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	<title>Pelvini &#187; despedidas</title>
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	<description>a palavra é o principal desafio</description>
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		<title>Qual o Naipe do John Mayer?</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 01:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos Desafiadores]]></category>
		<category><![CDATA[aeroporto]]></category>
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		<description><![CDATA[Desafie-me um Texto #21 Descrever a cena da Camila encontrando o John Mayer no aeroporto depois de ido dar tchau pra Beca que estava indo pra Paris. Claro que nós (eu, você e a Lê, menos a Beca que estaria &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/09/qual-o-naipe-do-john-mayer/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<blockquote>
<p style="margin-bottom: 0cm;"><strong>Desafie-me um Texto #21</strong><br />
Descrever a cena da Camila encontrando o <a href="http://www.johnmayer.com/" target="_blank">John Mayer</a> no aeroporto depois de ido dar tchau pra Beca que estava indo pra Paris. Claro que nós (eu, você e a Lê, menos a Beca que estaria embarcando) estaríamos lá vendo toda a cena. Um super beijo. <strong>(Dáina G. Silva)</strong></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Não sabe quem é o John Mayer? <a href="http://www.youtube.com/watch?v=YZ0z86LmXBM" target="_blank">Clica aqui</a> e veja o clipe da música que o cara fez pro filme &#8220;The Bucked List&#8221; ou &#8220;Antes de Partir&#8221;, de 2007, com Jack Nicholson e Morgan Freeman<strong>.<br />
</strong></p></blockquote>
<p style="margin-bottom: 0cm;"><em>&#8220;São Bernardo do Campo, 20 de Novembro de 2009</em></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;"><em>Be,</em></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Acabei de chegar do aeroporto e já tô escrevendo pra você. Pode chamar de saudade desesperada, mas depois que você partiu aconteceu uma coisa TÃO inusitada que preciso escreve-la enquanto ela está fresca na minha memória. Claro que vamos conversar antes que esta carta alcance o correio de Toulouse, lá na França, mas enquanto você não se instala – você deve estar no avião ainda – vou contar por aqui mesmo.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Depois que o avião partiu, a galera que foi te falar tchau decidiu dar uma volta no aeroporto antes de ir embora. Um bando de turistas, claro. Bom, meio que sem querer, acabamos parando naquela livraria que você e sua mãe comentaramaquele dia, sabe? E quando vi, estavam lá os naipes do Baralho – Copas, Paus e Espadas – tirando você, é claro, e eu.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Enquanto a gente fingia conversar &#8211; tudo parecia muito disperso &#8211; pra fazer passar a momentânea tristeza, fiz o que sempre fizemos, eu e você, quando vamos às livrarias: procurei pelo Jostein Gaarder<em> (e logo, percebi, cada um de nós buscava o que mais gostava em meio aos livros: a Letícia de Copas estava à vontade com Nora Roberts, a Dáina de Espadas titrava foto com Karl Marx e a Camila de Paus – claro – procurava algo que criticasse o Lula)</em>.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Depois de perceber que folhear &#8220;A Garota das Laranjas&#8221; era um exercício dispensável de saudosismo para o momento <em>(mas, claro, dei aquela olhada no trecho da loteria)</em>, larguei o livro, disposto a procurar algo que não remetesse a você. Felizmente não precisei encarar a impossibilidade desse objetivo: Às de Espadas surgiu entre as prateleiras.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“Rafa, vem aqui”, disse a Dáina, que me puxou até a vitrine. Dali tínhamos uma boa visão de lá de fora, onde as pessoas estavam sentadas nas mesas de um Café. Na altura de nossa cintura, a coleção Harry Potter dividia atenção com – eu, hein – a saga Crepúsculo e afins. “Tá vendo ali, um cara sentado junto de um careca de óculos escuros?”, perguntou ela, chamando minha atenção, “Quem te parece?”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“Um rapaz curvado querendo ser indie?”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“Não.”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“Um cara que acordou tarde, pôs óculos pra esconder olheira e esqueceu de pentear o cabelo?”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“Não.”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“Ele é o michê do careca? É um casal gay? Pai careca e filho cabeludo? Sósia do Johnny Depp depois da hepatite?”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“Não, não, não, não.”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;"><em>(e você sabe, Beka, que eu sei ser bobo e irritante quando fico chateado)</em></p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“Então é um desconhecido.”, respondi, dando de ombros.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">E, enquanto a Dáina, vaga e desconfiada</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“MEU”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">olhava para mim pra me explicar</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“DEUS”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">o que ou quem ela achava que era</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“DO”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">o homem cabeludo de óculos escuros,</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“CÉU”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">a Camila, atrás da gente, nos deu a resposta:</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“É O JOHN MAYER!”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">A Camila mais parecia o Mach 5 em pista de corrida; atropelou cinco velhinhos e pisoteou duas crianças, mas num piscar de olhos estava na mesa do cara. Letícia e Dáina, claro, saíram correndo em seguida.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Pouco a pouco, umas outras pessoas foram se aglomerando por lá. Alcancei a Letícia, que ficara um pouco atrás – eu ainda não tinha acreditado que era MESMO o John Mayer – e vi , ao parar ao lado dela, que eu não era o único a não ser fã do tal cantor.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“É ele mesmo?”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“Tá brincando?”, respondeu Às de Copas, rindo.“Os olhos da Camila tão brilhando tanto que a Rebeca lá no avião tá vendo.”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Dá pra acreditar? É tipo eu encontrar um dos Sigur Rós no supermercado ou a Dáina trombar com o Yann Tiersen na farmácia: o cúmulo do improvável.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">De qualquer forma, saquei o celular e tirei umas fotos <em>(as pessoas se juntavam mais, foi difícil)</em>, a Letícia abriu minha mochila, pegou minha caneta piloto<em> (não disse que isso AINDA seria útil e antes de eu virar professor?)