentre outras coisas, teclas bem pressionadas no piano; mas <em>Lacuna</em> ganha complexidade através da sensibilidade &#8211; simples &#8211; em que seu discurso é trabalhado. E este comentário sobre as impressões deste disco me fazem viajar no tempo para uns 6 meses atrás.</p>
<p>Inseguro e indeciso, eu tentava fechar o <a href="http://pelvini.com/2008/12/04/rois-de-2008-discos-1/">Rol de Discos de 2008</a>, uma coletânea das melhores coisas que ouvi durante aquele ano. Era a primeira vez que fazia isso, e estava com muito medo de parecer injusto &#8211; ainda mais quando estava falando da arte produzida por outras pessoas. Logo, tenho a sinceridade como requisito básico e incontestável. Viciado que estava na banda carioca <a href="http://www.myspace.com/sertaoagrario">Sertão Agrário</a> (eu tinha acabado de descobrir o <a href="http://sinewave.com.br/">Sinewave</a>), eu procurava algum disco que tivesse passado desapercebido. Por acaso &#8211; não mais que isso &#8211; Andrei Machado era um dos artistas relacionados na página do Last.Fm do Sertão Agrário. O disco era de 2008 e, veja só, também estava disponível pelo Sinewave. <em>“Por quê não?”</em>, pensei.</p>
<p>Foi assim que <em>Lacuna</em> chegou até mim, e foi assim que entrou para o meu rol de melhores discos de 2008 com um confuso <em>“deve ser ouvido”</em>. Não que música instrumental/ambiente fosse realmente novidade para mim. Acontece que <em>Lacuna</em> havia me atordoado &#8211; era o tipo de disco que precisa de tempo para entender &#8211; e o rol estava pra ser publicado. Entre ser injusto e ser sincero, preferi a segunda opção. Não parecia certo concluir uma opinião sem ao menos poder ouvir o disco inteiro ou saber mais sobre o cara que o fizera.</p>
<p>Numa das poucas ocasiões que conversamos, Andrei contou, com a sinceridade que lhe é peculiar, que fora pego de surpresa com o sucesso de <em>Lacuna</em>. <em>“Quando coloquei Lacuna na internet, não esperava toda a repercussão que foi. Fiquei paralisado.”</em></p>
<p>Alheio a essa reação de Andrei, tratei de ouvir seu trabalho com mais atenção. Já estávamos no começo de 2009 e tempo não me faltava mesmo, já que fico três horas diárias dentro de transporte público, contando ida e volta (sabe o rapaz no metrô, com fones no ouvido e caderninho e caneta azul na mão? Então, sou eu). Numa dessas viagens ao trabalho, ao ouvir a faixa “Después de Muertos”, do <em>Lacuna</em>, acendeu-se uma lâmpada &#8211; o interruptor das ideias não avisa quando vai ser apertado &#8211; e uma história, um conto sobre viagem no tempo, veio à minha cabeça.</p>
<p><em>“E se&#8230;?”</em>, pensei comigo mesmo. Ao chegar em casa, contei minha idéia derivada para <a href="http://laranjinhas.wordpress.com/">a garota das Laranjinhas</a>. <em>“Pensei em escrever um conto baseado no disco do Andrei Machado”</em>. Familiarizada &#8211; dizia ela que trabalhar ouvindo Lacuna era relaxante -, Rebeca me disse que <em>“achava muito legal. Não pensei que você gostasse tanto assim desse disco”</em>. <em>“Pois é, gosto”</em>. <em>“Ei! Você pode escrever e mandar para o próprio Andrei depois!”</em>, <em>“Será?”</em>.</p>
<p>Foi. Após rascunhar as linhas gerais do conto, encontrei Andrei Machado no Orkut e, um tanto quanto atrevido, perguntei se ele podia me passar um e-mail ou MSN para que eu pudesse lhe enviar uma coisa. A resposta foi positiva. E foi assim que Andrei Machado veio parar na minha lista do Messenger.</p>
