Onze minutos e quarenta e cinco segundos, talvez um pouco menos. É o preço a pagar pela morte daquilo que vive e faz respirar. É uma tarde obscura essa, a que dura menos de um bom sono e mais que o carinho inexistente. Certa vez disseram que uma mosca vive umas vinte e quatro horas, talvez um pouco mais talvez um pouco menos, mas o suficiente para incomodar e dizer que uma vida é plena e completa mesmo que dure só um dia. Onze minutos e quarenta e cinco segundos são o que, a infância ou a velhice? Sem confusões da variável tempo-espaço, onze minutos e quarenta e cinco segundos é mais que marcação e delimitação dependendo de quem olha, vive e sente.
Na tarde obscura que acaba não demora muito tempo pra ser noite, e o tempo corrido no relógio diz que são quase doze minutos até que a claridade suma e a mosca morra e se corra até que o ponteiro resolva andar para trás. Não precisa fazer sentido, apenas precisa contar os passos que paralelam os segundos que formam o tempo necessário para matar aquilo que vive e faz respirar. E é assim. Com a vida matando o tempo e com o tempo que faz correr o mundo, eu vou contando a vida nos onze minutos e quarenta e cinco segundos que restam. Bata palmas e a mosca morre. Sem saber o que se significa, já que não sabe o tempo. Eu também sei lá.








ainda bem que vc existe e escreve…