</em> e jogou pra Camila, que, sem pestanejar, deixou o Mayer assinar na roupa dela. PENSA na tietagem.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Depois, quando a gente se desvencilhou da multidão formada <em>(que tipo de artista acha que pode tomar café tranquilamente num aeroporto?)</em>, perguntei pra uma Camila emocionada o que afinal de contas ela falou pro cara.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">“FALAR? A única coisa que eu consegui dizer foi o quanto achava ele lindo!”</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Acredita!? Vocês mulheres nunca perdem a chance de&#8230; serem garotas!</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Enfim, Be&#8230; Nada disso aconteceu de verdade. Foi só um desafio pro blog que a Dáina pediu pra eu escrever. Achei que, daí, você se divertiria ao ler caso se sentisse sozinha. Enquanto isso, com as palavras, eu vou inventando momentos&#8230; Só pra fingir que o mundo continua da mesma cor sem você aqui por perto.</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;">Estou com saudades,</p>
<p style="margin-bottom: 0cm;" align="RIGHT"><em> Don&#8217;t you leave me<br />
Rafael&#8221;</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ponto de Despedida</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 14:09:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos Desafiadores]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[desafios]]></category>
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		<description><![CDATA[Desafie-me um Texto #15 Te desafio a fazer um texto de despedida [pra] quando for sair, é claro&#8230; Abraços! (Eduardo Tavares) Pra situar: estou saindo da empresa onde, nos últimos seis meses trabalhei nas madrugadas. Eduardo Tavares foi o amigo &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/07/ponto-de-despedida/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Desafie-me um Texto #15</strong><br />
<em><strong> Te desafio a fazer um texto de despedida [pra] quando for sair, é claro&#8230; Abraços!<br />
(Eduardo Tavares)</strong></em></p>
<p>Pra situar: estou saindo da empresa onde, nos últimos seis meses trabalhei nas madrugadas. Eduardo Tavares foi o amigo que eu fiz lá, companheiro de papo e de silêncio durante o (às vezes longo) expediente. Mentira não: Edu foi uma lição e tanto de tolerância e astúcia. Explicações feitas, vamos ao texto. Uma carta.</p></blockquote>
<p>Edu,</p>
<p>Como já me mudei bastante – de casa, de cidade, de escola, de faculdade e até de mim mesmo – posso dizer que sou assim, um perito em despedidas. Eu não gosto de me reconhecer desse jeito, mas também não sou do tipo que reclama dos limões da limonada, saca? A vida por si só já é muito generosa pra que a gente encha o coração de choradeiras, e eu tenho que confessar: as despedidas que fiz ou que fui obrigado a fazer têm um lado bacana de inseparável peculiaridade.</p>
<p>Mas tudo bem: o mistério que vem depois da despedida é algo que não dá pra diferenciar de nenhuma delas. Quer dizer, fica sempre aquela frase no ar, “Vamos nos encontrar de novo” &#8211; uma promessa que ninguém sabe se será realmente capaz de cumprir. Bom, é daqui que pretendo partir no meu texto do adeus e, pra isso, devo falar das minhas antigas despedidas, devo falar das minhas antigas promessas.</p>
<p>Elas variam de acordo com a pontuação gráfica do final: ponto final, ponto de exclamação e ponto de interrogação.</p>
<p><strong>“Vamos nos encontrar de novo.”</strong> Essa foi a primeira despedida forte que eu fiz, quando mudei do interior pra São Bernardo do Campo. Não vou mentir, foi difícil pra burro, porque pra mim não foi um adeus, sabe? Esse ponto final ali na frase foi tão bem colocado que eu demorei uns quatro anos (juro) pra perceber que todos os meus amigos haviam se despedido e eu não. É aquela coisa: às vezes você deixa de fazer uma coisa, aí a vida vem e faz essa coisa por você. É difícil quando a gente acha que a promessa da despedida é um fato. Porque a gente demora mesmo pra perceber que fato é <em>só</em> a despedida. E, nesse caso, com o ponto final, “Vamos nos encontrar de novo” é só ilusão.</p>
<p><strong>“Vamos nos encontrar de novo!”</strong> Ah, essas são as despedidas felizes! Não há muito o que falar aqui, pois é um adeus que favorece. Um adeus que é apenas circunstância pra que tudo dê certo. Pra mim, a promessa de despedida com o animado ponto de exclamação já aconteceu bastante: com minha amiga quase francesa me estendendo uma carta de baralho, com o poeta da inocência dizendo “juízo, dorme bem”, com o <a href="http://pelvini.com/2009/02/coracao-de-aline/">coração de Aline</a> seguro nas minhas mãos e por aí vai. Aqui, o ponto de exclamação faz com que o “Vamos nos encontrar de novo” seja uma promessa possível. Que bom.</p>
<p><strong>“Vamos nos encontrar de novo?”</strong> Quando as chances de rever alguém é um meio a meio, o que resta é esperar. Esperar por uma oportunidade, pela possibilidade, por um momento – coisas que, a bem da verdade, a vida faz acontecer dos jeitos mais estranhos possíveis. Sabe como é, né? A gente costuma se despedir de quem quer ver, mas vê demais aqueles de que quer se despedir. E assim, a interrogação no fim do “Vamos nos encontrar de novo” não cria apenas uma pergunta. Cria uma eventualidade.</p>
<p>Bom, Edu: você é um desses casos aqui, de interrogação. Mas quer saber? Isso não é ruim não! A melhor coisa de uma promessa com interrogação no final é reconhecer que a resposta, no fim das contas, é “Sim!”. Lidar com as promessa é uma coisa complicada, eu sei, mas&#8230; Sei lá, despedir-se, no fim das contas, é uma coisa fácil. Fala a verdade, existe outro jeito de se despedir se não&#8230; Se despedindo? Porque eu não conheço. É bobo, é óbvio, eu sei. Mas é verdade.</p>
<p>E aí você me pede pra escrever um texto pra quando chegar minha despedida. Só existe um texto a ser escrito, lido e dito num caso desses, e é um texto de uma palavra só: “Adeus” (ok, variações disso também são possíveis). Viu, é fácil – e isso acontece porque não é isso que importa; são as promessas que a gente faz que realmente importam. E aí, vamos nos encontrar de novo? Dia desses, tenho certeza disso.</p>
<p>No tabuleiro da vida, as despedidas fazem o papel dos dados, e só nos resta jogar pra avançar de casa. E é só assim, jogando, que a gente vai seguindo adiante. Olha, até parece que tão pregando peça! Esse tabuleiro parecer ter apenas um ponto de partida e um montão de pontos de despedidas&#8230;</p>
<p>Mas, ah! Pelo menos dessa vez, acredito que as melhores promessas vêm acompanhadas desse meu próximo adeus. É que, pelo menos hoje, eu tenho certeza de que to tomando a decisão certa. E não se preocupa não: qualquer dia desses, <em>prometo</em>, <a href="http://pelvini.com/2009/03/entre-tres-e-quatro-horas/">entre três e quatro horas</a> da manhã, vou ligar de surpresa pra saber se você está trabalhando&#8230;</p>
