Dentro do meu peito não aprendi a suplicar. Servi no copo um bocado de alma, e esperei. Entendo um pouco de paciência, e melhor abstrair os conformismos que nada muito bom pode vir daí: seguro pelas pontas a toalha xadrez que cobre a mesa e olho com nervosismo para a prataria, os vidros, o café, os cigarros, meu copo de alma. Fecho os olhos e puxo o pano com força e rapidez. Algumas das minhas melhores emoções começaram assim, de um constrangimento; constrangimento em achar que dificuldade é sinônimo de aprendizagem. Eu acho isto, sim, mas adorarei o dia que o mundo se desfizer em fácil. Dobro a toalha com carinho e certa brandura, coloco-a no canto da mesa e percebo um pouco de alma derramada na madeira. Sorrio, lembrando que não se pode devolver a bebida da alma para o coração da garrafa, mas, se um dia foi para o copo, valeu à pena oferecer. Mais um copo de alma, tudo bem. Ele fará companhia à mesa e esperará. Dentro do meu peito, essa sala de solitários triunfos, não aprende-se a suplicar.
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Assim conjuguei meu mundo próprio: contendo. O experimento de lucrar com os pedaços de vida deixados para trás é a forma com que me adquiro, colocando palavras que equilibrem essa balança cujo lado oposto é só solidão. E que haja a memória, a minha, esta que vem atrelada de sabotagem. Pois eu me engano quando acredito e feliz o faço quando escrevo.
Leia-me
Encontre-me
Desafie-me
Porque seus parâmetros fazem da minha linguagem muito mais criativa: desafie-me um texto.
desafios@pelvini.com
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