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	<title>Pelvini &#187; crítica</title>
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	<description>a palavra é o principal desafio</description>
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		<title>Falsa Poesia</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jul 2009 20:40:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[Andrei Machado]]></category>
		<category><![CDATA[bobeirinhas]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Étant]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava procurando uma forma de furar os bloqueios na internet do trabalho pra ouvir Andrei Machado on-line e, sem querer, encontrei uma crítica pequena, porém um tanto quanto severa, a respeito do release que eu escrevi pra Étant, o álbum que o Andrei &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/07/um-falso-poeta/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava procurando uma forma de furar os bloqueios na internet do trabalho pra ouvir <a href="http://www.myspace.com/andreimachado" target="_blank">Andrei Machado</a> on-line e, sem querer, encontrei uma crítica pequena, porém um tanto quanto severa, a respeito do release que eu escrevi pra <em>Étant</em>, o álbum que o Andrei lançou em maio passado (se quiser ler o release primeiro, para pegar sua opinião, <a href="http://criticaecrise.wordpress.com/2009/05/13/notas-de-rodape-etant-de-andrei-machado/" target="_blank">é só clicar aqui</a>).</p>
<blockquote>
<div><strong>Author:  oiche | Date:  May 24, 2009 | Time:  2:13 am</strong> | Who the crap writes these reviews? Arsebound, faux poetry that tells you nothing of the music. Ah well, shall just have to download it! Thanks bolachisgratis. <em>(<a href="http://bolachasgratis.baywords.com/?p=6637" target="_blank">veja aqui</a> e, depois, vê se dá uma passadinha no <a href="http://bolachasgratis.org/" target="_blank">Bolachas Grátis</a>)</em></div>
</blockquote>
<div>
<div>A sensação de ler foi, sem ironia, muito agradável. Traduzindo: <em>&#8220;Quem é o merda que escreve esses reviews? [Xingamento feio], falso poeta que não te diz nada sobre a música. Bom, só me resta baixar! Obrigado bolachisgratis.&#8221;</em></div>
<div><em><br />
</em></div>
</div>
<div>O mais interessante de tudo é que o texto serviu ao seu propósito convidativo: seja lá quem for,  baixou o disco.</div>
<p><div>Eu? Continuo achando que a música de Andrei, ao soar, dá voz à angústia humana de ser e eclode e se refaz em luz. Sei não, deve ser coisa de falso poeta.</div>
<p><div>* * *</div>
<p><div><em>(em tempo: <a href="http://www.sinewave.com.br/albums/andreimachado/sw09and02.andreimachado_etant.zip" target="_blank">clique aqui pra fazer o download</a> de Étant, do Andrei Machado. Outro texto, falando mais sobre a vida e a carreira do Andrei, <a href="http://pelvini.com/2009/05/lacunas-que-inexistem/">pode ser lido aqui</a>)</em></div>
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		<title>Dúvida, de John Patrick Shanley</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Feb 2009 04:33:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[Indicações Diversas]]></category>
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		<description><![CDATA[A balança do libriano sempre pende para um dos lados conforme os pesos que você deposita. Isso talvez explique o fato da câmera de John Patrick Shanley por vezes pender e se fixar ora para um lado, ora para outro, &#8230; <a href="http://pelvini.com/2009/02/duvida-de-john-patrick-shanley/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="  alignleft" title="Dúvida" src="http://weblogs.amny.com/entertainment/stage/blog/doubt.jpg" alt="" width="342" height="500" /></p>
<p>A balança do libriano sempre pende para um dos lados conforme os pesos que você deposita. Isso talvez explique o fato da câmera de <strong>John Patrick Shanley</strong> por vezes pender e se fixar ora para um lado, ora para outro, durante algumas cenas de seu <strong>Dúvida</strong>. O filme, indicado à categoria de melhor filme no Oscar, foi baseado na peça de teatro homônima ganhadora do Pulitzer <em>(e a peça realmente rendeu um filme terrivelmente bem construído)</em>.</p>