<p>E é assim que eu me despeço, parceiro! Adeus! </p>
<p>(:</p>
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		<title>Um diálogo no escuro</title>
		<link>http://pelvini.com/2009/06/um-dialogo-no-escuro/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 13:36:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavras Fortuitas]]></category>
		<category><![CDATA[despedidas]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Rebeca, minha melhor amiga, vai pra França. - Mas quando eu voltar, a gente&#8230; - Você não vai voltar. Porque entre nós não existem voltas. Existem reencontros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://laranjinhas.wordpress.com/" target="_blank">Rebeca</a>, minha melhor amiga, vai pra França.</p>
<p>- Mas quando eu voltar, a gente&#8230;</p>
<p>- Você não vai voltar.</p>
<p>Porque entre nós não existem voltas. Existem reencontros.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Au Revoir</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 01:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavras Fortuitas]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[começos]]></category>
		<category><![CDATA[despedidas]]></category>
		<category><![CDATA[distância]]></category>
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		<description><![CDATA[Aprendi muito cedo qual o tamanho da força que a distância exerce sobre a amizade. E a maioria das amizades é circunstancial, o que me leva a um paradoxo: já perdi grandes amigos porque ficamos longe, ao passo que tenho &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/05/au-revoir/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aprendi muito cedo qual o tamanho da força que a distância exerce sobre a amizade. E a maioria das amizades é circunstancial, o que me leva a um paradoxo: já perdi grandes amigos porque ficamos longe, ao passo que tenho pessoas realmente queridas há setecentos quilômetros de mim. Falo sobre isso porque, daqui uns meses, minha melhor amiga vai, literalmente, para um outro lado do mundo. A perspectiva é de que ela fique pouco tempo, coisa de um mês, mas a perspectiva é fabricada pela cabeça. O coração, movido pelo sentimento, diz que ela vai ficar mais, muito mais que só um mês &#8211; e não me entenda mal, porque isso seria maravilhoso.</p>
<p>Mas eu a conheci aos dezenove anos, então ficamos todo esse tempo - minha vida inteira, até ali &#8211; longe. E agora temos, lá na frente, <em>só</em> esse um mês de distância, e eu estou apavorado. É possível caber medo e felicidade dentro do coração, ambos ao mesmo tempo?</p>
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		<title>Eu, Lia</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2009 12:59:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Lia]]></category>
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		<description><![CDATA[O argumento estava pronto no nome da menina que eu, surpreso, via na tela do computador da empresa. Sim, porque meu primeiro contato com Lia foi absolutamente semântico: abri a tela e estava lá, Lia Fernandes. Deliciosamente inconformado, sorri e &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/05/eu-lia/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O argumento estava pronto no nome da menina que eu, surpreso, via na tela do computador da empresa. Sim, porque meu primeiro contato com Lia foi absolutamente semântico: abri a tela e estava lá, Lia Fernandes. Deliciosamente inconformado, sorri e disse pra mim mesmo que &#8220;lia Lia Fernandes&#8221;. Lia Lia. Só isso já foi o bastante para gostar da moça; mas houve mais.</p>
<p>Deve ser joia se chamar verbo, continuei pensando, sobretudo um dos meus verbos favoritos, ler, num dos meus tempos verbais favoritos, o pretérito (soa tão bonito). Porém, aqui, observe que &#8220;Lia&#8221; dá uma impressão de continuidade, de promessa, de nostalgia. <em>&#8220;Aos 12 anos, lia Pedro Bandeira&#8221;</em> e <em>&#8220;Clarice Lispector? Eu lia muito, hein?&#8221;</em> ou <em>&#8220;Bons tempos, quando lia sobre o amor sem pretensões!&#8221;</em>. É uma sorte grande carregar uma porção de significados incomuns e legais no próprio nome; onde será que os pais de Lia leram Lia?</p>
<p>Quando conheci Lia Fernandes corpórea, lá na empresa mesmo, descobri outras coisas legais: a voz dela é suave como leite morno, ela ri com uma contida rouquidão feminina, gosta de jogo da velha e de palavras cruzadas da Coquetel. Pra completar, Lia sempre levava um livro pra ler nos intervalos do serviço. E, quer saber? Lia lia livros legais! Poder falar essa frase, num pretérito imperfeito mais que perfeito, se tornou uma alegria pessoal: <a href="http://pelvini.com/2009/01/20/lia-lia/">se tornou poema</a>.</p>
<p>Uma vez, Lia tomou chuva. Almoçávamos e Lia saiu apressada para resolver uma cotidianidade. Era um dia de sol forte e eu não sei de onde a água veio. Quando saímos pra calçada, Lia descia pelo outro lado da rua, com a expressão bonita de menina moça e a água pendendo em sua pele como o orvalho faz suspense numa folha. Gritamos &#8220;Lia!&#8221; e Lia veio, não indiferente à chuva, mas fazendo parte dela. Lia chegava como as implacáveis águas do verão, com a beleza de uma chuva repentina. Aí o sol nos iluminou e as gotas na pele de Lia eram só arco-íris e, por isso, não aguentei:</p>
<p><em>&#8220;Lia, com todo o respeito, você está linda&#8221;</em> (além de ter nome de verbo bacana, com <em>N</em> e <em>D </em>ela virava adjetivo bonito!, comemorei em silêncio).</p>
<p>Eu queria dizer como era fantástico alguém trazer pra perto da gente um milésimo tão literal e precioso de um prisma de cor, mas sei que isso soa melhor escrito que falado, e eu não queria ter a sorte de ser mal interpretado. Ninguém zombou de Lia por ser a única a estar molhada e não tinha como fazer isso mesmo. Lia era só beleza, agradecimento, e cor.</p>
<p>Como todos sabem, e eu me incluo nessa, viver é se despedir. No dia que decidi virar notívago, sabia que estava me relegando de Lia. E foi assim: enquanto ela dormia, eu estava acordado, nos privando de jogos da velha virtuais e imaginários, de conversas curtas e bobinhas&#8230; Ainda que, sempre, me bastava saber que continuávamos a frequentar o mesmo local diariamente. É, era mesmo bom saber que Lia continuava ali.</p>
<p>Semanas depois, o recado: <em>&#8220;Você sabe o quanto te adoro, né? Conversamos mais tarde. P.S.: não trabalhamos mais no mesmo lugar&#8221;</em>; era nossa despedida. Lia ia.</p>
<p>Embora não a tenha visto pra trocar o adeus por um abraço, meu coração ficou agraciado. Lia tinha se lembrado de um menino bobo que se apaixona por substantivos que são verbos e que, na maioria das vezes, gosta de todo mundo gratuitamente. Lia havia se lembrado de mim. E, aliás, o quadro onde ela escreveu sua despedida está bem guardado aqui em casa &#8211; um presente direto do recém passado.</p>