<p>Brasiliense &#8211; sim, a cena musical de Brasília é invejável &#8211; Andrei gravou seu <em>Lacuna</em> no curto espaço de dois meses. Autodidata, esmerou-se em cada instrumento tocado &#8211; seja ele piano, violino, violoncelo ou sei lá o que mais &#8211; atingindo um minimalismo que é marca de sua música.</p>
<p>Na ocasião &#8211; 5 da manhã de meados de Março &#8211; Andrei falou dos anseios para com seu novo disco, o recém-lançado <em>Étant</em>, e aproveitou para dizer que tinha gostado do meu <a href="http://pelvini.wordpress.com/2009/02/17/sierra-nevada-disco-alto/">review do lançamento recente do Disco Alto, <em>Sierra Nevada</em></a>. <em>“Eu acho o Disco Alto uma das melhores bandas de Brasília, se não a melhor”</em>, contou ele. “<em>Sou amigo antigo do Rafael M. e acho que ele é um dos melhores compositores daqui, se não o melhor”</em>. Achei interessante a coincidência, e fiquei tentado em discorrer, como usualmente faço para todo mundo, sobre a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_dos_seis_graus_de_separação">Teoria dos 6 Graus de Separação</a>. Em 2006 eu conhecera <a href="http://pierrenarussia.wordpress.com/">Pierre</a>, que conhecia Rafael M., que conhecia Andrei, que conhecia&#8230; Enfim: agradeci o fato de Andrei ter gostado do meu review. Quem não gosta de ouvir isso sobre algo que fez?</p>
<p>Dizem que algumas bandas e músicos passam pelo tal do problema do canto do cisne. Como o Caio, <a href="http://criticaecrise.wordpress.com/">amigo de Crítica e Crise</a>, um dia me explicou, conta a lenda que o passáro fica mudo durante toda a vida e, no último momento antes da morte, canta uma última vez: o canto mais belo de toda sua vida. Fazendo este paralelo com a música, temos exemplos de artistas que não passam de apenas um bom trabalho, de um canto derradeiro. Bandas ótimas, que lançam seu primeiro cd ao mundo, às vezes sofrem deste problema de perenidade: o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=X_aHlHc_Vb4">Guillemots</a> e o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=FKj-sWwYmrw">Bravery</a> que o digam ou provem o contrário com um terceiro disco. Claro que às vezes a gente se surpreende, como foi o caso do Coldplay, ao superar <em>Parachutes</em> com seu disco seguinte; ou com o próprio Disco Alto, que passou na prova de fogo ao lançar o post-rock progressivo de <em>Sierra Nevada</em>.</p>
<p>E eu me perguntava se <em>Lacuna</em> seria um último canto do cisne quando Andrei perguntou se eu não gostaria de escrever o release do seu novo disco. <em>“Gostei do que você escreveu sobre o Disco Alto. Anima de escrever o release de Étant?”</em>. Afobado, aceitei. E como não? Honrado e surpreendido, pude ouvir <em>Étant</em> com antecedência, antes de seu lançamento oficial. E, quer saber minha opinião? Oras: a teoria do canto do cisne não se aplicou a Andrei Machado.</p>
<div id="attachment_658" class="wp-caption alignright" style="width: 282px"><img class="size-medium wp-image-658 " title="Étant" src="http://i012.radikal.ru/0905/a1/96a8f0003e61.jpg" alt="Étant, segundo disco de Andrei" width="272" height="272" /><p class="wp-caption-text">Étant</p></div>
<p>No entanto, o temor já estava presente: o release de um compositor em franca ascensão seria escrito por mim, ponto. Dentre outras coisas, um release funciona como um convite para um trabalho &#8211; consegue perceber o tamanho da responsabilidade?</p>
