Então continuemos com os discos que mais curti em 2008, sem ordem de qualidade ou favoritismo, com seus sites oficiais e respectivos Myspace – é só clicar no nome do álbum para cair lá. Bandas e artistas sem site oficial estão com Myspace e links para downloads de seus discos devidamente colocados – obrigados especiais ao site Sinewave, ao Vício Auditivo e ao Barulho Bom.
Little Joy | Little Joy | Trio formado por Rodrigo Amarante, Binki Shapiro e Fab Moretti (parênteses aberto para dizer que eu tenho uma aluna que tem este novo sobrenome, haverá algum parentesco distante?), o Little Joy já foi citado como a nova salvação do rock (ah, por favor). Já vale ouvir só pelos membros – um do Los Hermanos, o outro do Strokes e a mocinha namorada deste, que tem voz bonitinha. Eu curti. “Brand New Start” tem um refrão legal (“There ain’t no lover like the one I got”) e “The Next Time Around” tem videoclip cult e seu trecho louvável em português. “Evaporar”, a última faixa do disco, também é toda cantada em português. Fique atento: Little Joy vem para shows no Brasil em Janeiro de 2009.
Marcelo Camelo | Sou | Podem criticar, falar que é só voz e violão – o que, como diria a Rebeca, não deixa de ser verdade – mas eu achei ótimo. Foi uma sincera decepção não poder ir no show dele. Apelando para a simplicidade de voz e uma calma pouco vista em sua época de Los Hermanos, Camelo vem acompanhado do post-rock brasileiro Hurtmold (Sou em alguns momentos se parece com Do Make Say Think), da voz de moça de Mallu Magalhães (“Janta”), do acompanhamento de Dominguinhos (“Liberdade”). “Doce Solidão” (vejam que vídeo incrível) é maravilhosa, virou até tema musical da minha turminha de alunos. Como se não bastasse, o cd ainda vem com um encarte muito bonito. Recomendo, porque é na simplicidade que se encontra verdadeiras genialidades.
MGMT | Oracular Spectacular| Dupla de hippies, o MGMT – abreviação para The Management – chegou aqui com a famosinha “Time to Pretend”. Já assistiu ao clipe? Absolutamente psicodélico, assim como o restante de suas faixas e videoclipes. A dupla de rapazes já fezcomercial (junto a outros artistas, como Santogold) para a marca All Star Converse. Eles fizeram show aqui no Brasil este ano, onde apresentaram as (boas) “Kids”, “Electric Feel” e a minha favorita “The Youth”. Curiosidade bacana: o Kaiser Chiefs fez uma versão mais rapidinha de “Time to Pretend” (veja) ao passo que a Katy Perry cantou “Electric Feel” (ouça).
Portishead | Third | Cerca de dez anos depois do cd anterior, Beth Gibbons e cia voltaram com um trabalho ora melancólico, ora revolto. Com uma surpresinha em português logo na primeira faixa e abusando de sons repetitivos em loop (proposital redundância), Third agrada aos fãs antigos e conquista novos ouvintes. “The Rip” tem um clipe assustador; “Nylon Smile” tem uma letra angustiada; “We Carry On” e “Machine Gun” se destacam na primeira ouvida, mas “Magic Doors” é a melhor de todo o disco.
Sertão Agrário | Crescendo | O cenário brasileiro de post-rock ficou em evidência depois que o Hurtmold apoiou Marcelo Camelo em Sou. Subjetividade e instropecção são as palavras-chave desse estilo musical, que no país conta também com os excelentes Macaco Bong, Herod Layne e o [Art].Ficial. Dentre poucas e boas, Sertão Agrário se destacou (para mim, claro) com este Crescendo (o que não deixa de ser um paralelo sobre como vai o post-rock nacional). O álbum contém retratos e memórias de nossas infâncias. Tem músicas que falam aos verdadeiros ritos de passagem, que solidificam uma adolescência que pouco se perdeu. É insinuante e perturbador. Crescendo nos conta, faixa a faixa, uma história de vida, que começa com a inocência de um bebê (“Ting Tong”), a alegria e o fim da infância (“Chuva” e “Chegue lá de três horas, sonequinha e vambora”), as perturbações da adolescência (“Tromba D’água” e “Growing Up”), a entrada na vida adulta (“Grandir” e “Céu”), o primeiro amor (“Maísa” e “Mega Biuri”, oras), os inícios da nostalgia (“Pedrinho e o Dragão Lunar”, a melhor do disco) e – por que não? – a infantilidade da velhice (“Descobrindo” e “Berço”). O gostar tem muito a ver com a nossa pessoalidade e eu encontrei significado no som do Sertão Agrário, encontrei uma forma de enxergar o (meu) amadurecimento.