<p>Fazendo jus ao título, Dúvida é um embate entre o padre Flynn e a freira Beauvier (<em>esplendidamente assumidos por Philip Seymour Hoffman e Meryl Streep)</em>, partindo da dúvida de Beauvier quando a freira James <em>(interpretada por uma corretíssima Amy Adams)</em> diz desconfiar que o padre esteja abusando de uma criança da igreja &#8211; pra piorar único aluno negro do local<em> (e este fato é aqui ressaltado pois o filme se passa no Bronx de 1964, e todos sabemos que a luta contra o racismo é parte vital da história dos EUA, sobretudo nessa época)</em>. O roteiro de Dúvida joga o espectador daqui para lá, fazendo com que constantemente mudemos de opinião, que se anseie, cedo ou tarde, por uma acusação simples.</p>
<p>Dúvida tem como pano de fundo o machismo na instituição católica <em>(não à toa, a freira Beauvier insiste em lembrar que, por ser freira, está sempre em desvantagem dentro da igreja, pois sempre precisa se reportar a um bispo &#8211; um homem)</em>, seja mostrando o contraste das refeições dos padres com a das freiras, seja no tom de liderança assumido do padre Flynn quando está na sala da freira Beauvier, sua subordinada <em>(e é simplesmente de tirar o fôlego a cara que Streep faz quando o personagem do padre se senta na cadeira dela; a expressão da atriz diz muito mais que qualquer palavra do roteiro)</em>. O título do filme está aí: é sempre dúbio, uma faca de dois gumes; a certeza da freira Beauvier, a simpatia do padre Flynn, a alternância de ideias da freira James e até mesmo o comportamento do menino corroboram para instaurar a incerteza do que realmente está acontecendo.</p>
<p>Com uma direção de arte bem produzida <em>(perceba o vitral da igreja que retrata um olho a fitar o padre Flynn) </em>e um figurino simples <em>(que provavelmente não foi indicado a Oscar pois os outros filmes chamam bem mais a atenção &#8211; como o já imaculado <strong>Benjamin Button </strong>ou os ofuscantes <strong>The Duchess</strong> ou <strong>Australia</strong>)</em>, Dúvida ainda é excelente em criar suspense em seus pequenos <em>(porém geniais)</em> toques. Acredite: o soar de um telefone, o barulho de trovoadas ou uma lâmpada quebrando são muito mais eficientes que qualquer trilha sonora incidental &#8211; além de soarem pertinentes e complementarem a discussão proposta.</p>
<p>Mas a beleza de Dúvida está mesmo nas atuações <em>(não obstante, todos os atores principais do filme foram indicados ao Oscar)</em>. <strong>Philip Seymour Hoffman</strong> dispensa elogios, já que é um ator tão bom que está no limite do insuportável; do tipo que será constantemente indicado e nem sempre irá ganhar <em>(talvez justa ou injustamente, mas o prêmio &#8220;hors concours&#8221; para Hoffman é papo para outro texto)</em>. <strong>Meryl Streep</strong> está intensamente apaixonada por seu papel e é de se esperar que as melhores cenas do filme são quando ela se encontra com o personagem de Hoffman. E Amy Adams &#8211; uma graça &#8211; é o braço necessário, tanto para o roteiro quanto para os outros atores, visto que ela é a personagem que assiste aos fatos e se vê momentaneamente dentro deles, tal como quem está assistindo.</p>
<p>O destaque final &#8211; e que também promove a discussão mais calorosa de todo o filme &#8211; está na atuação de<strong> Viola Davis</strong> como a senhora Miller, mãe do garoto que está sob a suspeita de abuso. Em apenas alguns minutos, esta cena demonstra a potência da história, e a personagem mostra uma grande complexidade, que se desdobra perante as lágrimas e o olhar de raiva da atriz. A cena em que ela é confrontada pela personagem de Streep é assustadoramente desconfortante, realmente fazendo pensar que desagradáveis conclusões alguém pode tirar quando o amor de uma mãe é destruído pelo preconceito &#8211; e pela dúvida.</p>
