As luzes verdes iluminaram as vestes do Monge, que virou-se para contemplar a multidão. Montes e montes de pessoas se aglomerando debaixo de uma tenda enorme, ao som de uma música de batida tão fortemente marcada que tremia a caixa toráxica do Monge.
Acontece que dentre aquela pulsante aglomeração de pessoas, o Monge distinguiu o Mágico entre o preso e a fada. Ele usava cartola, e roupas pretas, e tinha uma linda varinha de condão prateada na mão esquerda. O Mágico teria notado o Monge? Afinal, ele estava com o capuz marrom a tampar-lhe o rosto.
O Mágico acompanhava com cada parte de seu corpo os nuances da música. Dançava como ninguém, como se enfeitiçado. Os olhos fechados indicavam que ele não ouvia a música, mas que a sentia. Em uma noite de lua cheia, em uma festa ao ar livre, a maior magia daquele personagem era ser a música. Ele era parte da música, bem como as estrelas eram parte do céu.
Um instante de abrir os olhos fez com que o Mágico enxergasse o Monge muito próximo de si. Pôde enxergar o sorriso convidativo nos lábios do Monge, e por um instante não acreditou nos próprios olhos. Olhou o Monge de cima abaixo. O atrevimento lhe caía bem.
Monge, que Monge não era mas tinha a atitute comedida atribuída a um, admirou-se com a própria atitute de aproximar-se do belo Mágico. Ele era alto e tinha no rosto a bondade tão expressiva que lhe atraíra. E, como se lesse os pensamentos do Monge, o Mágico usou-se de um truque fajuto. Soltou um pouco a mão da varinha, e uma flor vermelha de papel surgiu em sua ponta.
O Monge riu, puxando a mão do Mágico e fingindo sentir o aroma da flor. E, daí em diante, estavam dançando cada vez mais próximos.
- Desculpe, mas eu me recuso a beijar um Monge. – disse o Mágico por fim, e retirou o capuz do Monge.
Os cabelos puramente lisos e longos da garota por debaixo da fantasia de Monge se jogaram por sobre as costas dela. Maya sorriu do fundo de sua beleza, os olhos tão azuis e a pele tão branca, a maquiagem intocável. O Mágico pareceu agradado com tal exuberante feminilidade.
Maya retirou o chapéu do Mágico, que não era Mágico, mas era Marcos.
- Uma menina fantasiada de Monge – riu Marcos – muito criativo.
Dançaram e curtiram a madrugada inteira.








Esse eh mais bunito … /