Sigur Rós | Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust | Sou fã incondicional de Sigur Rós. Acho que nenhuma música me toca e me emociona tanto, desde o experimental Von, passando pelo enigmático ( ), o primoroso Ágætis Byrjun, o alegre Takk… (dentre outros pequenos lançamentos) até o mais recente disco. Með Suð…, o melhor do ano na minha opinião, conta com as lindas “Festival” e “Ára Bátur”, além de pérolas como “Gobbledigook” e “Við Spilum Endalaust” (cuja melodia originou isto aqui), além da primeira música da banda – islandesa – cantada em inglês (“All Alright”). A voz em falsete do vocalista é infantil e dependente – às vezes até parece um canto dos excluídos, que clamam por atenção – e a música é de um som atípico, retirado muito provavelmente de um sonho em que não se deve acordar. Eu gostava do tom de segredo que tinha por trás de Sigur Rós, algo do tipo “ah, só eu e mais meia dúzia conhecem”, mas não mais. Agora a banda mostra o quão grande pode ser.
The Ting Tings | We Started Nothing | Eu não sei o que exatamente a Wikipedia quer dizer com “garage pop”, mas o Ting Tings surgiu com batida marcada, integrantes cool (Jules de Martino e Katie White), atitude pop de hoje em dia e letras dançantes. As badaladas “That’s Not My Name” e “Shut Up and Let Me Go” estão lá, mas, além dessas, as que mais gosto são “We Walk” e “Great DJ”. Pra baixar e sair dançando, mal. Aliás, os Tings fizeram apresentação no EMA desse ano, e eu achei muito válida (e o EMA sempre é mais válido que o VMA, diga-se de passagem).
Zeigeist | The Jade Motel | Banda sueca de – que? – eletroclash. A faixa “Tar Heart” chama a atenção por se inspirar em Kate Bush, mas as melhores são, mesmo, “Bunny” (em que a música tem quês de Alice no País das Maravilhas e é toda melosinha), “The Lake” e a primeira de todo o disco, “Humanitarism”. E se outras bandas parecem se inspirar nos 80′s, Zeigeist parece ter nascido lá: ouça “Pressurized Chamber” para ter um grande e absurdo deja-vu.
A lista acaba aqui, mas há ainda uma recomendação – dois EP de bandas que prometem:
Passion Pit | Chunk of Change | Depois de ter uma música remixada por Yelle, Passion Pit se mostrou famoso. Com a ótima “Sleepyhead” e “I’ve Got Your Number” e, como não, “Better Things”, Chunk of Change é só uma amostra do que o Passion Pit vai nos mostrar em 2009.
Brasstronaut | Old World Lies | Piano e trompete formam a combinação inusitada dessa dupla de rapazes canadenses. Com apenas quatro músicas e muita sensibilidade, este Old World Lies tem momentos sublimes e tão tristes que chegam a ser maldosos com o coração. Ouça “Fan” para entender o que digo e atenha-se a “Insects“.
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“Sem música, a vida seria um erro”.
- Nietzsche.








Confesso ter passado meio batido pelo post, mas eu precisava falar: Não aguento mais Mallu Magalhães! Sério, nada contra a menina, mas CHEGAPELOAMORDEDEUSMEUPOVO. XD
hype a menina, não?
eu gosto, acho que foi uma ótima surpresa, mas acho que ela é bem superestimada… vamos esperar os próximos discos!
beijos =*