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		<title>O que vale</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 21:12:13 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[palavras]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada além das palavras me vale a pena, porque é delas que eu tiro qualquer força pra continuar a viver. Não só as palavras escritas, mas as palavras ouvidas, as palavras faladas, as palavras vividas. As que fazem diferença.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Nada além das palavras me vale a pena, porque é delas que eu tiro qualquer força pra continuar a viver. Não só as palavras escritas, mas as palavras ouvidas, as palavras faladas, as palavras vividas. As que fazem diferença.</p>
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		<title>Eu sou&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 17:14:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8230;um estado de catarse maximizada, debaixo de mil lupas: sou além de mim o que eu mesmo sou em mim.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230;um estado de catarse maximizada, debaixo de mil lupas: sou além de mim o que eu mesmo sou em mim.</p>
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		<title>Sobre amor, sexo e outras besteiras</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 15:24:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos Desafiadores]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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		<category><![CDATA[sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[Desafie-me um Texto #32
É Rafa, sou eu mesmo, Bruno.
Desculpa, volto aqui com mais do mesmo. Pareço um disco quebrado. Devo confessar algo que talvez você não tenha notado: sou um eterno apaixonado. Mas somos todos assim, né? Bem, não vou enrolar. Quero que me diga, da forma que lhe parecer melhor, até onde o sexo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong><em>Desafie-me um Texto #32<br />
</em></strong><em>É Rafa, sou eu mesmo, Bruno.<br />
Desculpa, volto aqui com mais do mesmo. Pareço um disco quebrado. Devo confessar algo que talvez você não tenha notado: sou um eterno apaixonado. Mas somos todos assim, né? Bem, não vou enrolar. Quero que me diga, da forma que lhe parecer melhor, até onde o sexo é importante na vida, e como sei se o que sinto é amor ou paixão (são diferentes?). Relacione, desembaralhe, sei lá&#8230; De fato, quero entender.<br />
Abraços,<strong> Bruno Marcelino<br />
</strong></em></p></blockquote>
<p>O sentimento é a conjuntura das palavras. Estas, por sua vez, são a estrutura da vida. E apesar de uni-las nestes desafios, eu acho engraçada essa confiança que botam em meu julgamento, essa fé pelas respostas que eu mesmo não tenho exatas. Será que por serem feitas de palavras eu deveria saber mais sobre as questões que mexem com o coração de quem lê? Não. Mas desde que <a href="http://pelvini.com/2008/12/atitudes-para-viver-feliz/" target="_blank">me pediram por atitudes para ter uma vida mais feliz</a> num passado longínquo, tenho reparado como creem que eu posso capturar e sentir os sentimentos alheios. Empatia? Sensibilidade? Também não. Sou ser compassivo, mas verá que não sei ser humano se me interpretar do começo ao fim.</p>
<p style="text-align: center;">* * *</p>
<p>Quanto ao amor. Dizem que não se deve escrever sobre amor no princípio da vida e há certa razão nisso: eu sei que tenho em mim a vontade de amar, mas sou bobo demais pra compreender o sentimento. As histórias de amor que conto em palavras não passam de mentiras construídas, porque o amor nunca me sentiu. E como poderia ser diferente? Eu sou do tipo que produz ilusões diárias. Felizmente dá pra vislumbrar aquilo que acreditamos que existe, e eu seria um tolo se duvidasse da capacidade de amar. Não a minha capacidade, mas a dos outros, porque eu não sou do tipo que ama. Não é que eu seja insensível e não queira – os outros que são incapazes, e pode me chamar de onisciente.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * *</strong></p>
<p>Quanto ao sexo. Conheço pessoas que vão gozar dele todos os dias e assim serão felizes, e outras que abnegam dele e estarão igualmente satisfeitas. E dá pra julgá-las? Perder tempo pensando na moral dos outros faz esquecer a moral da vida, que sempre foi, não se engane, viver. E aí <em>faça o que tu queres pois é tudo da lei</em>, seja dentro ou fora do quarto, embaixo ou em cima da cama, sob ou sobre os lençóis, esteja-se por cima, por baixo, em pé, deitado, de lado, com uma, duas, três pessoas – ou não faça nada disso. As regras aqui são as mesmas, Bruno&#8230; Respeite a vontade alheia, não prejudique ninguém e, em absoluto, tente não se prejudicar: não é isso que as pessoas costumam aprender em casa? Falam que é. Agora, o que não adianta mesmo, amigo, é procurar aqui fora as respostas que estão aí dentro.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>* * *</strong></p>