<p>Movido por suas discussões polêmicas, soberbo em instaurar a sombra da incerteza sobre qualquer coração, Dúvida segue para um desfecho que consolida toda a coerência com que a película foi conduzida: se a princípio nós colocávamos os pesos dos argumentos para equilibrar a balança da dúvida, no fim das contas descobrimos que mais vale jogar a balança fora.</p>
<p>Os dois lados da balança possuem diversas conjecturas de peso igual, mas não adianta tentar igualá-las. Afinal de contas&#8230; São apenas conjecturas. Felizmente, Dúvida reconhece o fato e torna-se, por concepção, um dos filmes mais inteligentes do ano.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=dVRZ1uG-q44" target="_blank"><em>Clique aqui e assista no YouTube o trailer de Dúvida.</em></a></p>
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		<title>Última Parada 174, de Bruno Barreto</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Oct 2008 15:48:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
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		<description><![CDATA[Em Junho de 2000 o Brasil pôde assistir pela televisão o desenrolar das ações de Sandro Nascimento: o rapaz seqüestrara um ônibus e fez seus passageiros como reféns. Quatro horas foram suficientes para &#8216;chocar&#8217; um país que assiste, diariamente, desgraças &#8230; <a href="http://pelvini.com/2008/10/ultima-parada-174-de-bruno-barreto/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em Junho de 2000 o Brasil pôde assistir pela televisão o desenrolar das ações de Sandro Nascimento: o rapaz seqüestrara um ônibus e fez seus passageiros como reféns. Quatro horas foram suficientes para &#8216;chocar&#8217; um país que assiste, diariamente, desgraças pela televisão. Daí partiram as idéis de <strong>José Padilha</strong> e <strong>Bruno Barreto</strong>. Padilha produziu o documentário jornalístico Ônibus 174, em 2002, que denunciava a exclusão pela base como uma das culpadas do seqüestro do 174. Seis anos depois e Barreto toma um caminho parecido.</p>
<p>A diferença entre os dois filmes está em fazer ficção em cima de uma história real. Pouca ficção, digamos. Barreto coloca a realidade lá, desde o massacre da Candelária <em>(que Sandro testemunhou)</em>, até detalhes do seqüesto como a morte forjada de uma das reféns. O roteirista <strong>Bráulio Mantovan</strong><strong>i</strong><em> (de Cidade de Deus)</em> opta por introduzir um xará para Sandro na história e, utilizando-se de obras excessivas do acaso, desenrola sua história <em>(ilustrando, com pequena alteração, uma frase de Padilha: &#8220;quatro milhões de brasileiros acompanharam a trajetória de Sandro pela TV, mas apenas uma &#8211; sua mãe adotiva &#8211; compareceu ao seu enterro&#8221;)</em>. </p>
<p>Barreto, diretor do razoável <em>&#8220;O Que É Isso Companheiro?&#8221;</em>, faz, como Padilha, a denúncia ao sistema de exclusão brasileiro, que faz dos pobres criminosos, defendendo Sandro a todo momento <em>(&#8220;Sabe qual é a maior vítima de todas?&#8221;, diz uma das personagens em dado momento, &#8220;Você&#8221;)</em>: retrata, com propriedade, a criação de criminosos por uma realidade que tem apenas o auxílio do altruísmo como alternativa (a participação da líder de uma ONG, interpretada por Anna Cotrim,  é vital para o desenrolar da trama). </p>
<p>E é aqui que chegamos num dos problemas de <strong>Última Parada: 174</strong>. O que deveria ser o retrato de uma sociedade injusta acaba sendo um grande estereótipo. Seus personagens são totalmente unidimensionais. E então, quando tenta trazer complexidade para as atitudes de Sandro e sua loucura pós-traumática, o filme acaba soando confuso e sem sentido<em> (&#8220;Se o copo quebrasse, a senhora ia morrer e eu ia ficar sozinho&#8221;, ok)</em>. Ora vítima, ora culpado, a alternância da personalidade de Sandro é mais esquizofrênica do que bem construída.</p>
