O que vale
Nada além das palavras me vale a pena, porque é delas que eu tiro qualquer força pra continuar a viver. Não só as palavras escritas, mas as palavras ouvidas, as palavras faladas, as palavras vividas. As que fazem diferença.
Nada além das palavras me vale a pena, porque é delas que eu tiro qualquer força pra continuar a viver. Não só as palavras escritas, mas as palavras ouvidas, as palavras faladas, as palavras vividas. As que fazem diferença.
…um estado de catarse maximizada, debaixo de mil lupas: sou além de mim o que eu mesmo sou em mim.
Desafie-me um Texto #32
É Rafa, sou eu mesmo, Bruno.
Desculpa, volto aqui com mais do mesmo. Pareço um disco quebrado. Devo confessar algo que talvez você não tenha notado: sou um eterno apaixonado. Mas somos todos assim, né? Bem, não vou enrolar. Quero que me diga, da forma que lhe parecer melhor, até onde o sexo é importante na vida, e como sei se o que sinto é amor ou paixão (são diferentes?). Relacione, desembaralhe, sei lá… De fato, quero entender.
Abraços, Bruno Marcelino
O sentimento é a conjuntura das palavras. Estas, por sua vez, são a estrutura da vida. E apesar de uni-las nestes desafios, eu acho engraçada essa confiança que botam em meu julgamento, essa fé pelas respostas que eu mesmo não tenho exatas. Será que por serem feitas de palavras eu deveria saber mais sobre as questões que mexem com o coração de quem lê? Não. Mas desde que me pediram por atitudes para ter uma vida mais feliz num passado longínquo, tenho reparado como creem que eu posso capturar e sentir os sentimentos alheios. Empatia? Sensibilidade? Também não. Sou ser compassivo, mas verá que não sei ser humano se me interpretar do começo ao fim.
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Quanto ao amor. Dizem que não se deve escrever sobre amor no princípio da vida e há certa razão nisso: eu sei que tenho em mim a vontade de amar, mas sou bobo demais pra compreender o sentimento. As histórias de amor que conto em palavras não passam de mentiras construídas, porque o amor nunca me sentiu. E como poderia ser diferente? Eu sou do tipo que produz ilusões diárias. Felizmente dá pra vislumbrar aquilo que acreditamos que existe, e eu seria um tolo se duvidasse da capacidade de amar. Não a minha capacidade, mas a dos outros, porque eu não sou do tipo que ama. Não é que eu seja insensível e não queira – os outros que são incapazes, e pode me chamar de onisciente.
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Quanto ao sexo. Conheço pessoas que vão gozar dele todos os dias e assim serão felizes, e outras que abnegam dele e estarão igualmente satisfeitas. E dá pra julgá-las? Perder tempo pensando na moral dos outros faz esquecer a moral da vida, que sempre foi, não se engane, viver. E aí faça o que tu queres pois é tudo da lei, seja dentro ou fora do quarto, embaixo ou em cima da cama, sob ou sobre os lençóis, esteja-se por cima, por baixo, em pé, deitado, de lado, com uma, duas, três pessoas – ou não faça nada disso. As regras aqui são as mesmas, Bruno… Respeite a vontade alheia, não prejudique ninguém e, em absoluto, tente não se prejudicar: não é isso que as pessoas costumam aprender em casa? Falam que é. Agora, o que não adianta mesmo, amigo, é procurar aqui fora as respostas que estão aí dentro.
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Entendeu?
Conheço bem minhas qualidades. Fico apenas admirado com a habilidade das outras pessoas em lidar com tudo. Eu sou tão imaturo com as coisas. Elas judiam de mim por isso, porque eu vou além da insegurança comum. Daí vem meu problema, a falta de habilidade. A vida nem me fez inábil, na verdade ela fez o inverso. Eu que não sei cingir do jeito certo. Porque como sinto é um átimo do que o sentir é. E eu não sei lidar com a vida: ela não me sente. Em nenhum instante.