A continuação e parte final de Annie Waits.
“Oh, Annie let’s not wait (…)
Just look at you
with your ruffled hair
Oh, i love you
and that’s all you need to know”
- Annie, Let’s Not Wait, Guillemots.
Certo dia, então, não aguentei. Com a cabeça meio alta de cerveja, o rosto barbudo, o cabelo desgrenhado, a camisa branca meio encardida, a calça jeans surrada, atravessei a rua.
- Annie, que diabos você está esperando?
Ela me encarou, o rosto pueril castigado pelo amadurecimento. Ela me fitou, os olhos cheios de esperança. Ela me olhou, e me encarou, e me fitou, e eu percebi que nossas almas estavam chorando.
Mas, mesmo com a mútua percepção, Annie deu as costas. Ela fugiu. E eu fiquei parado, vendo-a correr na direção oposta do meu coração.
O dia seguinte ao êxodo de Annie foi trágico. Assim, eu não tinha mais motivos para ir ao bar tomar as cervejas. Annie não estava mais esperando. Ou, se esperava, não era ali perto da rodoviária.
A minha luz; ela morria.
Naquela noite, revisitei o piano. Fazia tempo que não tocava (não me lembro quando parei de tocar, mas depois que Annie parou com as aulas, acordes e palmas não faziam mais sentido).
Mas Annie morava do outro lado da rua. E eu iria esperar ela sair, e a seguiria, e desta vez fugiríamos juntos.
Ao me ver, ela estacou novamente.
- Annie!
Ela correu.
- Espera! – pedi.
E como corria, a menina! Segui, correndo feito bobo, o coração inflamando. Ela cortou caminho pelo bosque, e cruzamos o rio, e eu a perdi no meio das árvores.
- Annie! Me espera!
E ela surgiu.
Com o celular na mão (aquele em que ela esperava as ligações do ex-namorado). Ela correu de novo, deixou o celular cair no chão. Parei, o peguei e coloquei no bolso.
Saímos do bosque.
Annie corria, a saia curta balançando com o vento, os cabelos mexendo como se tivessem vida própria, o corpo esguia de menina moça repleto de altivez. É assim que sempre vou me lembrar de Annie.
Porque, ao sair do bosque e correr pela rua, um caminhão vinha meio distraído, meio desembestado.
E foi assim que Annie morreu.
Mas foi só mais tarde, quando cheguei em casa com o coração amargo e o rosto sujo de lágrimas, que me dei conta que fiquei com o celular dela. E, ao liga-lo, dei de cara com uma foto minha, bebendo cerveja no bar do outro lado da rua da rodoviária.
E, fuçando mais no pequeno aparelho, encontrei apenas uma mensagem gravada como rascunho, e de repente todas as tardes em que esperamos – eu e ela – fizeram sentido.
Ah, o celular caiu no chão quando eu li o que Annie tinha escrito:
“Eu estava te esperando.”








que ódio, ‘um caminhão vinha meio distraído, meio desembestado’;
prosopopéia besta.
por que a gente nunca sabe quando tem alguém esperando por palmas e acordes que façam todo o sentido?
shoot. :*
Ai que tristeeee! =(
Coitados.
É por isso que eu sempre digo para você nunca deixar de fazer aquilo que você quer… nunca se sabe o que pode acontecer! =/
Te amo!
(L)
=*
why?!
whyyy???
maybe he’s been seriously hurt….very very very hurt…
como uma heroina romântica, ela morreu pq era muito nova pra amar um home daquela idade….
ai que dor no coração que me deus agora
cada vez q venho aqui [quase] é um template diferente! haha
=*
Eu já tinha lido, mas ainda não havia comentado.
Rebeca me recomendou, e eu li, faz um tempinho já, hehe.
Mas eu tenho que comentar esse texto…
Perfeito, nossa.
A menina podia ter ficado viva, é veerdade, mas gostei do texto exatamente do jeito que ele está.
*Por que a gente nunca sabe quando aqueles que esperamos, esperam por nós também?
Seria mais simples… E mais sem graça, penso eu.
beijos Pelviiini
;*
nossa, esses texto ao mesmo tempo que é triste, é tão lindo!! muito perfeito, de verdade.
nem toda história de amor tem final feliz né..
amei!!!!!!
beijos