<p>Por sorte, esses deslizes são opostos pelas atuações. Apesar das permissões excessivas de Barreto para gírias e palavrões, os atores &#8211; todos pouco conhecidos, com exceção de Douglas Silva, em rápida aparição &#8211; estão, em sua maioria, inspirados; vide Michel Gomes interpretando o protagonista. Visivelmente<em> (e talvez demasiadamente)</em> ensaiado, o rapaz é uma promessa e tanto. Alê Monstro, interpretado por Marcello Melo Jr., também tem ótima participação. Infelizmente, a intérprete de Marisa, mãe verdadeira de Alê e mãe adotiva de Sandro, é privilegiadaa pela maquiagem e pelo figurino, visto que sua expressão é sempre a mesma.</p>
<p>E já que estamos no assunto, a direção de arte do filme é cuidadosa <em>(é engraçado perceber que a pouco mais de dez anos, as mulheres usavam peças ainda mais curtas &#8211; assim como os homens e seus shortinhos</em>) e a fotografia opta por ser simples e funcional.</p>
<p>Infelizmente, há o problema na direção. Barreto apela para takes desnecessários e lances humorísticos desapropriados. Além de caracterizar seus personagens com particularidades únicas <em>(todos são estereótipos caricatos de uma realidade já conhecida; como o pastor nordestino)</em>, Barreto tem um pequeno problema em criar relação entre suas cenas: vide as indevidas piadinhas colocadas na cena mais dramática do longa, a tomada do ônibus.</p>
<p><strong>Última Parada 174</strong> foi escolhido como o filme brasileiro a concorrer uma vaga ao Oscar, mas terá sorte se chegar lá. E é triste saber que um filme tão denso como <em>Linha de Passe</em>, de Walter Salles e Daniela Thomas, não tenha sido inscrito à vaga (por opções dos diretores). Pessoalmente, eu votaria em <em>Ainda Orangotangos</em>, de Gustavo Spolidoro, que é simplesmente excelente em sua montagem. Enfim.</p>
<p>A verdade é que o longa de Bruno Barreto se encaixa na leva de filmes brasileiros que todos esperam e querem ver. E essa visão do cinema tupiniquim é tão estereotipada quanto os personagens deste <strong>Última Parada 174</strong>.</p>
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		<title>Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado</title>
		<link>http://pelvini.com/2007/07/quarteto-fantastico-e-o-surfista-prateado/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Jul 2007 05:47:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[cinema americano]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Quarteto Fantástico]]></category>

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		<description><![CDATA[Os planos para os filmes da semana eram: - Quarta-feira, Harry Potter e a Ordem da Fênix; - Sábado, Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado. Acontece que por pura preguiça inércia da minha parte, não consegui comprar o ingresso pro &#8230; <a href="http://pelvini.com/2007/07/quarteto-fantastico-e-o-surfista-prateado/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os planos para os filmes da semana eram:</p>
<p>- Quarta-feira, <strong>Harry Potter e a Ordem da Fênix</strong>;</p>
<p>- Sábado, <strong>Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado</strong>.</p>
<p>Acontece que por pura <strike>preguiça</strike> inércia da minha parte, não consegui comprar o ingresso pro Harry Potter, causando assim uma inversão de papéis.</p>
<p>Portanto, acabei de chegar da sessão que exibiu <em>Quarteto Fantástico</em>. E a verdade é que foram as duas horas mais mal gastas que já passei em cinema.</p>
<p>Veja bem, o Quarteto Fantástico sempre foi o meu time de heróis preferidos; eu até tenho um game de Playstation 1 divertídissimo <em>(sempre escolhia o Senhor Fantástico)</em>. Agora, se<em> </em><strong>Tim Story</strong><em> (o diretor) </em>conseguiu alguma coisa com esse segundo filme, foi banalizar os pobres heróis. Aliás, Tim Story entrou pra listinhas de diretores odiados por mim, correndo lado-a-lado com <em>Uwe Ball</em>.</p>