<p>E foi assim com Lia. Tem vezes que perdemos pessoas e as largamos de vez, mas em outras perdemos pessoas para ganhá-las de uma vez por todas. Lia é um desses casos. E, Lia, como você bem sabe, a distância e o silêncio infelizmente virão, e estes são tão implacáveis quanto sua graça sob a chuva e o sol. Nós vamos lidar com isso quando for a hora. Eu acho.</p>
<p>E, ah, ninguém mais tira de mim a associação imediata entre uma das coisas mais legais de se fazer no mundo &#8211; ler &#8211; e uma das pessoas mais incríveis que conheci na vida &#8211; Lia. Porque a gente pode não se ver nunca mais, mas ler livros legais é uma coisa que acontece sempre. Paradoxalmente, isso não me deixa longe de Lia, oras: isso ninguém me tira. Por isso, o título desse texto tem um sentido múltiplo, tem um sentido para hoje e para daqui cem verões.</p>
<p>Porque eu, pra sempre, Lia.</p>
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		<title>Escova de Dente e Xícaras de Chá</title>
		<link>http://pelvini.com/2009/03/escova-de-dente-e-xicaras-de-cha/</link>
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		<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 06:12:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O rapaz entra no banheiro, a luz de óleo iluminando um rosto tomado por algumas veias e eventuais espinhas. Ele se olha no espelho e, é assim com todo mundo, vê muito mais que apenas isso, sobretudo quando encara a &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/03/escova-de-dente-e-xicaras-de-cha/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O rapaz entra no banheiro, a luz de óleo iluminando um rosto tomado por algumas veias e eventuais espinhas. Ele se olha no espelho e, é assim com todo mundo, vê muito mais que apenas isso, sobretudo quando encara a fundo os olhos expressivos. <em>&#8220;Este é você&#8221;</em>, ele diz pra si mesmo. Ele se despe, os pés tocando o piso gelado até o chuveiro, de água em temperatura igual. Enquanto se molha, o rapaz repete em sua cabeça as mesmas frases que martelam em sua cabeça, pensamentos soltos, mas isolados e invioláveis.</p>
<p>Ele refaz mentalmente o seu caminho inverso, por calçadas futuramente nostálgicas. Sua memória, absolutamente confusa, o leva a lugares prediletos, rostos recentes mas já tão familiares, um supermercado, o sorvete. Este é o caminho de seu corpo, claro, mas levado por apenas cinco por cento de sua mente. Ah, a mente está lá longe, mergulhada em uma xícara de chá que ele costumava usar quando morava com sua família; é isso. <em>&#8220;Este é você. Você tem uma família. Você toma xícaras de chá.&#8221;</em></p>
<p>Xícaras. De chá. Tomava litros para poder dormir, mas sempre ganhava a insônia dos solitários, que o jogava nas ruas como se o expulsasse de si mesmo, sem o impedir de existir, mas também sem que ele pudesse obter respostas. É sexta-feira à noite, a última sexta feira de um espetáculo de circo de altos e baixos, com atrações de interesses incríveis, mas também de gostos duvidosos. Não, nunca tão gostosos quanto as xícaras. De chá.</p>
<p>Com o sorvete na sacola, sozinho pela longa avenida, o rapaz pensa. O corpo o leva para casa, coisa que ele já não sabe o que significa, mas o leva para lá, enquanto ele cantarola evitando melismas insuportáveis. Deve ser uma figura interessante para os outros que passam, mas ele não liga. Num geral estava melhor acompanhado quando sozinho, fato constantemente observado com contradição, porque tudo que ele mais quer no mundo é a companhia de alguém que o entenda. Mas ainda assim, é só ele, e apenas ele, cantando sozinho numa sexta feira à noite.</p>
<p>Ele chega em casa e o sorvete vai pra dois lugares gelados em tempos diferentes: primeiro, para a geladeira, depois para seu coração triste. <em>&#8220;É um sorvete delicioso demais, vai dividir com alguém?&#8221;</em>, ele diz <em>&#8220;Pretendo&#8221;</em>, mas ficaria &#8211; mesmo &#8211; apenas na pretensão. No fim das contas, os que tentavam violar seu cérebro acabavam também querendo isolá-lo. Era uma máxima que ele já desistira de questionar. O celular diz que vai tocar, mas não toca, mesmo. Ele toma o sorvete junto de seu edredom e de uma sombra vazia, mas antes disso ele guarda as últimas roupas na mala.</p>
<p>O rapaz entra no banheiro, a luz de óleo iluminando o rosto tomado por algumas veias e eventuais espinhas. Ele se olha no espelho e, é assim com todo mundo, vê muito mais que apenas isso, sobretudo quando encara a fundo os olhos expressivos. <em>&#8220;Este é você&#8221;</em>, ele diz, e a expressão de seu rosto é enigmática, no limiar de uma lágrima, na antecipação de um sorriso. <em>&#8220;Cantando sozinho, sexta feira à noite, você e sua mente esquecida.&#8221;</em></p>
<p>Ele desliga o chuveiro, a toalha é azul, da cor da liberdade infinda e desconhecida. Seus pensamentos analisam a situação, torturam contra e a seu favor. Talvez ele esteja louco, talvez não. Ele costuma escovar os dentes após o banho, fazer um enxágue bucal, e, por vezes, passar o fio dental. Desta vez, porém, ele esqueceu. A cabeça está na música que ele cantarolava sozinho,na calçada que pisou, sozinho.</p>
<p>A companhia de suas xícaras de chá não costuma confortar, pois deixavam um gosto amargo na boca, fazendo-o escovar os dentes com determinada displicência. E depois ele olhava no espelho e dizia &#8211; sempre e apenas &#8211; para si mesmo:</p>
<p><em>&#8220;Este é você. E eu espero que fique tudo bem.&#8221;</em></p>
<p>Ele tem uma mudança e mil consequências, ou uma consequência para mil mudanças. Ele tem mil opiniões e nenhum tempo pra explicar, ele tem a solidão e mil pessoas para lhe fazer companhia, ele tem uma calçada predileta e mil delas sem pisar, ele tem uma escova de dente e mil xícaras de chá.</p>
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		<title>Lembranças Que Voam</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Sep 2008 21:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios Deliberados]]></category>
		<category><![CDATA[céu]]></category>
		<category><![CDATA[despedidas]]></category>
		<category><![CDATA[lembranças]]></category>
		<category><![CDATA[passado]]></category>
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		<category><![CDATA[saudades]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje peguei um punhado de lembranças e as joguei janela afora. Pássaros coloridos, as lembranças se fundiram facilmente no céu. Observei em silêncio as aves se afastarem e sumirem nas nuvens escuras que guardam nossas histórias. E choveu. Porque sempre &#8230; <a href="http://pelvini.com/2008/09/lembrancas-que-voam/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje peguei um punhado de lembranças e as joguei janela afora. Pássaros coloridos, as lembranças se fundiram facilmente no céu. Observei em silêncio as aves se afastarem e sumirem nas nuvens escuras que guardam nossas histórias. E choveu.</p>