<p>Com a versão provisória de <em>Étant</em> (“Existência”, em francês) em mãos, tive um branco criativo tão grande como há muito tempo não tivera, uma paralisação que durou dois dias angustiantes. Não era só pela responsabilidade, entende, mas por também trabalhar com algo que gostava muito e não ser <em>apenas</em> por diversão pessoal para o meu blog; daquela vez era pra valer. E, por mais que a sensação fosse perfeitamente transmitida pelo disco, como traduzir isso em palavras?</p>
<p>Em <em>Étant</em>, Andrei também se mostrava novo. Nos títulos das músicas, faz referências à Nietzsche e filmes estrangeiros. No tocante ao som, ele experimenta, inclusive deixando os instrumentos usuais de lado em duas faixas no mínimo emblemáticas  - &#8220;Ecce Homo&#8221; e &#8220;No Limiar da Eternidade&#8221;. <em>“Estou trabalhando nas faixas de Étant há alguns meses, tem cerca de 20 músicas que compus pra este disco. Cara, foi muito difícil escolher o que ia entrar pra versão final”</em>. Seja lá o que ficou de fora, <em>Étant</em> consegue mostrar que Andrei continua nos trilhos do estilo neo-clássico, ousa ao experimentar elementos do post-rock, se consolida através de dois trabalhos que, sendo diferentes, demonstram uma arte de início promissor.</p>
<p>Os passos seguintes de Andrei? Quando indaguei o que ele fazia on-line às 5 da manhã, ele respondeu: <em>“Acabei de chegar em casa, não compensa dormir. Vou pra aula daqui há pouco”</em>. Espera aí, Andrei. Aula de fim de semana? <em>“Ah sim, é um preparatório para concurso público”</em>. Seria perfeito se assim fosse, mas nem só de arte se vive a vida.</p>
<p>E shows aqui em São Paulo? <em>“Nada programado, mas não é impossível. Tenho amigos por aí que podem ajudar nisso&#8230;”</em>, disse ele, reticente. Bom, aproveita e traz os caras do Disco Alto junto. Seria magnífico. Maio está aqui e um show longe de Brasília &#8211; seja do Disco Alto, seja de Andrei Machado, seja de ambos &#8211; ainda tem moldes de sonho. Nos resta esperar.</p>
<p>Em março passado, na ocasião do convite às 5 da manhã, Andrei me conta que o primeiro single de <em>Étant</em> seria “E, Finalmente, Deixei o Sol Entrar”. Coincidentemente, já eram quase seis horas e começava a amanhecer. Meio que inconsciente, levantei-me da cadeira, apaguei as luzes e abri as janelas. O sol entrou pela fresta recém surgida. Na tela do computador, a janela do Messenger piscava, pois Andrei havia enviado uma mensagem. Pela primeira vez, reparei que “deixar o sol entrar” &#8211; assim como o trabalho de Andrei &#8211; era de uma conotação absolutamente subjetiva.</p>
<p>A mensagem na tela?</p>
<p><em>“Pelvini, pode guardar um segredo?”</em></p>
<p>Guardar um segredo de um artista cuja sorte me fez amigo? Bem humorado, digitei de volta: <em>“até a morte, ué!”</em>.</p>
<p><em>Étant</em> foi lançado essa semana. Entreguei o release escrito com certa apreensão e, felizmente, Andrei pareceu gostar. O pessoal do Sinewave fez até a gentileza de me traduzir para o inglês. É a segunda vez que tenho a experiência de me ler em outra língua e é incrível o quanto soo direto e objetivo. Como a garota das Laranjinhas me ensinou, tradução é mesmo um jogo de perdas e ganhos.</p>
<p>Eu, obviamente, só tenho a agradecer. E você, que ficou comigo até aqui, <a href="http://sinewave.com.br">pode entrar no Sinewave agora e ler o release.</a> Obviamente, o meu texto é só a tentativa de ser extensão do que a música realmente é &#8211; ele deve apenas chamar atenção para o novo disco do Andrei Machado, <em>Étant</em>, <a href="http://www.sinewave.com.br/albums/andreimachado/sw09and02.andreimachado_etant.zip">que você pode baixar clicando aqui</a>.</p>