<p>Vamos lá: filmes com trama desse tipo &#8211; quatro seres humanos com poderes fantásticos e um homem espacial montado numa prancha &#8211; já são difíceis de se trabalhar; exigindo  um enorme tato do diretor. Acontece que o que mais se vê faltando em Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, é justamente isso; tato.</p>
<p>Quer dizer, o filme jamais se leva à sério. Enquanto os personagens e seus super-poderes são usados pura e basicamente como alívios cômicos, o roteiro nos traz um porção de falhas <em>(parei de contar quantas eram no meio do filme)</em>, e pérolas dignas da novela das sete.</p>
<p>Para citar um exemplo, há uma cena em que Reed <em>(o Sr. Fantástico)</em> dança colado com algumas mocinhas em sua despedida de solteiro e a Susan <em>(a Mulher Invisível, sua esposa)</em> o pega no flagra. Logo em seguida, ela diz que <em>&#8220;tudo bem, meu amor, eu sei que você só estava se divertindo&#8221;</em>.</p>
<p>É ainda melhor quando Reed faz um discurso na frente de um exército, dizendo que está <em>&#8220;noivo da mulher mais gostosa do mundo&#8221;</em> e a Susan rebate com um <em>&#8220;uau, isso me deixa excitada&#8221;</em>. Sem constrangimentos. Pouco machismo é bobagem.</p>
<p>Isso para não falar da grande &#8211; e surpreendente &#8211; mensagem do filme: <strong>Sempre há uma escolha.</strong> Uaaau. Brilhante. Minha prima de seis anos não teria inventado algo melhor.</p>
<p>As grandes cenas nem se passam nos Estados Unidos, mas isso não significa que o filme seja, assim, globalizado. O exército americano pousa com naturalidade e fluidez em Londres, e depois numa floresta na Alemanha. Muito simples, nada burocrático. Pra não falar no general-chefe, estereótipo pateticamente típico.</p>
<p>Outra coisa absolutamente irritante que merece ser citada, é aquela peruca que colocaram na <strong>Jessica Alba</strong> para ela parecer loira, e as lentes de contato azuis. Eu não sei quem é responsável por isso, mas não, não convence <em>mesmo</em>. Deviam trocar de atriz, principalmente levanto em conta que, definitivamente, Jessica Alba até pode ser bonita, mas é tão expressiva e boa atriz quanto o meu tapete &#8211; e olha que estou sendo generoso.</p>
<p><strong>Julian McMahon</strong> deve ter recebido um cachê baixinho. Se ele trouxesse pelo menos um pouco da sua canalhice <em>(tão bem usada em Nip/Tuck)</em> para o Doutor Destino, eu até teria alguma coisa boa pra dizer desse filme.</p>
<p>Por último, volto à máxima de que <strong>Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado</strong> peca por não se levar à sério. Se os próprios heróis têm tempos pra brincadeirinhas com troca de poderes, ou se têm tempo para conversas banais sobre o canal E!, ou se perdem tempo conversando sobre como o Coisa esmagou o Senhor Fantástico na parede; bem, se eles não levam a sério o iminente fim do mundo(?), como <em>eu</em> vou levar?</p>
<p>Quer saber? Espere o filme chegar na locadora, depois espere sair da prateleira dos lançamentos, depois espere aquelas promoções de &#8216;metade do preço&#8217;, tome algum Prozac e assista. Quem sabe assim você pode gostar.</p>
<p>E olha que ainda sou fã do Quarteto Fantástico.</p>
<p><em>(lembrei de algo a dizer de bom sobre o filme: a participação do Stan Lee, criador do Quarteto, é engraçadíssima, e até vale a pena conferir. E, pra quem gosta de efeitos especiais, o Surfista Prateado tá muito bem elaborado. Mas se você vai a um cinema só pra ver efeitos em CGI, deve rever seus conceitos sobre o que é um bom filme) </em></p>
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		<title>Babel, de Alejandro González Iñárritu</title>
		<link>http://pelvini.com/2007/06/babel-de-alejandro-gonzalez-inarritu/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Jun 2007 03:06:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[Brad Pitt]]></category>
		<category><![CDATA[Cate Blanchet]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Iñarritu]]></category>