<p>Porque sempre que nos despedimos, abrimos uma gaiola &#8211; o coração &#8211; e deixamos que as lembranças lá aprisionadas façam parte de algo maior&#8230; Constituem nossa memória. E aí as lembranças se vão como passarinhos livres e se juntam aos que já deixamos para trás, num lugar que sempre podemos olhar quando estamos com saudade&#8230;</p>
<p>O céu do Passado. E aí, sabe como é. A gaiola fica aberta, querendo aprisionar novas aves, novos aspirantes a boas lembranças. Enquanto isso, a gente se senta, num gramado verde como só o verde nostálgico sabe ser, olha para o alto e espera alguns passáros surgirem das nuvens. Alguns são mais atrevidos, voltam freqüentemente e pousam no seu ombro, nos seus dedos&#8230; Formando as lembranças que nos acompanharão para sempre.</p>
<p>E mostrando que, aprisionar o passado no coração pode trazer uma felicidade efêmera &#8211; mas, que por ser prisioneira, jamais será completa. Será sempre condicionada.</p>
<p>Por isso, hoje peguei um punhado de lembranças e joguei janela afora. Elas voaram, e eu fiquei livre. Não das lembranças, ou dos pássaros, como preferir. Fiquei livre porque sei que, toda vez que olhar para o céu do passado, as lembranças estarão lá, felizes. Voando.</p>
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		<title>Outono</title>
		<link>http://pelvini.com/2007/05/outono/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 May 2007 03:44:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Composições Escritas]]></category>
		<category><![CDATA[despedidas]]></category>
		<category><![CDATA[estações]]></category>
		<category><![CDATA[outono]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembra-se de Verão? Existe outro conto, que integra as Quatro Estações, chamado Outono. Não tão depressivo quanto o outro, mas não tão feliz. * * * As folhas secas do outono cobriam toda a rua arborizada, balançando com o vento &#8230; <a href="http://pelvini.com/2007/05/outono/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembra-se de <em>Verão</em>? Existe outro conto, que integra as <strong>Quatro Estações</strong>, chamado Outono. Não tão depressivo quanto o outro, mas não tão feliz.</p>
<p>* * *</p>
<p>As folhas secas do outono cobriam toda a rua arborizada, balançando com o vento incessante da estação.<br />
Fazia exatamente um ano&#8230;</p>
<p><em>“Ele, Leonardo, com a máscara prateada e preta nos olhos. Dezenove anos, cabelos e olhos escuros como a noite.<br />
Aquela era mais uma daquelas noites promovidas pela lanchonete mais famosa da cidade. O baile das máscaras.<br />
Leonardo e os amigos, sentados na mesa coberta com a toalha vermelha. A música tocando e encantando quem estava na pista, dançando.<br />
- Veja, Leonardo.- falou Tiago. Leonardo não ouviu. A música estava alta? Sim, mas nem tanto, e Leonardo não ouviu, pois prestava atenção em outra coisa.<br />
Uma garota com um lindo e provocante vestido vermelho, uma máscara dourada em volta dos olhos verdes, os cabelos castanhos caindo suave por seu corpo.<br />
- Ah, já viu.- disse Tiago, dessa vez para si mesmo.<br />
Ela, Juliana. Sem namorado, simplesmente linda, esperando um convite para uma dança. A pista não estava cheia. Aquela noite era menos agitada, mais romântica; os adolescentes preferem a música agitada e exorbitante.<br />
Quando trocou a música, Juliana olhou para Leonardo pela primeira vez.<br />
Ele sorriu, ela olhou para baixo, sem jeito. Depois, levantou a cabeça e ostentou o olhar.<br />
Leonardo se levantou, dirigindo-se até ela.<br />
- Me dá o prazer desta dança?- perguntou ele, estendendo a mão.<br />
Ela segurou a mão dele.<br />
O início de uma grande paixão.”</em></p>
<p>Brisa constante que esfria os corpos.<br />
Tarde triste, rua desolada. Leonardo sentado no meio-fio, observando a própria solidão, ouvindo o farfalhar das folhas&#8230;<br />
Pensando o quanto o outono era&#8230; Misterioso.<br />
Ainda ontem, o sol despontava no céu. Não estava calor, mas a visão da luz iluminando as árvores desfolhadas, a ausência do vento frio&#8230;</p>
<p><em>“Deitados à beira do lago, observando o lindo e limpo céu azul. De mãos dadas, contemplando também a companhia um do outro.<br />
A grama estava macia e puramente verde, a água do lago estava parada. O único barulho que podiam ouvir eram os pássaros cantando e os carros passando de quando em quando na estrada.<br />
- Vai haver uma festa na casa da Bianca.- contou Juliana, olhando para o namorado.- Vamos?<br />
- Aonde você quiser.- respondeu Leonardo.- Bianca&#8230; É um bonito nome.<br />
- Ah, é!?- falou Juliana, se levantando, fingindo-se brava.- Você nunca elogiou meu nome, né?<br />
- Ora, ficou com ciúmes?<br />
- Fiquei!- exclamou ela. E começou a fazer cócegas nele.<br />
Leonardo rindo, pedindo para parar.<br />
- Bianca, né?- provocava Juliana, cutucando as costelas dele.- Você vai ver, só!<br />
Então, ele segurou os braços dela. Juliana caiu por cima dele e, de repente, eles estavam rolando pela grama, rindo, um pouco suados pela brincadeira, felizes. Apenas um casal apaixonado.<br />
Pararam de rolar bem pertinho do lago.<br />
Um encarando o outro, Juliana em cima dele, os belos cabelos agora bagunçados e sujos de grama.<br />
- Olha, Juliana&#8230;- começou Leonardo, mas a mão da garota foi até sua boca e ele silenciou.<br />
Ela se aproximou e eles se beijaram docemente, uma espécie de cartão postal amoroso, o lago de um lado, a estrada e a floresta do outro&#8230;”</em></p>
<p>O céu manchado de nuvens brancas, leves, finas. Leonardo ainda no meio-fio, sentado&#8230;<br />
Sozinho.<br />
A rua parece mais deserta do que já está, a sensação de estar sozinho no mundo muito presente&#8230; Dores da despedida.<span id="more-82"></span><br />
Um carro passa na rua, mas Leonardo presta atenção nas folhas que balançam, jogadas ao vento&#8230; Talvez fosse daquele jeito que ele se sentia, como as folhas abandonadas das árvores&#8230;</p>
<p><em>“Uma linda garota está andando e ele mal pode acreditar que era Juliana. Adolescente de sorte, ele. Tinha a namorada mais linda da cidade. Leonardo disse isso pra ela.<br />
- Exagero seu.- contou ela.- Capricho de namorado.<br />
- Estou falando sério!- reafirmou ele.<br />
- É? Então liga o carro e vamos.<br />
Beijaram-se e Leonardo ligou o carro.<br />
Uma das noites mais divertidas que tiveram. Era mais uma das noites promovida por aquela lanchonete.<br />
Voltaram conversando alegremente no carro, como um casal que se conhecia a muito tempo. Chegaram até a casa de Juliana.<br />
Despedidas.<br />
- Léo&#8230; Daqui dois meses vai haver o vestibular naquela faculdade de Biologia que eu te falei.<br />
Leonardo puxou pela memória.<br />
- Sei&#8230;- disse ele, vagamente. Então lembrou onde ficava a faculdade.- Aquela quase do outro lado do mundo.<br />
- Quinhentos quilômetros, eu acho.- chutou ela.<br />
- Você vai? Realmente vai?- perguntou ele, temendo a resposta.<br />
- Vou fazer a prova.- disse ela.- Biologia é meu sonho, você sabe disso.<br />