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		<title>Sierra Nevada, Disco Alto</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 05:03:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Conheci o Disco Alto no finalzinho de 2006. Eu tinha acabado de conhecer o Sigur Rós e minha paixão pelo post-rock estava começando. &#8220;Será que existem bandas que fazem esse tipo de música aqui no Brasil?&#8221;, me perguntei. A resposta, &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/02/sierra-nevada-disco-alto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conheci o <a href="http://myspace.com/discoalto" target="_blank">Disco Alto</a> no finalzinho de 2006. Eu tinha acabado de conhecer o Sigur Rós e minha paixão pelo post-rock estava começando. <em>&#8220;Será que existem bandas que fazem esse tipo de música aqui no Brasil?&#8221;</em>, me perguntei. A resposta, felizmente, era positiva. Foi assim que conheci, dentre outras, <strong>Hurtmold </strong>(<em>que se projetou merecidamente ao tocar com Marcelo Camelo)</em>, <strong>Macaco Bong</strong>, e também o <strong>Art.Ficial</strong>. De certo, a minha banda brasileira favorita de post-rock é o <strong>Sertão Agrário</strong>, que escutei apenas na metade final do ano passado. O pódio de primeiro lugar aumentou de tamanho para colocar os caras do Disco Alto como favoritos também.</p>
<p>Como disse, conheci o Disco Alto em 2006 &#8211; uma pesquisa no Google e um link leva a outro, sabe como é -, na página do Trama dizia-se que a banda tinha influência no post-rock islandês. Só isso, à época, já valia a escutada. O primeiro CD deles tinha uma levada mais experimental, remixes aqui e ali, e, para meu assombro, as músicas eram bem curtinhas. Era um som bacana de ouvir, mas diferia bastante do que eu esperava. Não cheguei a chamar isso de frustração, não; era um som bem produzido de uma banda que estava se descobrindo. E, como a internet é realmente um canal aberto, eu consegui entrar em contato com os integrantes da banda, em especial o Rafael M. e o Paulo Renato, o Pierre, que, além de boa gente, tinham <em>(e, como logo vi, ainda têm)</em> todo um quê de artistas cult, sempre exacerbando criatividade. Valeria a pena esperar o próximo disco, que estava em produção, como mostravam através das comunidades do orkut e em vídeos esporádicos postados no YouTube<em> (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=SqNy3Q11OYQ" target="_blank">como o visto de Circo 66</a>)</em>.</p>
<p>Felizmente &#8211; e finalmente! &#8211; a espera acabou. <strong>&#8220;Sierra Nevada&#8221;</strong>, o novo trabalho dos brasilienses do Disco Alto, foi lançado no início deste ano com pouco barulho e uma nova formação de integrantes. O resultado surpreende. Demonstrando franca evolução, este Sierra Nevada mostra um som sempre coerente e direto. As guitarras têm um pouco do latino Gustavo Santaolalla à primeira ouvida, mas eu diria que o grande trunfo deste disco é o de beber da fonte do rock progressivo, sobretudo na voz etérea do vocalista que, quando somada aos coros de fundo, deixa de apenas comentar a música <em>(como no primeiro disco)</em> para se tornar parte dela.</p>