		<category><![CDATA[oscar]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu nunca assisti Amores Brutos e 21 Gramas, filmes estes que formam a &#8216;trilogia&#8217; criada pelo diretor Iñarritu (ô nome difícil) e que, pelo que li, utilizam a mesma temática de Babel: tramas aparentemente desconexas que se interligam de forma &#8230; <a href="http://pelvini.com/2007/06/babel-de-alejandro-gonzalez-inarritu/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu nunca assisti <em>Amores Brutos</em> e <em>21 Gramas</em>, filmes estes que formam a &#8216;trilogia&#8217; criada pelo diretor Iñarritu <em>(ô nome difícil)</em> e que, pelo que li, utilizam a mesma temática de <strong>Babel</strong>: tramas aparentemente desconexas que se interligam de forma surpreendente.</p>
<p>Quem conhece um pouco da história da Torre de Babel vai entender imediatamente o porquê do título: a falta de comunicação, as diferenças entre povos, e línguas. Mas, acima disso, <strong>Babel</strong> fala de escolhas.</p>
<p>Dois garotos marroquinos ganham do pai um rifle para matar chacais e proteger as ovelhas da família. Uma brincadeira de com a arma os fazem atingir um ônibus de turismo, onde um casal de norte-americanos viajar, ferindo a mulher, Susan, no ombro. É aí que a história começa: este tiro vai afetar a vida de várias pessoas:</p>
<p>- dos filhos do casal Richard e Susan, nos Estados Unidos;<br />
- de um homem e sua filha surda, no Japão;<br />
- da babá dos filhos de Susan, no México;<br />
- e da família dos garotos marroquinos, no Marrocos.</p>
<p>A princípio até parece loucura. Mas, nesse nosso mundo, onde as maiores insanidades são possíveis &#8211; e se você considerar que é só um filme &#8211; tudo acaba se tornando aceitável.</p>
<p>Contando as histórias em pequenas doses, Iñárritu <em>(ô nome difícil)</em> consegue causar angústia em qualquer espectador. Você pode juntar a isso uma trilha sonora simplória, mas fantástica <em>(vencedora de Oscar)</em> baseada em solinhos depressivos de violão. E <strong>Babel</strong> é favorecido pela edição eficaz: por contar histórias tão diferentes, eu esperava que o roteiro se perdesse em si mesmo &#8211; e isso jamais acontece.</p>
<p>Contando com um elenco magnifíco, que inclui os meus favoritos Cate Blanchett e Gael García Bernal, Babel tem os atores certos para os momentos certos: se você pegar a mesma raiva que eu pela japonesa surda, Chieko, verá que tenho razão. O diretor abusa um pouco da nudez da atriz <strong>Rinko Kikuchi</strong>, mas a história da adolescente parece estar um pouco avulsa de toda a trama. Ao passo de que a adição de Chieko é uma das coisas mais legais do filme, também é um dos maiores erros do roteiro &#8211; e adicione aí um bilhete misterioso cuja mensagem jamais saberemos.</p>
<p><strong>Babel </strong>é aquele filme que se assiste e, ao passar dos minutos, você vai se sentido desmembrado, desmontado. Você passa a perceber que os seres humanos são separados por leis, por religiões, por raças, por uma porção de regras e conceitos abstratos &#8211; e este isolamento é tão tristemente palpável que chega a chocar.</p>
<p>No entanto, Iñárritu <em>(ô nome difícil)</em> não hesita em demonstrar <em>opiniões-clichê-lugar-comum</em>. Enquanto Susan sofre com ferimento da bala, nenhum dos turistas parece se compadecer com a situação &#8211; só o marroquino bonzinho. Isso sem contar na campanha de desarmamento digna da <em><a href="http://www.veja.com.br" target="_blank">Veja</a></em> e no dramalhão à la<em> <a href="http://www.globo.com/america" target="_blank">América</a></em> de Glória Perez.</p>
<p>Babel peca sim por exagerar um pouco na ligação entre histórias tão extremas e tão diferentes. Ainda assim, a reflexão que ele pode trazer, junto à dose de emoção e angústia que pode causar em você, o faz filme digno da indicação que recebeu por melhor filme, no Oscar.</p>
<p>Bom, apesar de não superar <em>Pequena Miss Sunshine</em>, deixa <em>Os Infiltrados</em> no chão.</p>