Leonardo ficou um tempo sem falar, Juliana esperava qualquer resposta&#8230;<br />
- Faça o que é melhor pra você.- disse ele, finalmente. Mas não havia compreensão na sua voz.<br />
Juliana saiu do carro, sem ao menos dizer boa noite.”</em></p>
<p>O asfalto cria um belo contraste com as folhas marrons e secas. O ar parou por alguns momentos, mas os pensamentos e lembranças de Leonardo não pararam.<br />
Em relação à Juliana, as lembranças jamais cessariam.<br />
Olhou para o relógio no pulso.<br />
Ponteiro maior e menor no número três.</p>
<p><em>“Naquela manhã fria, Juliana chegou na casa de Leonardo, aquele sorriso despontando na boca, com uma ótima notícia.<br />
Passara na faculdade.<br />
Tinha medo da reação de Leonardo.<br />
- Léo!- chamou ela, tocando a campainha. Foi a mãe de Leonardo que atendeu.<br />
- Bom dia, Jú.- cumprimentou a mãe.- O Leonardo não está.<br />
- Não?- estranhou Juliana.”</em></p>
<p>Leonardo, revoltado com a lembrança, se levantou e tentou chutar uma folha, que se quebrou no seu tênis. Olhou para o céu novamente. As nuvens não se mexiam.<br />
Agora, o ponteiro grande estava entre o três e o quarto.</p>
<p><em>“Juliana conseguiu carona com Tiago até o lago.<br />
- Estranho&#8230;- murmurou ela para si mesmo, ao pisar na grama, que estava seca naquela época do ano. O carro de Leonardo estava parado ali.<br />
A garota começou a descer o morro que levava até o lago, mal sabendo a cena que estava prestes a presenciar.<br />
Leonardo aos beijos com Bianca.<br />
Naquele momento, quando um namorado viu o outro, os dois esqueceram de tudo. Do frio, da faculdade, do que viveram juntos.<br />
Traição &#8211; sensação amarga que destrói qualquer coração<br />
- Passei na faculdade.- contou Juliana, lutando contra as lágrimas que queriam rolar-lhe a face.<br />
- Jú, eu&#8230;<br />
- Acho que afinal fiz o que era melhor pra mim não, é?- interrompeu ela, evitando explicações que não mudariam a dor que sentia.”</em></p>
<p>As últimas palavras de Juliana ecoaram na mente (e coração) de Leonardo.<br />
Canalha.<br />
Magoado pela decisão de Juliana, a decisão de seguir o próprio sonho, corroeu seu coração, destruí seu juízo&#8230;<br />
Traiu.<br />
Juliana mudaria para um lugar longe e então seria o fim de tudo. Ou ele estava sendo dramático demais?<br />
Foi quase inconsciente que Leonardo entrou no carro e correu para a rodoviária, queimando o asfalto da rua.</p>
<p><em>“- Eu vou partir amanhã. &#8211; contou Juliana.<br />
Leonardo abanou a cabeça, assentindo.<br />
- Deseja-me sorte.- pediu ela.<br />
- Você não precisa de sorte.- disse ele, quase seco.”</em></p>
<p>Chegaria em tempo?<br />
As ruas estavam vazias, típica tarde de sábado de cidades pequenas do interior. Nenhum carro, apenas algumas pessoas passando&#8230; Ali não havia folhas no chão- o único sinal que a natureza existia eram os pombos pousados nos fios de eletricidade.<br />
O dia estava levemente escuro, conseqüência do outono.<br />
Sinal fechado.</p>
<p><em>“- Dona Marisa? &#8211; no dia seguinte a traição, Leonardo telefonou para a casa daquela que considerava sua namorada.<br />
- Ela não quer falar com você, Leonardo. &#8211; contou Marisa, diretamente.”</em></p>
<p>Feriu ela profundamente.<br />
O sinal abre.<br />
Nada pararia Leonardo naquele instante, nada&#8230;<br />
Ia ao encontro de seu amor, daquela pessoa que lhe dera centenas motivos para ele sorrir, a garota determinada, amorosa e linda que era sua namorada.<br />
Sim, agora entendia. A distância não destrói amores, corações, nem pessoas.<br />
Apenas saciava a vontade e crescia a saudade&#8230;<br />
Crescia a paixão que ele sentia, e naquele momento, Juliana era a única coisa na sua mente.</p>
<p><em>“- Foi um erro Bianca.- dissera ele.<br />
- Erro?<br />
- Juliana é minha namorada..- contou ele, bravo.- Ela é minha namorada.”</em></p>
<p>Ele estacionou o carro de qualquer jeito e correu para encontrar Juliana sentada, esperando seu ônibus.<br />
Mas a rodoviária estava vazia.<br />
Ele não enxergou Juliana entre as poucas pessoas que andavam por ali naquele momento. Juliana desistira da faculdade?<br />
Desistira?<br />
Correu para o único guichê aberto onde se comprava passagens.<br />
- Senhor, Senhor&#8230;- chamou ele.- Os ônibus das três e meia chegam quando?<br />
- Só tem um ônibus que passa as três e meia.- respondeu o funcionário da rodoviária, com certo orgulho na voz.- Ele chegou mais cedo. Já partiu.<br />
Leonardo suspirou, decepcionado, quase chorando. Suas pernas não se mexiam&#8230; Não a veria mais&#8230;<br />
Alguém tocou seu ombro.<br />
Quase sorrindo, esperanças no peito, ele se virou.<br />
Não era Juliana.<br />
- Eu preciso comprar uma passagem, menino.- disse a senhora parada atrás dele.<br />
Leonardo se afastou, passos arrastados até seu carro.<br />
A cidade (e sua vida) era o lugar mais vazio do mundo&#8230; Nada mais tinha significado.<br />
Despedida amarga. Fria. E silenciosa.<br />
Assim como o outono.</p>
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		<title>If You Fall</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Apr 2007 03:37:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Composições Escritas]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Azure Ray]]></category>
		<category><![CDATA[Bianca Formiga]]></category>
		<category><![CDATA[despedidas]]></category>

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		<description><![CDATA[Let’s just sing And we’ll fill the air with melodies that blend together You speak so sweet with words so delicate A glass I hope will never shatter - If You Fall, Azure Ray * * * Com um monte &#8230; <a href="http://pelvini.com/2007/04/if-you-fall/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em>Let’s just sing<br />
And we’ll fill the air with melodies that blend together<br />
You speak so sweet with words so delicate<br />
A glass I hope will never shatter</em></p>
<p align="center">- If You Fall, Azure Ray</p>
<p align="center">* * *</p>
<p> Com um monte de malas na mão, muito maiores que sua própria pessoa, Bianca andava solitariamente pelo aeroporto, esperando uma hora para o anúncio de embarque à Paris. Um ano inteirinho por lá, seria incrível.</p>
<p>Era triste, porém, ter que se despedir de tudo que cultivara de bom em sua vida na cidade de São Bernardo do Campo. Os bons amigos, as risadas, as lágrimas&#8230;</p>
<p>- Nem mesmo a festa de despedida foi o suficiente&#8230; – disse ela, de si para si, enquanto despachava as malas.</p>
<p>Naquela tarde nostálgica e ensolarada de março, Bianca, a moça mais linda e feliz que todos conheciam, estava sem sua máscara. Não conseguia demonstrar nenhuma felicidade com a viagem&#8230; Fato este que a fizera negar a vinda da família até o aeroporto. Despediu-se deles quando entrou no táxi.</p>
<p>- A garota mais feliz do mundo não poderia chorar de tristeza na frente dos que ama&#8230; – continuou ela, falando sozinha. – Me vê um copo de água mineral, por favor.</p>