<p>A letra, que segue a linha triste e nostálgica que permeia todo o trabalho, é incorporada ao bom resultado. Essa maturidade sentida está na confessionalidade: sempre demonstrando uma pessoalidade tocada por uma leve esperança, foi alcançado o tom certo para que não ficasse dramático ou meloso; e o resultado é muito bonito. O que falo fica claro em <strong>Antigo Testamento</strong>, logo a segunda faixa <em>(&#8220;Foi mal não ter explicado bem/que o tempo vai voltar/atrás outra vez/e vai mudar você&#8221;)</em>. E, já que falei de pessoalidade:<strong> Micropolo</strong>, a melhor faixa do disco, tem uma letra tão particular que é quase sem sentido &#8211; ainda que sua beleza seja inegável <em>(e a parte final da música é quase um hino, que deverá ser gritado xiitamente nos shows da banda)</em>.</p>
<p>Micropolo também é o principal exemplo do quão minucioso foi a feitura desse disco. O minimalismo está lá, e você não precisa fechar os olhos para fazê-lo perceptível. Todo este cuidado também é visto na faixa <strong>Quinta</strong>, que, acompanhada de uma bateria paciente ao fundo, é um discurso sobre dor tão simples <em>(mais falado do que cantado)</em>, com um epílogo instrumental que facilmente explode e arrebata o ouvinte. Eu acho que aqui está a essência para se fazer um bom post-rock; a paciência e o cuidado com os excessos. Parecendo conhecer a máxima <em>&#8220;menos é mais&#8221;</em>, Sierra Nevada tem apenas dez faixas; o suficiente pra ser no mínimo coeso e, de quebra, nortear a carreira do Disco Alto.</p>
<p>Demonstrando-se realmente eficiente no quesito instrumental &#8211; não é à toa que Rafael M. é fã de <strong>Do Make Say Think</strong>, por exemplo &#8211; o Disco Alto acaba virando um bom representante do cenário post-rock brasileiro. Revelando-se, sobretudo na voz, parecidos com bandas estrangeiras como <strong>Gregor Samsa</strong> e, por que não, <strong>Efterklang</strong> <em>(por motivos óbvios, apenas na voz masculina)</em>, eles ainda cantam em português<em> (algo que vem se tornando raro no estilo)</em>, o que de fato não é fácil e se torna um diferencial. Ainda assim, seria realmente interessante &#8211; e não desmerecedor &#8211; ter a opção de ouvir uma versão de Sierra Nevada sem suas letras.</p>
<p>Enfim: o Disco Alto acertou em cheio e está de parabéns. Ainda este mês estive conversando com o João, um amigo que viveu fervorosamente o que ele chama de <em>&#8220;boa época da música brasileira&#8221;</em>; e conversávamos sobre como, num geral, a música brasileira tem estado vergonhosa, com sua produção meia boca, suas letras clichês, conquistadoras de populacho e de pouca profundidade. Eu disse pra ele que, felizmente, a internet estava mudando esse cenário, bastando a procura paciente por um som bacana. Ele me pareceu cético, e eu prometi pra ele que iria lhe emprestar um CD com coisas legais, como Orquestra Imperial, Marcelo Camelo, Ganeshas ou Mallu Magalhães. E, é claro, colocaria coisas ainda mais sensíveis como o primoroso Lacuna, de <strong>Andrei Machado</strong>, e o também fantástico Crescendo, do Sertão Agrário <em>(apresentar música instrumental e post-rock é um trabalho difícil, a bem da verdade, é preciso acostumar os ouvidos novos com apresentações a conta-gotas)</em>.</p>
<p>Bom, eu ainda não emprestei o tal CD, porque ainda não o gravei &#8211; e que bom, porque agora dá tempo de acrescentar Sierra Nevada, do Disco Alto. A recomendação vai pro João, mas também fica pra você que está aqui, lendo. E, se mora em Brasília, dê seu jeito de ver o trabalho da banda ao vivo, pois esse é um privilégio que eu, ao menos por enquanto, não tenho.</p>
<p><a href="http://www.4shared.com/file/77141575/21180741/Disco_Alto_-_Sierra_Nevada.html" target="_blank"><em>Clique aqui e baixe Sierra Nevada, o novo e belo trabalho do Disco Alto.</em></a></p>
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