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		<title>Guillemots, com Through the Window Pane</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2007 06:38:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
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		<category><![CDATA[crítica]]></category>
		<category><![CDATA[discos]]></category>
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		<description><![CDATA[Pegue estilos musicais indie, rock, eletro e pop, misture, adicione um pouco de samba, chame quatro músicos de diferentes partes do mundo &#8211; Escócia, Canadá, Inglaterra e, sim, Brasil &#8211; e o que temos? Guillemots! Through The Window Pane, o &#8230; <a href="http://pelvini.com/2007/04/through-the-window-pane/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pegue estilos musicais indie, rock, eletro e pop, misture, adicione um pouco de samba, chame quatro músicos de diferentes partes do mundo &#8211; Escócia, Canadá, Inglaterra e, sim, Brasil &#8211; e o que temos?<a href="http://www.guillemots.com" target="_blank"></a></p>
<p><a href="http://www.guillemots.com" target="_blank">Guillemots</a>!</p>
<p><em>Through The Window Pane</em>, o primeiro cd deles, será lançado dia 11/04 do Brasil, algum tempo depois de fazer algum barulho no exterior. Não é para menos, no entanto. Os Guillemots vão contra os rockzinhos atuais e batidos, trazendo um som autêntico e diferente.</p>
<p>Disco difícil de classificar, mas de se ouvir com sorriso no rosto e alma lavada até o fim. Há uma continuidade e uma repetição de sons que torna tudo deliciosamente familiar. Fyfe Dangerfield lidera a banda com um vocal cheio de sentimento e simplicidade. O rapaz arrasa, com um timing perfeito, às vezes mais falando do que cantando  (o exemplo é claro em <strong>Little Bear</strong> e em <strong>Blue Would Still Be Blue</strong>, capaz de deprimir qualquer coração sentimental).</p>
<p>O principal ponto alto vem com <strong>Made Up Love Song #43</strong>, música encantandora que, de acordo com Dangerfield, é de número 43 porque as quarenta e duas compostas anteriormente não valeram à pena (piadista, o rapaz). Se for verdade, os fins justificam os meios, já que <em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=fQR2zias9ek" target="_blank">Made up&#8230;</a> </em>é belíssima.</p>
<p><strong>Annie, Let&#8217;s Not Wait</strong>, décima faixa do disco, impressiona pela mistura inteligente de ritmos. Acredite em mim &#8211; e ouça, se puder &#8211; há um <em>cavaquinho</em> tocando na segunda parte da música, e o resultado é esplêndido. No fim das músicas, <em> Annie</em> parece mais um show de rock feito na quadra de uma escola de samba. Parece estranho, mas é <em>cool</em> pra caramba.</p>
<p>Contudo, foi com <strong>Trains to Brazil</strong> que a banda encontrou seu primeiro sucesso, visto que a música foi lançada simultaneamente à morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com terrorista na capital britânica. A música, considerada uma dedicatória ao acontecimento, aumentou a exposição da banda. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=X_aHlHc_Vb4" target="_blank">Trains to Brazil</a> é cheia de saxofones e confetes.</p>
<p>A última faixa, <strong>São Paulo</strong>, tem quase doze minutos: começa simplória, sem prever o final apoteótico e orquestral da coisa. É esse justamente o trunfo e o diferencial dos Guillemots: a ousadia, a imprevisibilidade.</p>
<p>É ouvir pra crer.</p>
<p>A banda está aí para provar que se pode, sim, juntar os estilos mais diferentes do globo e conseguir boa música. Eu disse boa? Desculpe, quis dizer ótima. Ou qualquer sinônimo que você queira usar como adjetivo.</p>
<p>* * *</p>
<p><em>*Ah sim, a última surpresa: o Guillemots também é diferente por ter uma mulher tocando na banda. Diferencial ou não?</em></p>
<p><em>*Você pode puxar o cd dos Guillemots através <a href="http://rapidshare.com/files/710984/_2006__through_the_windowpane.rar" target="_blank">desse</a> link, pego na comunidade Discografias do Orkut.</em></p>
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