<p>Entendeu?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Cingido</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 14:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavras Fortuitas]]></category>
		<category><![CDATA[sentir]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Conheço bem minhas qualidades. Fico apenas admirado com a habilidade das outras pessoas em lidar com tudo. Eu sou tão imaturo com as coisas. Elas judiam de mim por isso, porque eu vou além da insegurança comum. Daí vem meu problema, a falta de habilidade. A vida nem me fez inábil, na verdade ela fez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conheço bem minhas qualidades. Fico apenas admirado com a habilidade das outras pessoas em lidar com tudo. Eu sou tão imaturo com as coisas. Elas judiam de mim por isso, porque eu vou além da insegurança comum. Daí vem meu problema, a falta de habilidade. A vida nem me fez inábil, na verdade ela fez o inverso. Eu que não sei cingir do jeito certo. Porque <em>como</em> sinto é um átimo do que o sentir <em>é</em>. E eu não sei lidar com a vida: ela não me sente. Em nenhum instante.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Preso ao Ar</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 21:48:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios Deliberados]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[sebo]]></category>
		<category><![CDATA[sentir]]></category>

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		<description><![CDATA[Sinta isso:
Um bebê está brincando tranquilamente com seu dinossauro de pelúcia, criatura verde do tamanho da cabeça dele; o bebê está feliz e rindo e todo cheio de fofura e inocência. Atrás dele há um guarda-roupa enorme, equilibrado em pés de madeira, que não resistem ao peso e se quebram. O móvel vai cair em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sinta isso:</p>
<p>Um bebê está brincando tranquilamente com seu dinossauro de pelúcia, criatura verde do tamanho da cabeça dele; o bebê está feliz e rindo e todo cheio de fofura e inocência. Atrás dele há um guarda-roupa enorme, equilibrado em pés de madeira, que não resistem ao peso e se quebram. O móvel vai cair em cima da criança e ninguém pode salvá-la. Ele tomba, crescente peso e velocidade, a criança olha pra cima.</p>
<p>Pare.  Sentiu?</p>
<p>Então.</p>
<p>Hoje vendi cinco livros a um sebo. Não são livros importantes para mim, não mesmo, são de um estilo que eu não gosto e estavam encalhados aqui em casa sem ninguém para lê-los: desserviço. Alguém fará melhor proveito deles, tenho certeza. E eu não sei exatamente dizer como, mas há uma espécie de perda nisso, mesmo eu sabendo de que livros mais novos e necessários virão – mais parece que estou cortando as unhas.</p>
<p>Eu sei que não preciso saber quais são os sete hábitos das pessoas altamente eficazes ou quem são os vampiros da meia-noite, porque lista de atitudes corretas e histórias de terror eu as encontro em casa, muito obrigado. Ainda assim. Senti o guarda-roupa da criança suspenso sobre minha cabeça, enquanto eu, desprevenido, cortava a unha do dedão do pé; aí o dono do sebo disse o preço e eu falei “tudo bem”.</p>
<p>Agora estou aqui olhando o guarda-roupa estático no ar e a criança está olhando pra cima sem saber se vai ser esmagada e você está olhando pra mim sem saber se eu me arrependi da venda ou não.</p>
<p style="text-align: center;">* * *</p>
<p>Sentir pelo enlevo de sentir não é só um meio – é o meu propósito.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Meu Nome</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 22:46:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Palavras Fortuitas]]></category>
		<category><![CDATA[solidão]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre me assusto quando meu celular toca. Lembraram de mim, penso. Realmente lembraram de mim.
É porque não me chamo solidão, ainda que pareça um sinônimo dela. Na análise morfólogica, sou só um adjetivo substituível da vida alheia. Isso assusta, ainda que felicita.
Lembraram de mim, penso, o coração encolhido de susto e pulando de alegria.
