E aqui o rol que eu mais gostei de fazer: não é exatamente o de melhores filmes do ano, mas de melhores sessões do ano. Mais uma vez, e mais nesse que nos outros, um rol extremamente pessoal. Os filmes estão com seus respectivos trailers linkados: não estão exatamente creditados porque não são arrolamentos dos filmes e sim dos momentos que me proporcionaram.
Cloverfield | Um teaser trailer provocador, uma proposta parecida com o A Bruxa de Blair, mas com um orçamento alto e J.J. Abrams, o criador de Lost, por trás de tudo – foram os motivos que me animaram a ver este Cloverfield no cinema. O problema foi ter acompanhado os virais do filme pela internet: quando o filme acabou, mais parecia mais parte de um ARG que cinema pipoca. Enfim: Cloverfield está listado primeiro por ter sido a sessão mais incrível de todas – peguei a sessão de um domingo, ao 12:35. Só havia eu, sozinho, em toda a sala 3 do Cinemark Extra Anchieta. Me senti no sofá de casa, mas com uma tela extremamente maior. Fantástico.
Juno (este trailer definitivamente me emociona) | Ter uma sala só pra mim me animou a pegar uma mesma sessãoo mesmo dia. Não se falava de outra coisa a não ser Juno, sua indicação ao Oscar e sua comparação a Pequena Miss Sunshine – como filme independente que conquistou pelo boca-a-boca – e, claro, Ellen Page. Almocei e peguei o filme às 16. A sala já não estava mais tão vazia e um casal de jovens se posicionou do meu lado. O outro estava bem guardado para um amiga. O casal de jovens assistiu ao filme exemplarmente, coladinhos, mas sem amassos, sem besteirice. No fim do filme, os dois apenas soltaram um “lindo”. Resultado: um filme favorito para mim e a esperança de amor pouco brega. Isto o ingresso não paga!
Speed Racer | Um exemplo de ritmo e técnica peculiares, este Speed Racer é divertido, colorido, kietsche – acertando o tom entre cinema e anime. Os irmãos Wachowsky se mostram bastante inventivos e o filme é divertido, mas o melhor foi ter ido assistir com o meu Pops. É: ouvir seu pai dizer, em plena Anchieta, que vai acionar a mola do carro para pular por cima do trânsito é impagável. Ah, e um filme que consegue usar um macaco como alívio cômico sem ser ridículo é realmente admirável.
Ponto de Vista | Filminho óbvio, esse. Cria mal feita da trilogia Bourne, com montagem que pretende ser enganosa, abusando da repetição dos fatos, Ponto de Vista foi interessante apenas por ser uma sessão com a turminha da faculdade. Os personagens do filme, no entanto, são bem rasos e, ao tentar aplicar um pouco de complexidade, o roteiro acaba se estragando e destruindo o terceiro ato. A perseguição de carro só não é pior que Código Da Vinci. O interessante era que o cartaz (e o trailer) do filme prometia 8 pontos de vista diferentes da mesma história, o que não acontece na prática. Quase tão enganoso quanto o cartaz de 10.000 AC. É um filme que cai na própria armadilha e se contradiz.
High School Musical 3 | Okie, você pode virar o rosto aqui. Fui ao cinema, porque é Disney, porque dois amigos bacanas também queriam ver, porque não tínhamos nada pra fazer, e que seja. High School Musical é hoje o que o Grease foi na década de 78. Obviamente, Grease é um clássico eterno e eu acredito que HSM não chega a esse patamar. Mas o filme tem musicas legais, que atendem ao pop e ao hype desta época… Porém os gritinhos histéricos das meninas (e meninos, é verdade) ao ver o Zac Efron e os adultos se levantarem para reclamar da falta de respeito foi o que marcou a sessão. Sinceramente, não sei o que estes adultos lá faziam. Acho que se enganaram de sala. Assistir um filme desses e esperar silêncio do clube de fãs juvenil é ridículo. Por isso sempre pego sessões à tarde. Bem mais tranquilo.
Batman: O Cavaleiro das Trevas | Ou melhor, “Coringa”, pois Heath Ledger rouba o filme em todas as cenas. Impecável filme de ação, este Batman admira pela verossimilhança, pelas cenas bem produzidas e, como disse o Gio do Seteventos.org, da megalomania de Christopher Nolan. Ainda assim, mostra um Heath Ledger no ponto (e vamos combinar que a morte do ator o elevou a um dos grandes de Hollywood). A sessão, no entanto, foi atrapalhada pelos 600ml de refrigerante que me fizeram ficar uma vontade enorme de esvaziar a bexiga. E eu não aguentei. Nunca fui tão rápido ao banheiro!
Ensaio Sobre a Cegueira | Eu diria que agosto e setembro foram meses de Saramago. Ler o livro em tempo recorde para poder assistir o filme e fazer comparações e analogias foi uma aventura que culminou numa das sessões mais memoráveis de cinema do ano. Companhias incríveis, veja bem, mais uma conversa cheia de piadas de humor refinado na volta pra casa. O filme de Meirelles é quase excelente, bem editado, com atuações eficazes e uma trilha sonora desconcertante. E, mais importante: não fere o livro como adaptação (apesar de não supera-lo). O problema é que a narração que o permeia acaba por estragar seu final. Uma pena, ainda que eu torça que no DVD seja disponível, nos extras, as versões que o diretor fez antes da final. Quero Ensaio Sobre a Cegueira sem a narração.
[•REC] | Mais um filme que usou o recurso popularizado por Blair. Porém, Rec tem uma ressalva louvável por ser o único filme em que o roteiro dá motivos que soam verdadeiros para que seus personagens continuem a filmar o que está acontecendo. Produção espanhola, Rec conta com a simpatia magnética da atriz principal, com uma edição de som soberba e com um roteiro que se equipara a Extermínio e, como não, ao último Madrugada dos Mortos. Garantia de seqüência e adaptação americana (o desde já ruim Quarantine). Aliás, na sessão que fui, o trailer de Quarantine passou antes do filme ser exibido – e o trailer entrega o final de Rec. Terrível. Fora isso, foi uma sessão divertida. Sair do filme imitando zumbis em espanhol é realmente divertido.
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E é isso!