<p>O moço da lanchonete estendeu o copo de plástico e Bianca o pagou. Abriu e tomou um gole. Agora, era esperar. Esperar que o avião a levasse para o início de uma vida, para uma nova etapa, onde – será? – faria novos amigos. E ela só queria que as pessoas parassem de ver que ela era incrível, belíssima, feliz. Ela era humana&#8230; E vulnerável, às vezes&#8230;</p>
<p>E isso ficaria evidente em alguns segundos, quando uma surpresa surgiria para marcá-la.</p>
<p>- Formiga! – ela ouviu uma voz muito familiar chamar seu nome; ou melhor, seu sobrenome. A garota dos cachos pretos não pôde acreditar. Simplesmente ficou ali parada, vendo o rapaz se aproximar, com um sorriso quase tão doce quanto o dela, correndo, levemente desesperado.</p>
<p>Seu copo de plástico com água simplesmente caiu no chão, molhando um pouco da sua calça, mas a situação era simplesmente impossível.</p>
<p>- Felix, não acredito! – exclamou ela, e os dois se abraçaram.</p>
<p>- Ah, Fu! Não me solta, nunca! – disse ele, emocionado.</p>
<p>Devem ter ficado por um longo e quase eterno minuto abraçados muito forte. Bianca não podia acreditar. O aeroporto de Congonhas era longe demais, mesmo para quem viesse de táxi. Ela mesma saíra com muita antecedência de casa para não chegar atrasada.</p>
<p>- Você é louco, Felix?! – perguntou ela, um misto de admiração e felicidade.</p>
<p>- Eu acordei hoje cedo e pensei “cara, a Bianca vai embora e eu tô aqui dormindo”. Eu nunca me perdoaria se não te desse outro abraço antes de você ir.</p>
<p>Os olhos dela estavam simplesmente molhados, mas ela segurou as lágrimas com convicção. Rafael, vestido da mesma forma de sempre – calça jeans, camiseta e all star – parecia não poder estar mais radiante. Deixar uma amiga tão preciosa feliz era o que lhe fazia feliz, e jogar tudo pro alto e encontra-la no aeroporto fora uma escolha acertada.</p>
<p>- Agora eu tenho certeza disso.</p>
<p>- Disso o quê?</p>
<p>Ele deu uma risada.</p>
<p>- Esquece. Temos quanto tempo até sua partida?</p>
<p>Bianca olhou no relógio.</p>
<p>Uns quarenta minutos.</p>
<p>- Hum&#8230; Dá tempo de fazer muita coisa, não? – brincou ele, irônico &#8211; Vamos tomar um sorvete.</p>
<p>- Sorvete me parece ótimo. – comentou ela, feliz.</p>
<p>“Como ele conseguiu aparecer na hora que eu estava justamente mais triste?” – pensava ela.</p>
<p>Rafael enlaçou a amiga pelo ombro e a guiou rumo a uma sorveteria ali por perto, dentro do aeroporto mesmo.</p>
<p>- Meu, parece que eu tô sonhando. – comentou, enquanto pedia duas banana-split. – Me acorda, Formiga.</p>
<p>- Afe, cara, você não existe!</p>
<p>- Ah, que bonitinha! – disse ele, abraçando-a enquanto pagava os sorvetes. – Tem certeza de que eu não tô sonhando?</p>
<p>É incrível como, entre amigos, o tempo passa voando. Sentaram-se numa mesa a dois, jogando papo fora enquanto saboreavam o sorvete e riam de si mesmos. Se certos momentos são indescritíveis em papel, ou impossíveis de se traduzir em palavras&#8230; Bom, esse seria um destes momentos.</p>
<p>E, por uma dessas coisas loucas do destino, essas coincidências malucas, Rafael viu uma coisa. E uma idéia luminosa surgiu em sua mente, e ele se levantou, e Bianca perguntou-se o que viria em seguida.</p>
<p>- Não saia daqui. – falou o rapaz.- Eu volto em cinco minutos.</p>
<p>Bianca olhou para o relógio, enquanto seu amigo corria sabe-se lá para onde. Tomou mais uma colherada do sorvete, pensando que esses cinco minutos seriam apenas um tempo a menos para curtir com o amigo.</p>
<p>- Ah, Não! – exclamou ela.</p>
<p>Rafael voltara, mas não voltara sozinho. Segurava nas mãos uma única e simples tulipa vermelha, provavelmente a flor favorita da amiga.</p>
<p>Ela deu um daqueles sorrisos eternos que só ela mesmo tem e, então deu um beijo suave na bochecha do amigo, ficando cada vez mais triste e cada vez mais feliz. Pegou a flor e a pousou sobre a mesa, enquanto Rafael se sentava.</p>
<p>- Puxa vida, queria poder te dar alguma coisa&#8230;</p>
<p>- Você já me deu muita coisa, fera… &#8211; disse ele, com um sorriso quase bobo na cara idiotamente feliz. – Você nem sabe!</p>
<p>Bianca fechou os olhos para replicar com algo mais bonito que aquilo, mas Rafael pegou uma colherada do sorvete antes que ela visse. Sujou o nariz dela e passou sorvete também no queixo da garota.</p>
<p>Ela abriu a boca de surpresa, enquanto Rafael ria de prazer. Ela limpou o sorvete do rosto e, animada, falou:</p>
<p>- Você vai ver, Felix!</p>
<p>Rafael deu um grito e saiu correndo enquanto Bianca pegou a tulipa da mesa e o perseguiu. E, sem que soubessem, estavam vivendo a grande metáfora de suas vidas. Porque, quando estavam juntos, era como se estivessem correndo juntos, rumo à felicidade.</p>
<p>Porque, mesmo sendo difícil colocar em palavras, a amizade desses dois era tudo que podia se resumir de bom&#8230; Como entrar numa banheira de espuma depois de um longo dia, ou tomar uma chuva deliciosa num dia ensolarado. Era como sorvete cremoso de morango, ou qualquer coisa boa e gostosa que você possa imaginar.</p>
<p>Rindo, brincando, os dois pararam de correr.</p>
<p>Bianca encarou o amigo, surpresa, enquanto segurava a tulipa na mão.</p>
<p>- Tá ouvindo?</p>
<p>Alguma coisa tocava ao fundo, na música ambiente do aeroporto. Era uma música. Uma música muito importante para os dois&#8230;!</p>
<p>- NÃO! – gritaram juntos, chamando atenção de algumas pessoas que por ali passavam.</p>
<p>Estava tocando If You Fall, das Azure Ray, no aeroporto&#8230;</p>
<p>- Cara, não pode ser! – exclamou Rafael. – Esse momento é nosso! Eu tinha que vir aqui me despedir, está vendo?</p>
<p>Bianca mal conseguia falar. E sequer teria tempo. Antes que pudessem curtir mais um segundo do momento, ou mais um pouquinho da música&#8230;</p>
<p>- “E atenção senhores passageiros com destino à Paris no vôo das 17h30min. Queiram, por gentileza, se dirigir à plataforma 11B. Senhores passageiros&#8230;”</p>
<p>- É o meu. – disse ela, como se estivesse acordando.</p>
<p>E foi assim que os dois amigos caíram das nuvens.</p>
<p>- Vem&#8230; – falou Rafael, dando um sorrisinho sem graça.</p>
<p>Na verdade, foi Bianca quem os guiou rumo à plataforma 11B. Não estava muito longe, por sorte, e foi lá que pararam. Havia uma fila ligeiramente pequena, e uma comissária de vôo conferia passagens e passaportes.</p>
<p>- Olha&#8230; – começou a garota. – Se eu falar “muito obrigada” vai ser muito pouco pro teu coração, ferinha&#8230; Você simplesmente não existe&#8230;</p>
<p>- Pára. – falou o garoto. – Você é a melhor pessoa que eu conheci em muito, muito tempo&#8230; E, vou te contar uma coisa que nunca contei antes&#8230;</p>
<p>Ele suspirou.</p>
<p>- Eu nunca pensei que fosse encontrar amigos de novo, e você apareceu e mudou tudo. Eu te amo, cara, é só isso que tenho pra dizer.</p>
<p>Bianca inclinou a cabeça daquele jeitinho terno e fofo que só ela tem e agradeceu.</p>
<p>- Eu te amo também, Felix.</p>