- Alô. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre me assusto quando meu celular toca. Lembraram de mim, penso. Realmente lembraram de mim.</p>
<p>É porque não me chamo solidão, ainda que pareça um sinônimo dela. Na análise morfólogica, sou só um adjetivo substituível da vida alheia. Isso assusta, ainda que felicita.</p>
<p>Lembraram de mim, penso, o coração encolhido de susto e pulando de alegria.</p>
<p>- Alô. Foi engano?</p>
<p>Justo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Onde Vivem os Monstros, de Spike Jonze</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 13:27:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Apreciação (des)favorável]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Monstros]]></category>
		<category><![CDATA[Onde Vivem os Monstros]]></category>
		<category><![CDATA[Santos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Foi de inusitado: estive em Santos nesse feriado e, diferente de São Bernardo do Campo, lá estava passando Onde Vivem os Monstros. Já havia desencanado de ver o filme no cinema – primeiro por não querer mais, segundo por não estar mais afim – mas achei que, dentre os outros filmes em cartaz, este valeria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="onde vivem os montros" src="http://img199.imageshack.us/img199/3811/wtwtabannerjpg600x600au.jpg" alt="" width="480" height="179" /></p>
<p>Foi de inusitado: estive em Santos nesse feriado e, diferente de São Bernardo do Campo, lá estava passando <em>Onde Vivem os Monstros</em>. Já havia desencanado de ver o filme no cinema – primeiro por não querer mais, segundo por não estar mais afim – mas achei que, dentre os outros filmes em cartaz, este valeria um texto.</p>
<p>O que é interessante. Quando eu descobri que gostava de escrever, pensar que qualquer coisa que acontecesse poderia render umas palavras me servia de consolo e alternativa. E, quando eu era mais criança, trancar-me no quarto e fazer cabana de cobertores para inventar mil aventuras também servia de fuga – e, por que não, espelho – da realidade rebelde.</p>
<p>Identificação pura! Max, o menino protagonista de <em>Onde Vivem os Monstros</em>, após aprontar com a irmã e morder a mãe quando levava uma coça, foge de casa e vai para uma ilha onde encontra um grupo de monstros. As criaturas, feias mas bonitas (tal qual seres humanos), são utilizadas como a personificação inventada para as pessoas que rodeiam Max e para o próprio Max.</p>
<p>Tal reflexo da realidade é trabalhado com obviedade por Jonze – o que, a despeito das crianças com menos de 10 anos, subestima e cansa um pouco. Ao mesmo tempo, o diretor capta com precisão e peculiaridade cada epifania de Max (a cena que abre o filme é memorável), seja ele se sentindo bem embaixo de um montinho de monstros ou observando sua família enquanto reflete sobre o fim do mundo. Tal trunfo de Jonze é dividido com Max Records, garoto ator cuja atuação é encantadora – bastante, mesmo – e é um dos pontos máximos da película.</p>
<p>E a trilha sonora, assinada em quatro mãos, duas delas de Karen O. do The Yeah Yeah Yeahs, completa o mundo infantil visto, vivido e criado por Max: apostando na voz fina e em letras então infantis – de fato, até o próprio Max está eventualmente cantando – Karen O. acerta em cheio ao completar tudo com uma sonoridade muito simples, alcançada por violões e melodias esperançosas. É de abraçar o coração, tal como o livro infantil que originou o filme.</p>
<p>Maurice Sendak, o autor do tal livro – famoso e homônimo –, assinou roteiro e produção. É importante ressaltar essa informação, por meras questões de adaptação. O filme utiliza o livro apenas como acessório, pegando os personagens e poucas situações e criando uma história nova com muitos detalhes novos – algo compreensível, visto que o livro você lê em cinco minutos. Portanto, a relação livro-filme é apenas imagética:  vai da fantasia de monstro do Max à aparência de Carol, KW, Douglas, Ira, Judith e companhia. Todo resto é inventado.</p>
<p>O jantar e a felicidade estão lá, quentinhos, esperando por todos no fim – alguns podem duvidar e subestimar, mas <em>Onde Vivem os Monstros</em> é, sim, um filme para crianças – ainda que eu não me importaria de ver Max, após perceber o “não sou mal, apenas não sei o que faço”, voltar pra casa e, sem condescendência, dizer que aprendeu a pedir desculpas.</p>
<p>Mas, olha só: onde vivem os tais monstros além de dentro de maiores erros e de eventuais acertos? Depois de deixar sua história ir para o cinema, Maurice Sendak que o diga.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Junior</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Feb 2010 18:11:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano Revivido]]></category>
		<category><![CDATA[Capela]]></category>
		<category><![CDATA[Lágrimas]]></category>
		<category><![CDATA[Projeto Rondon]]></category>
		<category><![CDATA[saudade]]></category>
		<category><![CDATA[tristeza]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

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		<description><![CDATA[Um Fim
Ele se despediu de mim de modo frio, apático. E, mesmo que eu tentasse – e eu tentei, uma vez só –, ele não quis me abraçar, apenas virou as costas, acenou sem graça.
Disse “tchau”.
