Conheci um senhor hoje: Seu José dos Olhos Azuis. Parado debaixo de uma árvore qualquer, descascando uma manga, pele avermelhada, boné de político, sentado de frente pra linha do trem que atravessa a cidade.
Conversa porque conversa, Seu José me falou de viuvez: perdera a mulher, que o fizera trocar São Paulo por Capela, há 17 anos. De lá nunca mais saiu.
“E o trem, Seu José?”
“O trem nunca passou, não… Mas os trilhos existem”.
O trem nunca passou na cidade… Mas os trilhos, estes existem em mim. Outro trem, é claro, já me atravessou: veio rápido de uma estação construída por um par idoso de olhos azuis.







Tudo o que você escreve respira, vive. A gente sente cada palavra, cada letra, a gente ouve tua voz e teu coração batendo.
Beijo ;*
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