<p>E eles se abraçaram e aquele seria o último abraço em um ano; o último abraço entre Bianca Formiga e Rafael Felix. A fila diminuíra consideravelmente, a garota deveria embarcar.</p>
<p>- Eu vou voltar cheia de histórias pra contar. – disse ela. – Você vai ver.</p>
<p>- Estarei aqui, esperando! – falou ele, sorrindo.</p>
<p>Bianca mostrou os documentos para a comissária e, olhando uma última vez para o amigo, foi embora. Rafael esperou perde-la de vista e deu as costas.</p>
<p>Já sentada em sua poltrona, esperando o avião partir, Bianca olhava pela janelinha com um sorriso misterioso no rosto. Estava partindo, sim. Mas ter o prazer de um momento inesquecível como aqueles já compensava todo o tempo longe.</p>
<p>Ela estava partindo, mas deixava pelo menos uma pessoa que a amava. E isso era reconfortante.</p>
<p>Um leve tremor indicou que estavam partindo. Ela encostou a cabeça na poltrona, mais aliviada, finalmente feliz.</p>
<p>- Tchau, Felix&#8230;</p>
<p>Rafael estava no aeroporto ainda, olhando pelo enorme vidro transparente o avião de Bianca correr a pista de decolagem e voar. Como sempre, a sensação solitária de saudades ficou no seu peito, mas não podia estar mais feliz pela amiga.</p>
<p>Ele havia ficado, mas sabia que tinha uma amiga com quem contar. Ela estaria longe, mas a distância nunca foi uma barreira para as amizades verdadeiras.</p>
<p>Uma única lágrima desceu por seu rosto enquanto o já distante avião adentrava pelas nuvens. Misteriosamente, ele também sorriu enquanto dizia&#8230;</p>
<p>- Tchau, Bianca&#8230;</p>
<p align="center"> * * *</p>
<p><em>Não, isso não aconteceu e nem vai acontecer (mas se acontecesse seria cool). É lúdico, irreal e imaginativo. No entanto, fala de uma despedida. Isso basta.</em></p>
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		<title>12.11</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2007 03:58:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Composições Escritas]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[despedidas]]></category>
		<category><![CDATA[paixão]]></category>

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		<description><![CDATA[“Perdus les rêves de s’aimer Lê temps où on avait rien fait Il nous reste tounte une vie pour pleurer Et maintenat nous sommes tout seul” - Placebo, Protege Moi. * * *  Londres, 12 de Novembro L.A., Ainda sinto &#8230; <a href="http://pelvini.com/2007/04/1211/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><em>“Perdus les rêves de s’aimer<br />
Lê temps où on avait rien fait<br />
Il nous reste tounte une vie pour pleurer<br />
Et maintenat nous sommes tout seul”</em><br />
- Placebo, Protege Moi.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p align="right"> Londres, 12 de Novembro</p>
<p align="left">L.A.,</p>
<p>Ainda sinto falta de seu fresco hálito de vinho e de sua língua contra a minha, em nossa despedida. Quero perder minhas mãos novamente em suas mechas loiras, platinadas, enquanto nossos lábios se perdem num beijo fervorosamente longo.</p>
<p>O tempo passa, e como passa. Mas ainda posso me lembrar, minha querida. Posso me lembrar de seu rosto clamante por amparo enquanto eu, inocente e bobo, dava atenção ao que outros diziam de sua inconstante bravura – o que, erroneamente, chamavam de estupidez. O que eu, erroneamente, acreditei por tempo demais.</p>
<p>Ainda temos as tulipas. Ainda temos as estrelas, e o gostinho insaciável de amor proibido. Ainda temos aquela noite deliciosa, e posso ouvir seus sussurros, seus gracejos, enquanto, sempre chamativa e sensual, agradecia proteção. E, quanto mais juntos ficávamos, e quanto mais eu transpirava e você me acalmava, o desejo só deixava se intensificar.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p>Havia uma bela taça de vinho sobre a mesa – lembra-se? Você molhou os lábios com um sorriso malicioso, enquanto tudo o que eu queria era te segurar e te abraçar e te conter em mim. As coisas ficaram por esse rumo mesmo. A taça de vinho caiu quando me aproximei. O líquido escuro manchou a toalha de renda branca. E nós dois acabamos jogados sobre a mesa.</p>
<p>Você tinha a ousadia e a paciência raras de se encontrar em uma amada. Tinha a intensidade e a perversão importantes de se descobrir em uma amante. Sua respiração ofegante, um sopro de sensualidade; as marcas de suas unhas em minhas costas, marcas ferinas, temporárias, tocantes. Guiada por mim até os lençóis de seda da sua cama, seu olhar cheio de volúpia atiça meu corpo mesmo tanto tempo depois.</p>
<p>A noite estava quente, sendo refletida e traduzida entre nossos corpos. A sua voz, encerrando prazer, intensificando minha vontade. O seu corpo, movimentando-se com rigor, sempre linda, sempre dominante, sempre atraente.</p>
<p>As minhas mãos, as suas mãos. A minha pele, a sua pele. Seus olhos azuis, meus olhos castanhos, e de repente o nosso sensorial fica aguçado. De repente, simultaneamente, nosso amor é deflagrado, há total exibição e o prazer é infinito.</p>
<p>Deleite: é disso que falamos. É disso que experimentamos. E é isso que sentimos. Querida, ainda posso lembrar suas palavras enquanto conversávamos abraçados, juntos por uma última vez antes do adeus.</p>
<p>“Somos apenas brinquedos do destino?”</p>
<p>Eu não soube dizer. Respondi com um suave beijo. Um entrelace de almas, um jogo do destino, mera coincidência. Constatações eternas. Questões cruéis.</p>
<p>E aí saímos, deixando tudo do jeito que estava. Ainda consigo me lembrar, acredite, da taça e do vinho derramado. Hoje percebo que não só a toalha estava manchada. Nossos corações também estariam&#8230; Só que para sempre.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p>Desculpe. Como sempre, sou só um diplomata pateticamente apaixonado.</p>
<p align="center">* * *</p>
<p>E, para onde enviar essa carta? Talvez você nunca a receba, talvez eu nunca a tire da segunda gaveta do meu armário, talvez eu a queime. Afinal, mesmo que sem querer, mesmo que obrigada, mesmo que injustiçada você teve de desaparecer. Posso ver você andando rumo ao horizonte de sol nascente e céu lilás. Posso ver-te olhando para trás, e desaparecendo por baixo da capa, como que num feitiço.</p>
<p>A pergunta me arrepia todos os dias quando acordo, quando durmo, quando penso, quando respiro. A carta deve ser entregue, se eu puder te encontrar. Só para que você saiba que há um mundo de estrelas, vinho e tulipas cor-de-rosa te esperando, caso um dia seja seguro voltar atrás.</p>
<p>Porque eu te amei, senhorita A.. E porque ainda amo, mesmo depois de tanto tempo, mesmo sem saber se está viva, mesmo sem saber se já estou morto. Porque há esperança nesse coração endurecido por uma perda injusta. Aquele coração tolo e ingênuo que você conhece.</p>
<p>E quando você voltar, e você vai, quero que saiba que estarei preparado, minha querida.</p>
<p>Para te amar e te proteger.</p>
<p>Sempre.</p>
<p align="right">N. H.</p>
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