Os Meios
“Você não conversa muito por aqui, conversa?”. Ele abanou a cabeça com veemência. “E seus pais?”. Ele deu de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><span style="color: #666699;"><strong><em>Um Fim</em></strong></span></p>
<p>Ele se despediu de mim de modo frio, apático. E, mesmo que eu tentasse – e eu tentei, uma vez só –, ele não quis me abraçar, apenas virou as costas, acenou sem graça.</p>
<p>Disse “tchau”.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #666699;"><em>Os Meios</em></span></strong></p>
<p>“Você não conversa muito por aqui, conversa?”. Ele abanou a cabeça com veemência. “E seus pais?”. Ele deu de ombros, “trabalham”, “e você?”. Ele se levantou, sem graça. “Você precisa entrar, não é, tio?”. “A gente pode ficar conversando, se você quiser”, mas ele já estava subindo na bicicleta enferrujada.</p>
<p>E lá se foi Junior, pedalando molemente a tal bicicleta que não era sua. Desviando dos buracos da rua. A postura cansada por debaixo de uma camiseta de time, rasgada. Ainda assim, uma determinação muda que não o faz olhar pra trás.</p>
<p>Junior aprendeu a dar as costas muito cedo. Chorei bastante, e ainda o faço, quando digo isso pra mim mesmo. Eu tenho saudades do Júnior. Diariamente. Mas não é a saudade que dói, não. Dói é saber que a vida ensinou a ele que é muito fácil esquecer; porque é o que você faz quando não tem chances: você abstrai.</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #666699;"><em>O Princípio</em></span></strong></p>
<p>Tem as mãos quentinhas, o Junior. Sua voz é tão tênue, aquele timbre infantil que ainda não se define masculino ou feminino. A gente se conheceu meio que sem querer – tenho orgulho de dizer que fui o primeiro a enxerga-lo – quando eu estava cansado no fim do dia e me sentei na calçada pra observar tudo.</p>
<p>“Vocês são do Rondon, é?”</p>
<p>Sua voz medrosa chegou até mim, sua expressão desconfiada veio depois, e ele sorriu quando eu acenei com a cabeça que sim. Deixou no chão a bicicleta com que fazia fretes e se sentou ao meu lado. “E vocês vão ficar quanto tempo? Vocês vieram de onde? Vão fazer o que? Você sabe andar de bicicleta? Você não faz a barba não, tio?”</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #666699;"><em>O descomeço</em></span></strong></p>
<p>“Ei! Ei! Junior! Me espera!”</p>
<p>Ele parou a bicicleta e eu corri pra alcança-lo. E por mais que eu tenha ido com ele até sua casa, por mais que tenha conhecido sua família, papeado com seu pai, por mais que eu tenha Junior sentado atrás da bicicleta, rindo&#8230; Eu também tenho sua despedida raivosa e a minha incapacidade de abraça-lo de um jeito mais quente.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #666699;"><strong>*</strong></span></p>
<p>“Vocês são do Rondon, é?”</p>
<p>Nem conversamos dois minutos quando Junior segurou minha mão. Ele a apertou, brincou um pouco com ela, comparou com as suas, os olhos com um brilho tão distante, ainda que tão sincero. Conversamos tanto ali, Junior e eu, em mais completo diálogo com o silêncio.</p>
<p>Eu fiz um afago na cabeça do menino, os olhos desviando-se dos calos na palma da mão dele. Ele olhou pra mim, cheio de amizade, e eu sorri de volta, abraçando-o como faria se tivesse um filho.</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #666699;"><strong>*</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><img class="aligncenter" title="junior" src="http://img202.imageshack.us/img202/3869/pa280204.jpg" alt="" width="301" height="400" /></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #666699;"><strong>*</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><em>Capela/AL, Janeiro de 2010</em><strong><br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>As Cortinas de Dona Petrúcia</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 16:28:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cotidiano Revivido]]></category>
		<category><![CDATA[Capela]]></category>
		<category><![CDATA[cordas]]></category>
		<category><![CDATA[cortinas]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[manga]]></category>
		<category><![CDATA[nó]]></category>

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		<description><![CDATA[As cortinas de Dona Petrúcia são exatamente como a própria Dona Petrúcia: feitas à mão. De quem? Ora, de alguém com a habilidade de fazer as cordas e tecer os fios e construir os nós da vida. “Que a gente tá aqui esperando o mundo vir ou a morte acontecer”, algo assim. E um monte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As cortinas de Dona Petrúcia são exatamente como a própria Dona Petrúcia: feitas à mão. De quem? Ora, de alguém com a habilidade de fazer as cordas e tecer os fios e construir os nós da vida. “Que a gente tá aqui esperando o mundo vir ou a morte acontecer”, algo assim. E um monte de mangas dentro de um balde, porque é disso que se vive, de natureza, quando se espera o mundo vir e o Deus-me-livre acontecer – só mais um fio do nó que está na corda.</p>
