Lá está ele, sentado do outro lado da sala – o outro ponteiro do relógio. E aqui está você, esperando que ele olhe na sua direção e repare que você existe. A sorte coloca qualquer outro rapaz no seu caminho, claro, porque a vida não é exatamente legal contigo quando o assunto é Dois. Ela não liga muito para seus interesses, você diz pra si, é muito esquecida.
Mas, como bem disseram, cuidado com o que você deseja – a vida também é sarcástica e fajuta. Acontece que no fim das contas o rapaz do outro lado do espelho se levanta, e vem. Você pergunta o nome dele. Ele responde e, alguns segundos depois, o olhar culpado por sua displicência, pergunta o mesmo pra você. E você responde, sentindo-se a mais imbecil criatura por ver esperança nisso.
O que você está sentindo não é o sentimento – é aquilo que o precede. É o seu desejo de sentir tudo isso de que você teve prévia. É o seu desejo de ser o possível para que o outro veja em você o necessário. Sem que haja dor alguma pra isso… Sem que haja tanta espera. Porque o sentimento que precede o sentimento é esse mesmo, já que pensei a respeito: espera.
Você espera.
E, assim, nunca se apaixona. Ainda que, vamos concordar, tenha todo o potencial pra isso. E a sua hora ainda vai chegar – metáfora besta, eu sei, mas você só tem o ponteiro que conta as horas, por isso o tempo parece tão longo – e, da próxima vez que o rapaz do outro lado da sala se levantar, ele vai andar na sua direção.
Não se empolgue: assim como você, eu também sou imbecil e acredito na esperança.







hm, eu queria ter escrito esse texto.
teria surgido enquanto eu escutava Kings (como não poderia deixar de ser :~) e com rabiscos na borda da folha.
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É incrível como a expectativa é a grande força motriz do ser humano. Muitos diriam que é o orgulho ou o egoísmo, mas eu acredito que seja a expectativa. Sabe, as horas, os minutos, os segundos que antecedem um primeiro beijo, uma viagem, uma festa, um show da sua vida…? É isso que nos move.
Sofro disso abertamente. Nada é tão triste quando o final de uma festa.
Acho que porque o antes está cheio de possibilidades, enquanto o depois é só recordações…
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