<p>As cortinas de Dona Petrúcia são as paredes de uma casa sem cômodos. Elas sustentam um véu de privacidade, assim as panelas penduradas na parede da pia mal enxergam os quadros dos quase queridos genros, que levaram as filhas de Petrúcia para Maceió. Cortinas da vida real.</p>
<p>“A gente divide essas mangas com vocês, se quiserem”, mas quem quer não exatamente passa fome e a manga bonita me deu náuseas e estafa, porque me vi comendo-as todo não-santo dia, descascando-as com a boca, sem ter nada além da unha pra tirar os fiapos dos dentes, sem ter nada pra tirar os fios da memória: esses últimos embaralham e embolam fácil, fácil.</p>
<p>Dona Petrúcia aperta as mãos feitas quando peço a gentileza de usar seu banheiro. “Ô, filho, mas a gente é tão simples”, “Sim, a gente é simples”, e ela indica uma portinha do lado de fora da casa.</p>
<p>No caminho, a visão mais privilegiada da cidade me abraçou. Um rio que, como o ser humano, é lindo e está doente, faz a curva no horizonte. O céu, indiferente a tudo, sustenta nuvens que chovem em gotas tão salgadas quanto o preço da fome. Completando, um mar de açúcar. De cana.</p>
<p>Eu fecho os olhos, pálpebras acortinando Deus, e desisto. Volto à casa, onde Dona Petrúcia conta sua história, e peço permissão por uma foto – um nó pelo meu sorriso, sim?</p>
<p>“Sim”, responde Dona Petrúcia, a voz denunciando o mais tênue dos orgulhos, que ali era mais que um arrombo. “Fui eu que fiz.”</p>
<p>E ela jogou mil fios em mim, enrolou-se na minha cintura, deu dois nós no meu peito, um beijo na minha testa e completou:</p>
<p>“À mão.”</p>
<p style="text-align: center;">* * *</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Cortinas" src="http://img211.imageshack.us/img211/535/pa290238.jpg" alt="" width="400" height="301" /></p>
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<p style="text-align: center;"><em>Santa Efigênia, Capela/AL, Janeiro de 2010</em></p>
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		<title>Do outro lado</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 18:54:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>pelvini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devaneios Deliberados]]></category>
		<category><![CDATA[coração]]></category>
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		<description><![CDATA[Lá está ele, sentado do outro lado da sala – o outro ponteiro do relógio. E aqui está você, esperando que ele olhe na sua direção e repare que você existe. A sorte coloca qualquer outro rapaz no seu caminho, claro, porque a vida não é exatamente legal contigo quando o assunto é Dois. Ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lá está ele, sentado do outro lado da sala – o outro ponteiro do relógio. E aqui está você, esperando que ele olhe na sua direção e repare que você existe. A sorte coloca qualquer outro rapaz no seu caminho, claro, porque a vida não é exatamente legal contigo quando o assunto é Dois. Ela não liga muito para seus interesses, você diz pra si, é muito esquecida.</p>
<p>Mas, como bem disseram, cuidado com o que você deseja &#8211; a vida também é sarcástica e fajuta. Acontece que no fim das contas o rapaz do outro lado do espelho se levanta, e vem. Você pergunta o nome dele. Ele responde e, alguns segundos depois, o olhar culpado por sua displicência, pergunta o mesmo pra você. E você responde, sentindo-se a mais imbecil criatura por ver esperança nisso.</p>
<p>O que você está sentindo não é o sentimento – é aquilo que o precede. É o seu desejo de sentir tudo isso de que você teve prévia. É o seu desejo de ser o possível para que o outro veja em você o necessário. Sem que haja dor alguma pra isso&#8230; Sem que haja tanta espera. Porque o sentimento que precede o sentimento é esse mesmo, já que pensei a respeito: espera.</p>
<p>Você espera.</p>
<p>E, assim, nunca se apaixona. Ainda que, vamos concordar, tenha todo o potencial pra isso. E a sua hora ainda vai chegar – metáfora besta, eu sei, mas você só tem o ponteiro que conta as horas, por isso o tempo parece tão longo – e, da próxima vez que o rapaz do outro lado da sala se levantar, ele vai andar na sua direção.</p>
<p>Não se empolgue: assim como você, eu também sou imbecil e acredito na esperança.</p>
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